2011-09-23
2011-09-20
Uma revolução por igualdade, liberdade e humanidade sustentada com a venda de negros
Por estes dias, o senhor governador do Rio Grande do Sul andou elogiando os supostos ideiais iluministas dos farrapos. Aposto que ele arrancou aplausos de todo o mundo daqui que ama um passado bonito, ainda que falso. A tal "revolução farroupilha" foi financiada com a venda de escravos, e não há nada de iluminista nisso.
Domingos José de Almeida, o mentor dos farrapos, tinha escravos. Que baita iluminista, hein? Daí ele vendeu alguns pra financiar a guerra, e sem pudor alguma apresentou a fatura. Fez isso não por ideal iluminista, mas pra embolsar um dindim público:
Domingos José de Almeida, o mentor dos farrapos, tinha escravos. Que baita iluminista, hein? Daí ele vendeu alguns pra financiar a guerra, e sem pudor alguma apresentou a fatura. Fez isso não por ideal iluminista, mas pra embolsar um dindim público:
Quem financiou a Revolução Farroupilha? .... o lema dos farrapos era .... "liberdade, igualdade e humanidade" e .... na época da eclosão do movimento, a causa abolicionista havia vencido .... em outros países ocidentais, inclusive nalguns da .... América do Sul. O tráfico no Brasil estava formalmente proibido. Domingos José de Almeida .... foi o mentor intelectual dos farroupilhas. .... Vicente da Fontoura .... acusou-o de malversação de verbas e outros deslizes burocráticos tão comuns atualmente.
Em 25 de outubro de 1845, Almeida comete o documento ignominioso. Em carta a David Canabarro, pede o testemunho do último chefe do exército farroupilha em seu favor numa causa infame. ".... a mim .... me coube despender no conserto da escuna '2 de junho', no armamento da escuna '30 de maio', na criação do Trem de Guerra, no feitio de roupas para o exército, e no suprimento de quantias à soma de Rs. 3.647$455". O financiador queria então receber.
Para sustentar sua reclamação, explicava como financiara a parte que lhe coubera num movimento revolucionário cujos herdeiros ainda pretendem que tenha sido abolicionista. "Prevendo os resultados da retirada de 4 de janeiro de 1837 se nossos companheiros não fossem de pronto socorridos de cavalgadura, roupa, fumo e erva, nesse mesmo dia despachei 35 escravos, que de minha propriedade tinha já no departamento de Cerro Largo, com Vicente José Pinto para serem vendidos em Montevidéu e seu produto aplicar a esse importante fim". A Revolução Farroupilha foi, portanto, financiada com a venda de homens. Uma revolução por igualdade, liberdade e humanidade sustentada com a venda de negros. ....
No imaginário dos homens comuns, revoluções pela igualdade e pela humanidade normalmente libertam escravos, não se financia com a venda deles. Ou, seja por decoro ou por discrição, não apresentam a fatura no caixa do novo regime. Era assim, ao menos, na mitologia. Que sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra!
Juremir Machado da Silva, História regional da infâmia, pp. 17-19
Palavras-chave:
abusos da memória,
falsificações,
história,
Juremir Machado da Silva,
RS
2011-09-16
Keynes e o "Primeiro Mundo"
Ao ver o até-agora-mesmo "Primeiro Mundo" ir pro buraco, é difícil não lembrar daquelas lúcidas primeiras páginas de As consequências econômicas da paz, do John M. Keynes (PDF), nas quais ele diz que aqueles povos europeus que tanto sofreram com a guerra e a fome se comportavam, na abundância, como se esta fosse desde sempre e doravante sua condição perpétua:
«Poucos dentre nós percebem com convicção a natureza intensamente incomum, instável, complexa, temporária e não confiável da organização econômica da Europa Ocidental na última metade de século [19]. Achamos que algumas de nossas vantagens posteriores, das mais peculiares e temporárias, são naturais e permanentes; pensamos que é possível contar com elas, e com base nesta premissa fazemos os nossos planos. Sobre alicerces frágeis e terreno arenoso planejamos o aprimoramento da sociedade e criamos nossas plataformas políticas; seguimos o rumo das nossas animosidades e ambições particulares»
- John Maynard Keynes
2011-09-15
Tarso Genro elogia passado fajuto dos gaúchos
La Vieja Bruja conta a história e explica pra quem quiser entender.
Ao embarcar na fantasia do passado republicano e iluminista do RS, Tarso deixou de lado o debate baseado na verdade pra partir pra negociação pura e simples: ele faz de conta que o passado belo-mas-fajuto dos gaúchos é verdadeiro, os gaúchos o aplaudem. É a velha barganha da verdade pelo poder, a qual costuma dar certo por aqui, no RS, pois somos viciados em forjar passados autoglorificantes. Quem dá mais dessa balinha pro público-criancinha fica mais queridinho.
Eu acho este tipo de falsificação do passado preocupante. Temos que encarar os fatos, e admitir os erros passados, cuidando pra não repeti-los no presente e no futuro. Entendo (mas não aprovo) que um político use deste recurso para se dar bem, mas acho que o público e as instituições melhor fariam se encarassem a real.
Ao embarcar na fantasia do passado republicano e iluminista do RS, Tarso deixou de lado o debate baseado na verdade pra partir pra negociação pura e simples: ele faz de conta que o passado belo-mas-fajuto dos gaúchos é verdadeiro, os gaúchos o aplaudem. É a velha barganha da verdade pelo poder, a qual costuma dar certo por aqui, no RS, pois somos viciados em forjar passados autoglorificantes. Quem dá mais dessa balinha pro público-criancinha fica mais queridinho.
Eu acho este tipo de falsificação do passado preocupante. Temos que encarar os fatos, e admitir os erros passados, cuidando pra não repeti-los no presente e no futuro. Entendo (mas não aprovo) que um político use deste recurso para se dar bem, mas acho que o público e as instituições melhor fariam se encarassem a real.
2011-09-12
Moses high on more than Mount Sinai « Mind Hacks: "An Israeli psychologist is asking whether Moses may have been tripping when he saw God on Mount Sinai, suggesting that many of our traditional ideas about the Abrahamic God may have been inspired by hallucinogenic drugs."
A matemática macabra do 11 de setembro – Marco Weissheimer: "O conceito de justiça usado por Obama autoriza, portanto, a que iraquianos e afegãos lancem ataques contra os responsáveis pelo assassinato de milhares de homens, mulheres e crianças. E provoquem outras milhares de mortes. E assim por diante até que não haja mais ninguém para ser morto. A superação da Lei do Talião, cabe lembrar, foi considerada um avanço civilizatório justamente por colocar um fim neste ciclo perpétuo de morte e vingança. A ideia é que a justiça tem que ser um pouco mais do que isso."
As manifestações contra Belo Monte a partir de brinquedos elétricos e eletrônicos me fazem sorrir, pois em nenhum momento passa pela cabeça dos "manifestantes" impedir a construção da usina pela greve de consumo de energia elétrica. Este é um tipo de impensado maior que dá uma graça e um ar de crença em fadas à coisa toda.
É óbvio que não dá pra parar de consumir eletricidade e de se "manifestar", pois energia e internet são direitos humanos, ponto. Também é óbvio que populações atingidas merecem indenizações bilionárias, e logo. Mas, fadas à parte, é tolo culpar o outro por lidar com teu consumo e tua necessidade.
A capa que a revista Veja "deu" (ah sim, é ou era pra ser uma reportagem, não um comercial pago) pra indústria farmacêutica, induzindo os estúpidos que ainda acreditam em Veja (apesar de tudo, eis uma conjunto não vazio) a tomar um remédio perigoso (só pra deixar claro, se trata de um pleonasmo) como se fosse balinha foi tão irresponsável que até a afiliada local da rede Globo se sentiu constrangida a dar espaço para um endocrinologista assustado com a coisa toda.
Basicamente, o médico disse o óbvio: a bagaça é perigosa (o pleonasmo fundamental violado por Veja), pouco se sabe sobre ela, e os médicos não têm experiência alguma de prováveis usos do veneno/remédio.
Louvável, da parte do médico e da RBS, mas infelizmente insuficiente para impedir que tolos morram após dar seus cobres para uma indústria farmacêutica, pra alegria de uns espertos de Wall Street.
Misturar álcool e direção é perigoso, mas misturar farmakon com grana é loucura total. Nada que seja problema ou assunto pra revista Veja, é claro.
Basicamente, o médico disse o óbvio: a bagaça é perigosa (o pleonasmo fundamental violado por Veja), pouco se sabe sobre ela, e os médicos não têm experiência alguma de prováveis usos do veneno/remédio.
Louvável, da parte do médico e da RBS, mas infelizmente insuficiente para impedir que tolos morram após dar seus cobres para uma indústria farmacêutica, pra alegria de uns espertos de Wall Street.
Misturar álcool e direção é perigoso, mas misturar farmakon com grana é loucura total. Nada que seja problema ou assunto pra revista Veja, é claro.
2011-09-07
O respeito à livre concorrência na indústria de notícias
No capitalismo em bom funcionamento, todos os tipos de negócios são devidamente regulamentados, inclusive o negócio dos jornais, rádios e TVs.
Assim como o Estado deve impedir a venda de Aspirina com DDT, deve impedir que o explorador do recurso de todos que são as ondas de rádio as use para dar lucro para apenas um gerador de informação. A primeira proibição visa manter as pessoas vivas. A segunda proibição visa manter a concorrência viva.
Nota que não estamos discutindo a questão do conteúdo, a qual é outra questão. Tamos discutindo apenas a necessidade econômica de ter vários produtores e distribuidores ocupando o que é de todos (as ondas de rádio e TV).
Não é preciso partir pra discussão do conteúdo pra rejeitar a acumulação de diversas licenças de rádio e TV por um único ou poucos grupos econômicos. Também não é preciso partir para esta discussão para rejeitar a acumulação papel de produtor e de distribuidor de notícias na mão dos mesmos grupos econômicos, visto que tal acúmulo atenta contra o bom funcionamento dos mercados.
Assim como o Estado deve impedir a venda de Aspirina com DDT, deve impedir que o explorador do recurso de todos que são as ondas de rádio as use para dar lucro para apenas um gerador de informação. A primeira proibição visa manter as pessoas vivas. A segunda proibição visa manter a concorrência viva.
Nota que não estamos discutindo a questão do conteúdo, a qual é outra questão. Tamos discutindo apenas a necessidade econômica de ter vários produtores e distribuidores ocupando o que é de todos (as ondas de rádio e TV).
Não é preciso partir pra discussão do conteúdo pra rejeitar a acumulação de diversas licenças de rádio e TV por um único ou poucos grupos econômicos. Também não é preciso partir para esta discussão para rejeitar a acumulação papel de produtor e de distribuidor de notícias na mão dos mesmos grupos econômicos, visto que tal acúmulo atenta contra o bom funcionamento dos mercados.
Palavras-chave:
capitalismo,
economia,
imprensa,
negócios,
regulamentação
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