2010-08-31

Tijolaco.com é Top 1000

O blog tijolaco.com, do deputado Brizola Neto, está entre os mil sites mais visitados do Brasil, como se vê pelo site Alexa, o qual o apresenta na posição 972.

Poucas semanas atrás, o site estava entre os top 2000, segundo postagem do próprio Brizola Neto. O crescimento é constante.

Quem conhece o Tijolaço sabe a razão: Brizola Neto traz opiniões claras, articuladas e bem fundamentadas no momento oportuno. Depois que você conhece esse blog, fica difícil não consultá-lo a cada novidade sobre a política nacional.

Se você ainda não conhece o Tijolaço, vai lá e confere. Também dá para seguir no Facebook e no Twitter.

PS - O Cloaca News não faz feio, pois está na posição 6.777. O Idelber está na posição 13.359. Eu acho esses números bem expressivos.

2010-08-30

Discursos ímpios, um livrinho que vale a pena

Há tantos programas religiosos na TV e no rádio, e tantos canais e rádios religiosas, que esse exagero midiático já passa por algo normal. Mas, na boa, não é. Esta midiatização altamente capitalizada e quiçá altamente capitalizante da religião no nosso país precisa ser pensada, e para isso precisa ser ao menos notada.

Não se trata de ser contra ou a favor da religião, mas sim de pensar o uso de recursos públicos como as ondas de rádio. E também pensar a educação e formação dos jovens.

Uma boa formação precisa ser plural, mostrando aos jovens as várias possibilidades de vida, e deixando claro que as escolhas cabem apenas a eles, visto que eles e apenas eles serão responsáveis pelos próprios destinos. É por isso que precisamos de mais exposição e discussão de posições contrárias, como a religiosidade sem credo, a la Karen Armstrong, e também o ateísmo.

Claro, o que tô dizendo pode causar ahnãos, visto que muitos dos nossos ateus de internet são uns chatos, e uns bocós igrejeiros e intolerantes. Concordo, pois eu mesmo me entedio com o que leio por aí. Mas não é disso que tô falando. Na real, não tô nem falando a favor do ateísmo, visto que simpatizo com a religiosidade dançante da Karen Armstrong. Tô falando apenas que é grave ter canais de TV apresentando shows de rock cristão, mas não fornecer aos jovens outras visões que podem estar de acordo com suas razões ou inclinações. É grave porque é deformante. E é deformante não porque o rock cristão é interessante, mas porque deforma a percepção da normalidade.

É por isso que curto materiais que trazem diversidade, e esclarecimento, ainda que sejam materiais modestos, como o livro Discursos ímpios, do Marquês de Sade.

É claro, mal dá para comparar um livrinho com os ataques midiáticos e cheios de capital que citei antes. As diferenças são gritantes. Um chega ao aparelho de TV de cada um, outro está em livrarias, e precisa ser lido, além de entendido. Sei de tudo isso. Mas quero dizer, apenas, que em meio ao nada de pluralidade e à bocozice, eis algo interessante.

Os Discursos ímpios em questão são uma excelente seleção de textos filosóficos de Sade sobre a religião. A característica fundamental é a argumentação detalhada de temas como a religiosidade cívica, o papel da religião na geração de guerras e violência, e os fundamentos de certos dogmas cristãos, incluindo a imortalidade da alma. Em cada ponto, Sade apresenta argumentos claros e articulados, convidando ao debate e à reflexão.

O livro traz seis textinhos bem bacanas. Dos Cadernos pessoais sai uma reflexão sobre a moralidade como algo independente da religiosidade. Da Filosofia na alcova sai uma comparação das vantagens cívicas do paganismo em relação ao cristianismo. O Diálogo entre um padre e um moribundo, escrito em 1782, mas publicado apenas em 1926, defende que se apoie as bases da felicidade apenas no que é compreensível à razão e pode ser observado pelos sentidos. A Nova Justine apresenta um argumento contra a imortalidade da alma, e a favor da imortalidade do corpo. A História de Juliette traz um argumento contra a existência do inferno, o qual se apoia na falta de menções claras ao mesmo na Bíblia, e também na coerência da doutrina cristã.

Em todos os textos da seleção, o que temos é filosofia da religião a partir de um ponto de vista ateu. Como os textos são claros e acessíveis, qualquer pessoa minimamente educada e interessada pode lê-los. É um bom presente pros adolescentes da família que se interessam um pouquinho por livros.

A pesquisa e o olhar

Ao observar os resultados de uma área de pesquisa, seja esta ciência, filosofia ou arte, o leigo vê respostas, enquanto o conhecedor vê bases para perguntas.

Formar um pesquisador é, justamente, transformar alguém que vê respostas em alguém que vê bases para perguntas.

2010-08-28

Envelope de camisinha dos anos 1940

Via Sexoteric.

Folha cai no boato do restaurante canibal

A Folha desistiu de fazer jornalismo, mesmo. Tanto que publicou uma reporcagem, como se fosse notícia investigada e verificada, sobre um boato sobre restaurante canibal no Brasil.

Daí o pessoal trabalhador do Opera mundi fez o trabalho de reportagem, mostrando que se trata de boato. E aproveitou para tripudiar a preguiça dos dublês de repórkers da Folha.

No que fez bem. Pois, vá lá, para os caipiras e desinformados da Europa, achar plausível que haja tal coisa por aqui. Mas fica mal para um jornal nacional.

Via Buzz do Idelber. Imagem daqui.

2010-08-27

Há vaga

Pelo jeito, a Marina sacou que o espaço para candidato de oposição tá vago.

Enquanto isso, todo o mundo com quem falo lulou, e dilmou - mesmo o pessoal mais conservador, incluindo empresários.

Quer dizer... quase todo o mundo, pois andei recebendo um tolo email reginaduartista de um parente novorrico. Senti a tal #vergonhaalheia.

Como será o Afeganistão em 2050?

Se for como o Afeganistão de 1950, será um grande avanço.

2010-08-24

Isto é uma vergonha



Pô, primeiro o Boris Casoy ofendeu os garis. Agora abriu processo contra bloguista que escreveu sobre o assunto. É triste ver o quanto um personagem tão mediocre pode causar tanto enjoo, náuseas e mal-estar.

Dizer que o figura se comporta de maneira lamentável é chover no Paquistão. Desrespeito a trabalhadores, constrangimento à opinião, abuso de espaço público (as ondas de rádio e TV são públicas) para a propagação incontestada no mesmo espaço de opiniões para lá de frágeis, carentes de fundamentos adequados (aqui a responsabilidade, em parte, é da Band, pois é ela quem gere de maneira tão desproporcional e tão despropositada sua grade)... Enfim, é duro ter que conviver com personagem tão pequeno tendo um espaço assim tão grande.

Mas imagino que a Band deva gostar, pois deve dar Ibope, e chamar patrocinadores, os quais pelo jeito curtem sua vinculação ao ódio, à ignorância e à mediocridade.

O bloguista que está sendo processado é Celso Lungaretti, e a postagem que incomodou o Casoy está aqui. Nela, Lungaretti nos conta um pouco da biografia do triste personagem merecedor do esquecimento, e nos fala da milionária repercussão, no YouTube, do video onde Casoy ofende garis. Um vídeo já foi visto quase 1,5 milhão de vezes (veja acima), outro, com o mesmo conteúdo, quase 700 mil vezes.

É claro que nenhuma entidade que representa jornalões e TVs do Brasil vai sair em defesa de Lungaretti, ou dizer que o processo movido pelo Casoy é uma vergonha, até porque tais entidades estão se lixando para a liberdade de opinião propriamente dita. E também é claro que ninguém em sã consciência espera tal coisa. Eis porque se propõe a denúncia do caso a órgãos internacionais. É por aí.

A notícia veio do Biscoito fino.

2010-08-20

Menos imposto é mais dinheiro no bolso?

Vi na propaganda eleitoral que tem um candidato ludibriando as pessoas com a falácia do imposto menor como causa de maior dinheiro no bolso.

Vamos ver, digamos que agora os impostos pagos por S sejam x, e seu "dinheiro no bolso", isto é seu ganho médio, seja y, dando uma renda de y menos x, y-x. O que acontece se zeramos os impostos, dando x=0?

A proposta do candidato em questão sugere que, em tal caso, sobra mais dinheiro no bolso de S. Mas isso é falso, pois é preciso considerar outros fatores.

Fundamentalmente, é preciso considerar que se os impostos forem sempre zero, não há Estado. Logo, não há leis, nem polícia. Logo, qualquer um que seja mais forte do que tu, ou grupo mais forte do que o teu, pegará para si o que é teu. E isso não será ilegal, pois não haverá nenhuma lei em vigência. Será a lei do mais forte. E muitíssimo provavelmente você será, mais cedo ou mais tarde, o mais fraco que será roubado, e ficará sem nada no bolso.

Assim, se os impostos x=0, a grana no teu bolso será um valor z1 menor do que o teu atual y.

Moral da história, até aqui: para ter alguma grana no bolso, você precisa pagar algum imposto. Vale a pena ver o que o Nagel diz sobre isso.

Agora, mudando de assunto um pouco: alguém pode vir a ter mais grana no bolso pagando a mesma quantidade de impostos que paga agora, ou mesmo mais impostos?

A resposta é sim. Isso é fácil de se ver. Digamos que você tenha y no bolso, e o governo aplica seu imposto x, junto com o imposto dos outros, em programas que alavancam a economia pelo empoderamento econômico dos mais pobres, como o bolsa família. Nesse caso, se você for um comerciante de bens comprados pelos mais pobres, você provavelmente venderá mais, e terá uma renda z2 maior do que seu y inicial, isto é z2>y.

A moral da história é simples: o que importa, para ter mais grana no bolso, não é se há imposto ou não, mas sim o que se faz com os impostos. Se o que se faz é dar alguma renda para os mais pobres com o imposto, você terá mais grana no bolso por causa dos impostos que paga.

Além disso, se menos impostos derem mais desigualdade, e mais exclusão, é mais provável que você fique com menos dinheiro no bolso por gastar em alarmes, grades, seguros, muros e remédios para stress. E em tal situação você sofrerá stress, caso menos impostos queiram dizer menos polícia e menos judiciário, o que dá em impunidade, isto é em mais assaltantes livres, ou seja em menos grana nos bolsos dos assaltados.

Enfim, use sua cabeça, já que o tal candidato não usa a dele. Escolha candidatos que aplicam bem os impostos, isto é empoderem economicamente os mais pobres, pois isso provavelmente te deixará com mais dinheiro no bolso, pelo mero fato do aquecimento da economia.

2010-08-18

Memórias traumáticas das universidades durante o governo FHC

A professora Cynthia Semiramis fez o importante trabalho de resgatar suas memórias do traumático período do PSDB no governo federal, no qual tudo, incluindo as universidades, era um caos. Reproduzo gordos trechos abaixo.

Fui aluno da UFRGS durante o governo FH, e posso dizer que a situação era a mesma. As instalações eram precárias, imundas e perigosas. Os professores se aposentavam em massa, e não eram repostos de maneira adequada. Aliás, os comentários à postagem original da Cynthia deixam claro que o quadro era generalizado.

*
Lembranças: vida universitária no governo FHC
por Cynthia Semíramis
Outro dia me vi contando para colegas de faculdade bem mais jovens como era a educação universitária no governo Fernando Henrique Cardoso e porque eu tenho tanto desgosto por essa época. Achei que seria interessante deixar o registro no blog também, para refrescar as lembranças e lutarmos para que algo assim não volte a acontecer.
Passei a década de 1990 praticamente inteira dentro da UFMG. Primeiro na Escola de Música, cursando formação musical enquanto fazia o segundo grau. Fiz um intervalo de um ano, em 1996 (aqui já era governo FHC), estudando pro vestibular. Depois, cursei a faculdade de Direito. A formatura seria em dezembro de 2001, mas foi em fevereiro de 2002 por causa da greve de servidores.
Lembro-me da aposentadoria em massa dos professores da Escola de Música, pois estavam sendo implantadas novas regras para trabalho e previdência que seriam ruins para os docentes. Mais tarde, vi o impacto dessas aposentadorias na Faculdade de Direito: as vagas deixadas em aberto pelas aposentadorias foi preenchida em sua maioria por concursos de professores temporários (os famosos professores substitutos).
Alunos de pós-graduação ou bacharéis em Direito sem pós-graduação (não havia cursos de especialização, havia pouquíssimas vagas de mestrado e doutorado na UFMG, e o mestrado da PUC-MG só foi implantado em 1997) eram contratados como professores substitutos, recebendo um salário de R$300,00 (baixo, mesmo para a época) para ministrar aulas. Como professores temporários ficavam somente em sala de aula, não desenvolviam pesquisa. As poucas vagas abertas para professores efetivos exigiam dedicação exclusiva, com salários baixíssimos e sem recursos de nenhum tipo para desenvolver pesquisa.
Alunos de graduação que quisessem seguir carreira acadêmica tinham de se dispor a fazer pesquisa e monitoria de forma voluntária, pois as raríssimas bolsas não eram suficientes para todos os candidatos aprovados. A ausência de bolsas afastou alunos que queriam fazer pesquisa, mas que não tinham família para bancar seus estudos: ou trabalhavam (e aí eram recusados na monitoria/pesquisa voluntária, pois muitos orientadores exigiam dedicação em tempo integral), ou se sujeitavam a pesquisar sem bolsa e aguardar pacientemente na fila até obtê-la.
Os prédios onde estudávamos eram ruins, pois não havia um mínimo de preocupação com planejamento ou manutenção. Os elevadores nunca funcionaram a contento, e sempre alguém ficava preso neles. A faculdade de Direito conseguiu fazer algumas reformas em meados da década de 90, alterando um dos prédios (o menos velho) para receber todos os alunos de graduação, e ampliando a biblioteca (que funcionava num porão e passou a ter um prédio acima do porão, com mais mesas para estudo, novas instalações elétricas e até elevador). Porém, o problema da manutenção era sério: quando um professor e meus colegas ficaram presos no elevador da biblioteca e foi necessário destruir sua porta para que eles saíssem, mais de seis meses se passaram até consertarem o elevador e reorganizarem a biblioteca.
[...]
Não tenho saudade das dificuldades dessa época, e ainda não entendo como um presidente que era professor universitário conseguiu destruir a universidade desse jeito.
Estando hoje novamente na UFMG, vejo o quanto algumas coisas mudaram (mais verbas pra pesquisa, bolsas de monitoria, novos livros – inclusive estrangeiros – na biblioteca). Tem muita coisa que pode ser melhorada (como a manutenção dos prédios e elevadores), mas não tem nem comparação com o pesadelo que foi estudar durante o período Fernando Henrique Cardoso. Às vezes é necessário ver ou viver situações bastante ruins para dar valor quando elas melhoram…

2010-08-16

Afeganistão, antes do imperialismo dos EUA


David Coimbra, cronista de Zero Hora, leu uma reportagem na revista Time, a qual defende a continuidade da invasão estadunidense aos EUA, pois isso seria um meio de defender as afegãs dos abusos dos talibãs. Partindo dessa leitura, ele disse: "Viva o imperialismo". Foi uma das coisas mais crueis que li nos últimos dias.

Deixando de lado se tal intervenção em país alheio é um meio para tal fim, e também se é o melhor meio, ou o único, o fato é que o cronista concluiu, dessa leitura, que o imperialismo é uma boa coisa. Esta conclusão é grotesca, quase cômica, se não fosse de mau gosto. E é de mau gosto, pois é de mau gosto sugerir que o imperialismo salva as afegãs, sendo que o imperialismo as escravizou e as mutilou.

Vamos aos fatos: a barbárie contra as mulheres afegãs é fruto do imperialismo, como sabe qualquer um que não é ingênuo ou safado ante o que dizem as Vejas e porcarias similares da vida.

Caso você ainda não saiba disso, leia o ótimo livrinho 11 de setembro, do professor Noam Chomsky. Ele explica, claramente, que hoje o Afeganistão é um lugar de barbárie contra as mulheres e contra as luzes em geral por causa dos EUA, visto que os EUA treinaram a milícia talibã. Hoje o talibã oprime duramente as mulheres, mas antes da intervenção dos EUA elas tinham uma vida bem mais livre, e também ocidentalizada.

Quer saber como era a vida das mulheres afegãs antes dos EUA treinarem os talibãs? Olhe a foto acima. Nesta foto, mulheres estão de saia, com pernas e rostos de fora, em uma bela loja de discos de Cabul, olhando LPs ocidentalizados de rock'n'roll e gêneros similares. Isto era o que havia no Afeganistão antes do imperialismo dos EUA entrarem em cena.

Olhe as outras fotos de como viviam as mulheres afegãs antes dos EUA terem treinado os fanáticos do talibã. Veja que todas elas estão com os narizes nos lugares, como podemos ver pelos seus rostos descobertos.

Olhe, nas fotos, as mulheres afegãs andando de saias curtas e justas pela rua, antes dos EUA treinarem a milícia talibã.

Olhe que, antes dos EUA treinarem os talibãs, as mulheres afegãs estudavam, pesquisavam e trabalhavam, junto com os homens.

Depois de olhar tudo isso, você seria cruel a ponto de dizer "Viva o imperialismo", como fez David Coimbra?

Eu acho que não. Afinal de contas, com tais informações, você certamente lamentaria que os EUA, em sua sanha imperialista, tenham destruído o antigo e livre modo de vida das mulheres afegãs, ao dar poder aos fanáticos religiosos do talibã.

Você lamentaria, como eu, o fato das afegãs de hoje não poderem circular com as roupas de sua escolha em lojinhas de CDs, por causa do imperialismo estadunidense. Sabendo de tudo isso, você nunca diria "Viva o imperialismo".

Cabe ao sr. David Coimbra se informar, e pedir desculpas às mulheres, e também aos leitores.

Disclaimer

Nota bem que eu publico aqui opiniões de diversas pessoas, o que não quer dizer que eu concorde com tudo. A responsabilidade pelo que reproduzo aqui é dos autores citados. Essa responsabilidade se estende aos autores dos comentários feitos às postagens deste blog.