Religiões usam rituais, mistério, dança e meditação para nos ajudar a lidar com este mundo, o qual é causa de sofrimento para muitos. Ao fazer isso, as religiões estabelecem práticas valiosas, e nosso envolvimento nas mesmas é tão rico quanto nosso envolvimento com a arte. Em ambos os casos, arte e religião, as experiências de quem se aplica às respectivas práticas trazem serenidade e elevação.
Na visão de Karen Armstrong, a religião deve ser isso: uma prática que nos eleva. E é isso o que encontramos nos rituais, festas, danças e meditações típicas das maiores religiões.
No entanto, há um elemento indevido que tem estado misturado a tudo isso desde o século 17: a tentativa de transformar a prática religiosa em algo intelectual, em algo feito de palavras, ao invés de feito com o corpo.
Desde a ascenção da ciência no século 17, tem se tentado, indevidamente, transformar a religião-prática em religião-crença, e em religião-dogma. Essa é, na visão de Armstrong, uma perversão da religião. De acordo com a visão dela, são esses "religiosos" perversos, os quais falam e exigem concordância total ao invés de calarem a boca e dançarem, que são ridicularizados pelos ateus. Já os religiosos mesmo, os da prática, da elevação pela dança e pelo ritual, esses seriam imunes aos ataques de Dawkins, Dennett e outros, pois não querem nos convencer de nada, visto que se limitam a fruir de uma experiência elevada e significativa, tal como se tem com a arte.
Enfim, os que praticam a religião o fazem em silêncio argumentativo, e por praticarem ao invés de discutirem e exigirem total aceitação, nada fazem de ridículo aos olhos de quem argumenta. Suas práticas lhes dão serenidade, e são valiosas por si sós. O que eles alcançam não é uma crença ou um conjunto de proposições a serem defendidas a qualquer custo, mas sim uma vida com experiências valiosas e significativas.
Assim, o que um religioso deve dizer sobre a religião? Ora, nada !! Religião é prática, não diálogo racional. Praticar religião é algo que se faz em silêncio.
O livro da Armstrong parece ótimo, e fiquei com vontade de lê-lo. Ou não! Talvez o melhor fosse partir direto para alguma prática, de preferência bem pagã.

