2010-12-21

A lógica do preço da comida

Ao que parece, o presidente da Farsul raciocina da seguinte maneira:
(1) Se a decisão cabe ao Mercado, então a comida tem que ser cara
(2) A decisão cabe ao Mercado
(3) Logo, a comida tem que ser cara
Apesar dos méritos intrínsecos a um modus ponens, o raciocínio não é sólido, pois a conclusão é falsa. Não há nenhuma força cósmica que obrigue o alto preço da comida. Há várias opções de produção de alimentos que os mantém baratos, ou diminuem seus preços. Tudo depende da política econômica, ou da economia política, se me permitem o palavrão. Sendo assim, mantendo a triste verdade do condicional (1), vamos de modus tollens:

(1) Se a decisão cabe ao Mercado, então a comida tem que ser cara
(2') Não é o caso que a comida tem que ser cara
(3') Logo, não é o caso que a decisão cabe ao Mercado

Leia a história no RS Urgente.

2010-12-20

Demitir funcionário lesionado é feio, Natura

Durante 18 anos Adenilda Costa dos Santos trabalhou na linha de produção da empresa de cosméticos Natura. Há 12 anos está doente e passa por tratamento médico por conta de lesões decorrentes de sua atividade profissional. No dia 29 de novembro, a trabalhadora foi demitida sob alegação de falta de comprometimento com a empresa.
Adenilda faz parte de um grupo de 33 trabalhadores demitidos das fábricas da Natura em Cajamar (SP). Destes, 22 possuem algum tipo de lesão adquirida durante o tempo em trabalharam na empresa.
Os funcionários lesionados estavam em processo de reabilitação profissional. Grande parte desses operários estavam com cirurgia programada e trabalhavam em linhas de produção específicas, criadas para aqueles que estavam em recuperação. Após a demissão do grupo, uma das linhas foi desativada.
Segundo a advogada do Sindicato dos Químicos Unificados, Milene Simone, esta demissão é ilegal, porque “fere a garantia de tratamento durante o período em que o trabalhador estiver doente, que está assegurada na cláusula 17ª da Convenção Coletiva dos Trabalhadores Químicos e Plásticos”.
Os 22 funcionários procuraram o sindicato e foram submetidos a exame clínico que comprovou que possuem Lesão por Esforços Repetitivos / Doenças Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho (LER/DORT) e que necessitam de tratamento médico prolongado.
As doenças ocupacionais são regulamentadas pela Lei 8.213 de julho de 1991, que, além do tratamento, garante a estabilidade profissional de 12 meses após a doença. Os trabalhadores da Natura ainda estão doentes, por isso, não poderiam ter sido demitidos, conforme explica a advogada trabalhista.
De acordo com a entidade dos trabalhadores, este não é um caso isolado na política da Natura com os funcionários que adoecem em suas linhas de produção. No entanto, Nilza Pereira de Almeida, da diretoria colegiada do sindicato, afirma que essa é a primeira vez que a empresa demite tantos funcionários de uma só vez.

A BP no Azerbaijão

Há uma terrível quantidade de evidência das mãos da BP e do MI6 da Inglaterra no golpe de Estado de Baba de 1993 que derrubou o presidente eleito da nação. Meses após tomar o poder, Baba assinou "O Contrato do Século" dando à BP o monopólio do controle das reservas do Azerbaijão no Mar Cáspio.
-- Do jornalista Greg Palast, quem está no Azerbaijão, preso por exercer a profissão

2010-12-16

Assange livre, a rainha paga


“É uma grande vitória política”, disse Gavin MacFadyen, diretor do Center for Investigative Journalism de Londres. Ele corrobora o que outras fontes do Wiki disseram: foi uma derrota para a coroa inglesa a confirmação da sentença. Além de Julian poder ficar solto, a Coroa vai ter que arcar com os custos do processo, que soma milhares de libras.


É que quem recorreu da decisão de libertar Assange não foi o governo sueco, mas a Promotoria da Coroa do Reino Unido – o que soa um pouco estranho, aliás.


Pra poder julgar o recurso, teva que ser formada uma nova audiência na Alta Corte britância (sim, aqueles juizes com peruca branca), um processo que causou um grande prejuízo aos cofres públicos. Resultado: a Rainha vai ter que pagar.

-- Natalia Viana, no blog CartaCapital WikiLeaks

Histeria e fotografia


«Visualmente era um mundo novo, criado não só por artistas mas também pela máquina fotográfica. A câmera era verdadeiramente objetiva, pois nenhum observador humano intervinha entre o objeto e o registro. Ao lado das impressões criadas pela pintura, devemos inserir as imagens reproduzíveis captadas pelas lentes. No final dos acima mencionados doze anos [1874-1886], Jean-Martin Charcot, mestre da neurologia, tornou-se fascinado pelas representações pictóricas da histeria, antigas e novas. Ele e seus estudantes tornaram visual a doença. Os histéricos tinham de ter alguma aflição que pudesse ser fotografada.»

Foto de Jean-Martin Charcot, ataques epiléticos induzidos por histeria, 1878, via theslideprojector.com.

2010-12-15

Como manter desempregado um doutor desempregado

É muito simples manter desempregado um doutor desempregado.

Primeiro, exija que ele publique.

Depois, impeça que ele publique. Você pode fazer isso criando uma regra como esta:
«Segundo as diretrizes da Capes só serão aceitos trabalhos de docentes ou discentes inscritos em Programas dedicados a Pesquisa em Filosofia.»
A regra diz que se você é um doutor formado e diplomado, mas não tem emprego, então seu trabalho não é bom para ser publicado, não importando seu conteúdo.

As consequências da regra são interessantes, embora perversas.

Primeiro, o estudante que demora para se pós-graduar é premiado, pois seu trabalho vale alguma coisa para publicação enquanto ele está matriculado em um programa de pesquisa. Depois, magicamente, não vale nada.

Segundo, o doutor desempregado é prejudicado em concursos, pois é impedido de publicar, embora publicações contem pontos. Aliás, me pergunto: é legítimo considerar publicações em concursos, dada a regra acima? Se é para manter a pontuação por publicações, e eu acho que é preciso manter, a regra acima tem que cair.

Terceiro, a vida dos programas de pesquisa fica artificialmente facilitada, pois a reserva de mercado faz com que os professores e alunos publiquem mais do que os outros, o que lhes dá mais pontuação Lattes, e daí mais recursos orçamentários, e mais vantagens nas carreiras.

Quarto, o dinheiro investido em um doutor que está desempregado é desperdiçado, pois seu trabalho é impedido de vir a público.

Quinto, os programas de pesquisa se tornam máquinas nas quais quem sai fica na mesma situação que estava antes, pois os resultados da pesquisa são imediatamente ignorados.

É claro que uma regra como esta não é do interesse público. Seria importante que aqueles que se beneficiam com a mesma refletissem sobre o assunto.

Mais sobre o assunto aqui.

2010-12-14

O tapa na cara das mulheres estupradas

Em outras palavras: nunca, em vinte e três anos de relatos e apoio a vítimas de violência sexual ao redor do mundo, eu alguma vez ouvi dizer do caso de um homem procurado por duas nações, e mantido em confinamento em uma solitária, sem fiança, antes de ser questionado -- por qualquer estupro alegado, mesmo o mais brutal ou facilmente provado. Em termos de um caso envolvendo os tipos de ambiguidades e complexidades das queixas das supostas vítimas -- sexo que começou consensualmente, e alegadamente tornou-se não-consensual quando surgiu a disputa sobre uma camisinha -- por favor encontre para mim, em qualquer lugar do mundo, outro homem hoje na prisão sem fiança por acusações de qualquer coisa comparável.
[...] para todas as dezenas de milhares de mulheres que foram sequestradas e estupradas, estupradas sob a mira de uma arma, estupradas com objetos pontiagudos, espancadas e estupradas, estupradas enquanto crianças, estupradas por familiares -- que ainda estão esperando o menor suspiro da justiça -- a reação nem um pouco usual da Suécia e da Inglaterra a essa situação é um tapa na cara. Ela parece mandar a mensagem às mulheres no Reino Unido e na Inglaterra de que se você alguma vez quiser que alguém leve a sério um crime sexual contra você, é melhor que você se certifique de que o homem que você acusa também causou embaraços ao governo mais poderoso da terra.
-- Naomi Wolf, no BoingBoing

PS - Você pode se interessar pela postagem Carta das Mulheres Contra o Estupro sobre a prisão de Assange.

Visa e MasterCard como instrumentos da violência dos EUA

Agora sabemos que Visa, MasterCard, PayPal e outros são instrumentos da política externa dos EUA. Peço ao mundo que proteja meu trabalho e meu pessoal desses ataques ilegais e imorais.
-- Julian Assange, em declaração por escrito entregue à rede Network Seven, da Austrália, pela sua mãe; via Guardian

2010-12-13

A pacificação das favelas no cablegate

Um trechinho de um telegrama de 30 de setembro de 2009:
O componente chave do Programa de Pacificação das Favelas é a Polícia de Pacificação (UPP), a qual conta com aproximadamente 500 policiais. Da perspectiva da segurança, até o momento o Programa de Pacificação tem tido sucesso nas quatro favelas do Rio sob controle da UPP, mas a entrega subsequente de serviços básicos e programas de assistência social tem sido desigual. Em adição aos fatores de segurança óbvios envolvidos no programa de pacificação, também há interesses econômicos significativos em jogo, com alguns analistas estimando que a economia do Rio de Janeiro crescerá em 38 bilhões de reais (21 bilhões USD) caso as favelas sejam reincorporadas na sociedade e mercado principais. O Programa de Pacificação das Favelas partilha algumas características com a doutrina e estratégia de contrainsurgência dos EUA no Afeganistão e no Iraque. 

O "Zé", o ouro negro e os bandidos

Documentos divulgados pelo WikiLeaks provam que Serra queria mesmo entregar o ouro negro aos bandidos.

Serra papeava sobre pré-sal com petroleiras gringas

Espero que o PSDB nos explique isto em 2014:
As petroleiras americanas não queriam a mudança no marco de exploração de petróleo no pré-sal que o governo aprovou no Congresso, e uma delas ouviu do então pré-candidato favorito à Presidência, José Serra (PSDB), a promessa de que a regra seria alterada caso ele vencesse.


É isso que mostra telegrama diplomático dos EUA de dezembro de 2009 obtido pelo site WikiLeaks. [...]


"Deixa esses caras [do PT] fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava... E nós mudaremos de volta", disse Serra a Patricia Pradal, diretora de Desenvolvimento de Negócios e Relações com o Governo da petroleira norte-americana Chevron, segundo relato do telegrama. [...]


A executiva da Chevron relatou a conversa com Serra ao representante de economia do consulado dos EUA no Rio. O cônsul Dennis Hearne repassou as informações no despacho "A indústria do petróleo conseguirá derrubar a lei do pré-sal?".
-- Juliana Rocha, na Folha, via @StanleyBurburin

2010-12-09

Janio de Freitas, um jornalista que não se faz de louco, e o cablegate

Diz Janio de Freitas, um dos raros jornalistas da velha mídia que não se faz de louco nem nos trata como idiotas no caso do cablegate:
É de liberdade de informação que se trata. É do direito dos cidadãos de saber o que seus governos dizem e fazem sorrateiramente. É de jornalismo que se trata. E os meios de comunicação jornalística estão ficando tão mal quanto os governos desnudados pelo Wikileaks. Era a hora de estarem todos em campanha contra os governantes que querem sufocar as revelações. Ou seja, em defesa da liberdade de informação, da própria razão de ser que os jornais, TVs e revistas propagam ser a sua. Com escassas exceções, que se saiba, os meios estão muito mais identificados com os governantes do que com os cidadãos-leitores e com a liberdade de informação.
Via Toda Mídia

Lula presta solidariedade a Assange

O rapaz foi preso e eu não estou vendo nenhum protesto contra [o cerceamento à] a liberdade de expressão. É engraçado, não tem nada. [...] pode colocar no Blog do Planalto o primeiro protesto, então, contra [o cerceamento à] a liberdade de expressão na internet, para a gente poder protestar, porque o rapaz estava apenas colocando aquilo que ele leu. E se ele leu porque alguém escreveu, o culpado não é quem divulgou, o culpado é quem escreveu. Portanto, em vez de culpar quem divulgou, culpe quem escreveu a bobagem, porque senão não teria o escândalo que tem. Então, Wikileaks, minha solidariedade pela divulgação das coisas e meu protesto contra [o cerceamento à] da liberdade de expressão.
Lula, nosso presidente, via Blog do Planalto

A ONU sobre Assange e a liberdade de expressão

ELEANOR HALL: O representante das Nações Unidas para a liberdade de opinião e expressão diz que está trabalhando em um novo relatório sobre a liberdade de expressão na Internet.


Frank La Rue diz que não acha que os Estados Unidos serão capazes de processar Julian Assange. Mas ele alerta que seria um exemplo muito ruim para a liberdade de expressão se esse governo agisse contra ele.


Ele falou comigo hoje cedo, da sua casa na Cidade da Guatemala.


Frank La Rue você monitora a liberdade de expressão e tentativas de cerceá-la ao redor do mundo. Você concorda com os defensores do Wikileaks que seu fundador Julian Assange é um mártir da liberdade de expressão?


FRANK LA RUE: Ele certamente é. Se há uma responsabilidade pelo vazamento de uma informação, ela é exclusivamente da pessoa que fez o vazamento, não da imprensa que a publica. É assim que a transparência funciona e que a corrupção foi confrontada em muitos casos.
Via ABC News

Jornalistas em defesa de WikiLeaks

Se corporações e governos podem destruir o acesso de alguém à moderna economia como fizeram com o Wikileaks, sem nem mesmo fingir seguir o devido procedimento legal (PayPal, Visa, MasterCard, Amazon etc. não foram ordenados por corte alguma a fechar o acesso para o Wikileaks) então nós simplesmente não vivemos em uma sociedade legal livre, muito menos em uma sociedade justa.

A defesa de Julian Assange e Wikileaks é uma das questões mais importantes da minha vida. Agora há duas superpotências no mundo -- o poder militar de Washington e o poder da opinião pública e da justiça, o qual Wikileaks representa.
-- John Pilger, em pronunciamento

É interessante que o fundador do Wikileaks defenda a visão tradicionalmente conservadora, jeffersoniana, de que a estrutura constitucional dos Estados Unidos limita e diminui a corrupção do governo.
-- Jack Hunter, em The American Conservative

Senhoras e senhores, isto não é um processo. É uma causa. E deixe que nos informemos do que podemos fazer, e até onde podemos ir para assegurar que o direito à informação livre permaneça disponível para todos.
-- Timothy Bancroft-Hinchey, no Pravda

Wikileaks melhora nossa democracia, não a enfraquece.
-- Ewan Hansen, na Wired

Todas as citações via WL Central

Liberdade de expressão na Internet

Qualquer usuário da Internet que se importa com a liberdade de expressão ou tem uma mensagem controversa ou impopular deve se preocupar com o fato de que os intermediários podem impedi-lo de expressá-la. [...] Seus direitos de liberdade de expressão são apenas tão fortes quanto o intermediário mais fraco. 
-- Marcia Hofmann, advogada da Fundação Fronteira Eletrônica (Electronic Frontier Foundation), no New York Times

Meu arquétipo materno preferido é...


... a instintiva Gloria, do filme homônimo do Cassavetes.

Imagem via Flicrk.

2010-12-08

A Shell infiltra seu pessoal no governo nigeriano

Os telegramas vazados pelo Wikileaks trazem evidências do modo como as grandes empresas roubam recursos naturais dos países pobres.

Mais especificamente, mostram que a Shell infiltra seu pessoal no governo da Nigéria, e sabe tudo o que se decide nos ministérios.

Além disso, a Shell delata políticos "militantes" aos diplomatas estadunidenses.

Via Guardian.

PS - É de se lembrar que, no Brasil, em 2009, a oposição (PSDB e DEM/PFL) apresentou emenda sobre o pré-sal que era mero cut & paste de textos feitos pelas petrolíferas gringas.

Carta das Mulheres Contra o Estupro sobre a prisão de Assange

Carta de Katrin Axelsson, da Women Against Rape (Mulheres Contra o Estupro):
Muitas mulheres na Suécia e na Inglaterra se surpreenderão com o zelo pouco usual com o qual Julian Assange está sendo perseguido por alegações de estupro [...]. 
A Assange, que parece não ter condenações criminais, se rejeitou o direito à fiança [...]. Mas fiança após alegações de estupro é rotina. Por dois anos demos apoio a uma mulher que sofreu estupro e violência doméstica de um homem previamente condenado após ter tentado matar uma ex-parceira e seu filho -- foi garantido a ele o direito à fiança enquanto a polícia investigava. 
Há uma longa tradição de usar o estupro e a agressão sexual para agendas políticas que não têm nada a ver com a segurança das mulheres. No sul dos EUA, frequentemente o linchamento de negros era justificado baseado em que eles tinham estuprado ou mesmo olhado par uma mulher branca. Nós mulheres não aceitamos que nossa exigência de segurança seja mal-utilizada, enquanto os casos de estupro no melhor dos casos continuam sendo negligenciados, no pior dos casos são blindados. 

PS - Você pode se interessar pela postagem O tapa na cara das mulheres estupradas.

Gleen Greenwald sobre a prisão de Julian Assange

Não importando o que você ache do Wikileaks, eles não foram acusados de crime algum, muito menos indiciados ou condenados. Apesar disso, olhe o que aconteceu com eles. Eles foram removidos da Internet [...] seus fundos foram congelados [...] personalidades da mídia e políticos pediram que fossem assassinados e rotulados como uma organização terrorista. O que de fato está acontecendo é uma guerra pelo controle da Internet, e se ou não a Internet pode de fato servir ao seu fim último -- o qual é permitir que os cidadãos se unam e democratizar os controles sobre as facções mais poderosas do mundo.
-- Gleen Greenwald é advogado de direito constitucional e colunista da Salon. Via Democracy Now!

Wikileaks por Manuel Castells

Manuel Castells:
[...] Los gobiernos llevaban tiempo preocupados con su pérdida de control de la información en el mundo de internet. Ya les molestaba la libertad de prensa. Pero habían aprendido a convivir con los medios tradicionales. En cambio, el ciberespacio, poblado de fuentes autónomas de información, es una amenaza decisiva a esa capacidad de silenciar en la que se ha fundado siempre la dominación.
Si no sabemos lo que pasa, aunque nos lo temamos, los gobernantes tienen las manos libres para robar y amnistiarse mutuamente como en Francia o Italia o para masacrar a miles de civiles y dejar curso a la tortura como EE.UU. en Iraq y Afganistán. De ahí la alarma de las élites políticas y mediáticas ante la publicación de centenares de miles de documentos originales incriminatorios para los poderes fácticos en EE.UU. y en otros muchos países por Wikileaks. [...]
[...] Se inició por parte de disidentes chinos con apoyos en empresas de internet de Taiwán, pero poco a poco recibió el impulso de activistas de internet y defensores de la comunicación libre unidos en una misma causa global: obtener y difundir la información más secreta que gobiernos, corporaciones y, a veces, medios de comunicación ocultan a los ciudadanos. [...] A pesar del asedio que han recibido desde su origen, han ido denunciando corrupción, abusos, tortura y matanzas en todo el mundo, desde el presidente de Kenia hasta el lavado de dinero en Suiza o a las atrocidades en las guerras de EE.UU.
Han recibido numerosos premios internacionales de reconocimiento a su labor, incluyendo los de The Economist y de Amnistía Internacional. Es precisamente ese creciente prestigio de profesionalidad el que preocupa en las alturas. Porque la línea de defensa contra las webs autónomas en internet es negarles credibilidad. Pero los 70.000 documentos publicados en julio sobre la guerra de Afganistán o los 400.000 sobre Iraq difundidos ahora son documentos originales, la mayoría procedentes de soldados estadounidenses o de informes militares confidenciales. En algunos casos, filtrados por soldados y agentes de seguridad estadounidenses, tres de los cuales están en la cárcel. Wikileaks tiene un sistema de verificación que incluye el envío de reporteros suyos a Iraq, donde entrevistan a supervivientes y consultan archivos.
De hecho, los ataques contra Wikileaks no cuestionan su veracidad [...]. Aun así, Hillary Clinton ha condenado la publicación sin comentar la ocultación de miles de muertos civiles y las prácticas de tortura que revelan los documentos. Al menos, Nick Clegg, el viceprimer ministro británico, ha censurado el método pero ha pedido una investigación sobre los hechos.
Pero lo más extraordinario es que algunos medios de comunicación están colaborando con el ataque que los servicios de inteligencia han lanzado contra Julian Assange, director de Wikileaks. Incluso un comentario editorial de Fox News aboga por su asesinato. Y sin ir tan lejos, John Burns, en The New York Times, intenta mezclarlo todo en una niebla respecto al personaje de Assange. Es irónico que lo haga este periodista buen colega de Judy Miller, la reportera de The Times que informó, consciente de que era mentira, del descubrimiento de armas de destrucción masiva (véase la película La zona verde).
Esa es la más vieja táctica mediática: para que se olviden del mensaje: atacar al mensajero. Eso hizo Nixon en 1971 con Daniel Ellsberg, el que publicó los famosos papeles del Pentágono que expusieron los crímenes en Vietnam y cambiaron la opinión pública sobre la guerra. Por eso Ellsberg aparece en conferencias de prensa junto con Assange. [...]
El drama no ha hecho más que empezar. Una organización de comunicación libre, basada en el trabajo voluntario de periodistas y tecnólogos, como depositaria y transmisora de quienes quieren revelar anónimamente los secretos de un mundo podrido, enfrentada a aquellos que no se avergüenzan de las atrocidades que cometen pero sí se alarman de que sus fechorías sean conocidas por quienes los elegimos y les pagamos. Continuará.
-- Jornada no TumblrpostPeriodismo via @iAvelar

A imunidade diplomática como valor universal

E se os diplomatas estadunidenses vão invadir estúdios de TV citando a convenção de Viena, a qual protege embaixadas diplomáticas e comunicações como "invioláveis", então eles precisam explicar melhor porque Hillary Clinton estava recentemente pedindo à CIA para espionar enviados estrangeiros na ONU e ao redor do mundo. Se a santidade da mala diplomática significa alguma coisa, ela precisa ser um valor universal.
-- Editorial de hoje do Guardian, via Biscoito Fino

As acusações a Assange e os vazamentos

A melhor maneira de mostrar que as acusações não têm nada a ver com silenciar o Wikileaks é deixá-lo continuar vazando enquanto Assange enfrenta seus acusadores.
-- Editorial de hoje do Guardian, via Biscoito Fino

Segredo e poder

Como se aguenta um poder que deixou de ter a possibilidade de conservar os seus próprios segredos? É verdade, já o dizia Georg Simmel, que um verdadeiro segredo é um segredo vazio (e um segredo vazio nunca poderá ser revelado); é igualmente verdade que saber tudo sobre o caráter de Berlusconi ou de Merkel é realmente um segredo vazio de segredo, porque releva do domínio público; mas revelar, como fez o WikiLeaks, que os segredos de Hillary Clinton são segredos vazios significa retirar-lhe qualquer poder. O WikiLeaks não fez mossa nenhuma a Sarkozy ou a Merkel, mas fez uma enorme a Clinton e Obama.
-- Umberto Eco para o Libération, em mais um dos infindáveis baitatextos cavados pelo Idelber Avelar, o nerd dos nerds, o geek dos geeks

O Pravda zombando da censura nos EUA

Entre as muitas ironias que produziu, uma das mais saborosas do caso WikiLeaks é ter dado oportunidade ao jornal russo “Pravda” de zombar do sistema legal e da censura nos EUA.
Depois de comentar mensagens do WikiLeaks que mostram o governo Obama pressionando Alemanha e Espanha para encobrir torturas praticadas pela CIA no governo anterior, o colunista e editor legal David Hoffman tripudia: “agora, dado que o fundador do WikiLeaks Julian Assange enfrenta acusações criminais na Suécia, fica também evidente que os EUA têm o governo sueco e a Interpol no bolso. [...] Aproveita também para apontar a hipocrisia de conservadores e seus porta-vozes na imprensa, que querem as penas mais rigorosas possíveis para o WikiLeaks mas não tiveram dúvidas em expor a agente dos EUA Valerie Plame quando o governo Bush júnior quis punir seu marido, o ex-embaixador Joseph Wilson, por denunciar provas forjadas para justificar a invasão do Iraque.
-- Antonio Luiz M. C. Costa para a CartaCapital, via Biscoito Fino

A imprensa brasileira e o cablegate

A imprensa tem se limitado a publicar os documentos, se atendo quase que exclusivamente ao seu conteúdo que, por si só, já é suficiente para causar embaraço aos governos e autoridades neles mencionados. Chama atenção o fato que nosso jornalismo tão marcadamente opinativo parece haver decretado férias coletivas. O fato é que os juízos de valor, sempre com tendência para o exagero e a contundência, são de todo escassos.
-- Washington Araújo para o Observatório da Imprensa, via Viomundo

Não poder doar ao Wikileaks mas poder doar à Ku Klux Klan... tem preço!

Visa e Mastercard impedem doações ao Wikileaks. Comentário sobre o assunto no melhor jornal do ocidente, The Guardian:
Charles Arthur, o editor de tecnologia do Guardian, aponta que enquanto MasterCard e Visa desligaram o Wikileaks, você ainda pode usar esses cartões para doar para organizações abertamente racistas tais como o Partido dos Cavaleiros, o qual é apoiado pela Ku Klux Klan.
-- News Blog do Guardian via WL Central

O direito do Wikileaks e do público nos EUA

Sejamos claros -- nos Estados Unidos, ao menos, o Wikileaks tem um direito fundamental de publicar informação política verdadeira. E igualmente importante, os usuários da Internet tem um direito fundamental de ler essa informação e expressar suas opiniões sobre a mesma. Vivemos em uma sociedade que valoriza a liberdade de expressão e se esquiva da censura. Infelizmente, esses valores são apenas tão fortes quanto a vontade de defendê-los -- uma vontade que parece estar se encolhendo agora de uma maneira alarmante.
-- Shari Steele para a Fundação Fronteira Eletrônica, via WL Central

2010-12-07

Conflito na fronteira entre a ALBA e o império

Tá rolando um conflito na América Central que não é notícia nos EUA, por isso não é notícia por aqui.

Costa Rica e Nicarágua estão disputando fronteiras. A Costa Rica é alinhada aos EUA, a Nicarágua pertence à Aliança Bolivariana para as Américas (ALBA). É claro, o Pentágono considera a ALBA um obstáculo aos seus interesses na região.

A Costa Rica já foi usada pelos EUA durante os anos 1980s.

A disputa envolve o rio San Juan, o qual forma parte da fronteira entre os dois países. A Nicarágua está dragando-o para torná-lo navegável. Isso é fundamental para desenvolver o país, permitindo que itens exportáveis sejam levados do interior do país para o litoral. No entanto, a Costa Rica acusou falsamente a Nicarágua de invadir seu território, e enviou tropas para a fronteira. A Organização dos Estados Americanos (OEA) investigou denúncias da Costa Rica, e não encontrou nenhum indício que as corroborasse.

Os EUA entram em cena, enviando 46 navios com 7000 tripulantes à região, em julho de 2010. O pretexto é o combate ao tráfico de drogas. Na prática, a Costa Rica está servindo de base militar dos EUA. Seus soldados podem circular livremente pelo país, armados, e com garantias legais de que não serão punidos pelos seus crimes. O contrato de patrulha vai até o final de 2010, mas não é raro que os militares dos EUA se recusem a sair, uma vez que tenham entrado.

As informações são de Berta Joubert-Ceci para Workers World.

Assange faz os donos do mundo se unirem

Via Time.

Enquanto isso, em Veneza.....

Via Perez Hilton.

2010-12-06

/wikileaks

Sites que hospedam páginas estão sendo encorajados a adicionar um diretório "/wikileaks" nos seus sites, redirecionando para http://88.80.13.160/, gerido pela empresa sueca Bahnhof. 
Atualmente, esse endereço redireciona os usuários para uma página do Wikileaks em http://213.251.145.96/, a qual é gerida por uma empresa francesa, mas se a pressão do governo francês retirar o Wikileaks desse hospedeiro, ainda haverá o endereço sueco.
-- Charles Arthur, no Guardian

Julian Assange, o cara do ano

Julian Assange pegou a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, tentando roubar os dados do cartão de crédito do secretário geral da ONU, Ban Ki-Moon.

Igualou a poderosíssima chefe da máquina de guerra do império a um ladrãozinho vagabundo.

É o nome de 2010, e fim de história.

2010-12-04

EUA vivem seu momento China

Estudantes que falam sobre o Wikileaks e o cablegate nas redes sociais podem não conseguir acesso a cargos no Partido, digo, em empregos públicos.

Via Huffington Post.

2010-12-01

Wikileaks para brasileiros

Texto da jornalista do Wikileaks e do Opera Mundi Natalia Viana:
Fui convidada por Julian Assange e sua equipe para trazer ao público brasileiro os documentos que interessam ao nosso país. Para esse fim, o Wikileaks decidiu elaborar conteúdo próprio também em português. Todos os dias haverá no site matérias fresquinhas sobre os documentos da embaixada e consulados norte-americanos no Brasil.
Por trás dessa nova experiência está a vontade de democratizar ainda mais o acesso à informação. O Wikileaks quer ter um canal direto de comunicação com os internautas brasileiros, um dos maiores grupos do mundo, e com os ativistas no Brasil que lutam pela liberdade de imprensa e de informação. Nada mais apropriado para um ano em que a liberdade de informação dominou boa parte da pauta da campanha eleitoral.
Buscando jornalistas independentes, Assange busca furar o cerco de imprensa internacional e da maneira como ela acabada dominando a interpretação que o público vai dar aos documentos. Por isso, além dos cinco grandes jornais estrangeiros, somou-se ao projeto um grupo de jornalistas independentes. Numa próxima etapa, o Wikileaks vai começar a distribuir os documentos para veículos de imprensa e mídia nas mais diversas partes do mundo.
Assange e seu grupo perceberam que a maneira concentrada como as notícias são geradas – no nosso caso, a maior parte das vezes, apenas traduzindo o que as grandes agências escrevem – leva um determinado ângulo a ser reproduzido ao infinito. Não é assim que esses documentos merecem ser tratados: “São a coisa mais importante que eu já vi”, disse ele.
[...]
Documentos sobre Brasil
No caso brasileiro, os documentos são riquíssimos. São 2.855 no total, sendo 1.947 da embaixada em Brasília, 12 do Consulado em Recife, 119 no Rio de Janeiro e 777 em São Paulo.
Nas próximas semanas, eles vão mostrar ao público brasileiro histórias pouco conhecidas de negociações do governo por debaixo do pano, informantes que costumam visitar a embaixada norte-americana, propostas de acordo contra vizinhos, o trabalho de lobby na venda dos caças para a Força Aérea Brasileira e de empresas de segurança e petróleo.
O Wikileaks vai publicar muitas dessas histórias a partir do seu próprio julgamento editorial. Também vai se aliar a veículos nacionais para conseguir seu objetivo – espalhar ao máximo essa informação. Assim, o público brasileiro vai ter uma oportunidade única: vai poder ver ao mesmo tempo como a mesma história exclusiva é relatada por um grande jornal e pelo Wikileaks. Além disso, todos os dias os documentos serão liberados no site do Wikileaks. Isso significa que todos os outros veículos e os próprios internautas, bloggers, jornalistas independentes vão poder fazer suas próprias reportagens. Democracia radical – também no jornalismo.
Impressões
[...]
Como disse um internauta, Wikileaks é o que acontece quando a superpotência mundial é obrigada a passar por uma revista completa dessas de aeroporto. O que mais surpreende é que se trata de material de rotina, corriqueiro, do leva-e-traz da diplomacia dos EUA. Como diz Assange, eles mostram “como o mundo funciona”.
O Wikileaks tem causado tanto furor porque defende uma ideia simples: toda informação relevante deve ser distribuída. Talvez por isso os governos e poderes atuais não saibam direito como lidar com ele. Assange já foi taxado de espião, terrorista, criminoso. Outro dia, foi chamado até de pedófilo.
Wikileaks e o grupo e colaboradores que se reuniu para essa empreitada acreditam que injustiça em qualquer lugar é injustiça em todo lugar. E que, com a ajuda da internet, é possível levar a democracia a um patamar nunca imaginado, em que todo e qualquer poder tem de estar preparado para prestar contas sobre seus atos.
O que Assange traz de novo é a defesa radical da transparência. O raciocínio do grupo de jornalistas investigativos que se reúne em torno do projeto é que, se algum governo ou poder fez algo de que deveria se envergonhar, então o público deve saber. Não cabe aos governos, às assessorias de imprensa ou aos jornalistas esconder essa ou aquela informação por considerar que ela “pode gerar insegurança” ou “atrapalhar o andamento das coisas”. A imprensa simplesmente não tem esse direito.
[...]
ViomundoOpera Mundi

Disclaimer

Nota bem que eu publico aqui opiniões de diversas pessoas, o que não quer dizer que eu concorde com tudo. A responsabilidade pelo que reproduzo aqui é dos autores citados. Essa responsabilidade se estende aos autores dos comentários feitos às postagens deste blog.