2010-07-23

Trabalho, tranquilidade e prosperidade: meus motivos para votar em Dilma

Lembro que, no lúgubre final da era FHC, um amigo do meu pai que até semanas antes tinha carro e empresa, com empregados, apareceu com uma motinho Biz com um enorme baú improvisado. Ele havia vendido o carro para pagar dívidas, fechado a empresa, despedido os empregados, e se virava trabalhando como motoboy com uma Biz, o que é absolutamente precário.

A situação dele não era pior do que a situação de vários outros empresários que fecharam as portas dos seus negócios, colocando no olho da rua brasileiros que dependem de empregos para ter comida e dignidade. Ontem mesmo meu amigo Fabian estava lembrando de um cara que tinha uma academia no centro de Porto Alegre, a fechou, e acabou se virando como porteiro.

Hoje a situação é totalmente diferente. Estamos no último semestre da era Lula e a oferta de emprego é abundante, por causa de políticas competentes, as quais incluem reduções de impostos localizadas, e também a reativação de estaleiros para a produção de navios e plataformas petrolíferas.

Hoje, não importa onde você more, você vai ver pessoas ricas e pobres adquirindo ou melhorando casas, e adquirindo mais e melhores itens de conforto e saúde. Isso era totalmente diferente na era FH, quando não podíamos comprar nada, e vivíamos com medo da degradação da situação.

A situação atual é fruto, em larga medida, do trabalho da ministra Dilma Rousseff. Ela e Guido Mantega são grandes responsáveis pelo sucesso do governo Lula. No governo Lula, Dilma mostrou a capacidade de conduzir o Brasil para o futuro certo, aquele no qual os brasileiros prosperam e realizam seus sonhos, sem serem impedidos por políticas que põem em risco seus empregos e suas conquistas pessoais.

Levando isso em conta, isto é, vendo quem realmente fez e pode fazer algo importante pelos brasileiros, os quais só querem trabalhar e prosperar em paz, voto em Dilma. Ela é a melhor opção para o Brasil, nos próximos quatro anos. Espero que você vote nela também. Caso você seja mais um que quer trabalhar e prosperar em paz, isso será bom para seus próprios interesses, e também para os interesses dos outros brasileiros.

2010-07-20

Raciocine com Sérgio Guerra

Ora, ora, o senador Sérgio Guerra, presidente do PSDB, acaba de nos ensinar a fazer raciocínios da forma:
  • «A disse o que a gente sabe: B fez x, e C é ligado a B. É um sócio incômodo que C tem.»
É um belo exercício de lógica -- apesar desse ser um argumento logicamente suspeito, pois "ser ligado" e "ser sócio" são coisas diferentes -- apresentar instâncias dessa forma de raciocínio nas quais B é "FHC", C é "José Serra", e x é um desastre qualquer dos anos FHC:
  • «A disse o que a gente sabe: FHC fez o Brasil ficar sem energia elétrica, e José Serra é ligado a FHC. É um sócio incômodo que José Serra tem.»
  • «A disse o que a gente sabe: FHC fez a farra do Proer, e José Serra é ligado a FHC. É um sócio incômodo que José Serra tem.»
  • «A disse o que a gente sabe: FHC fez o desemprego chegar a níveis alarmantes, e José Serra é ligado a FHC. É um sócio incômodo que José Serra tem.»
  • «A disse o que a gente sabe: FHC fez o salário mínimo ser uma merreca, e José Serra é ligado a FHC. É um sócio incômodo que José Serra tem.»
Você pode continuar este exercício até cansar, pois material não falta. Para fazer isso, veja estes 45 escândalos que marcaram o governo FHC.

Também é um bom exercício usar "o PSDB" como valor de B:
  • «A disse o que a gente sabe: o PSDB fez parte do escândalo bilionário do Banestado, e José Serra é ligado ao PSDB. É um sócio incômodo que José Serra tem.»
  • «A disse o que a gente sabe: o PSDB fez obras que caem e matam em São Paulo, como o metrô e o viaduto, e José Serra é ligado ao PSDB. É um sócio incômodo que José Serra tem.»
Veja mais sobre isso lá no Tijolaco.com, pois o mérito desse pequeno exercício de lógica é todo do Brizola Neto, o principal bloguista das eleições de 2010, como bem notou o Idelber Avelar em uma buzzada.

2010-07-08

A ciência brasileira, daqui a quinze anos

Como será a pesquisa acadêmica brasileira em 2025?

A revista científica Nature, uma das mais importantes do mundo, deposita grandes esperanças na pesquisa brasileira, por causa das seguintes evidências sólidas:
  • O governo Lula, elogiado pela revista, aprovou medidas que garantem o financiamento da pesquisa depois de primeiro de janeiro de 2011, data na qual sai do Planalto. A próxima década da ciência brasileira está com melhores horizontes.
  • Novos centros de excelência estão sendo criados.
  • Há a proposta de incentivar o financiamento da pesquisa brasileira por empresas multinacionais.
  • O investimento no Ministério da Ciência e Tecnologia duplicou no governo Lula.
  • Os resultados brasileiros são surpreendentes se comparados aos dos outros países da América Latina, mas também se comparados aos dos outros BRICs, Rússia, Índia e China. Em 2008 o Brasil era responsável por 43% das publicações científicas da América Latina, em 2008 por 55%. E o Brasil investe muito mais em cada pesquisador do que os outros membros do grupo dos BRICs.
  • Com tudo isso, a previsão para a ciência brasileira publicada pela revista, e não contestada, é de crescimento orgânico nos próximos anos.
Essa é a visão da Nature, a qual não foi adequadamente repercutida no Brasil. Uma visão contrária, do professor Marcelo Hermes, da UnB, está ganhando mais espaço. Ele acha que o Brasil não será capaz de fazer pesquisa de ponta, daqui a quinze anos, "porque toda a geração [atual] se aposentou e os atuais não foram formados adequadamente".

Temos, então, duas visões sobre o futuro da pesquisa brasileira. Uma, da Nature, deposita fortes esperanças, e o faz baseada em bases sólidas. Outra, do professor Hermes, é pessimista, e se apoia na afirmação vaga de que os futuros doutores serão piores do que ele e os outros doutores da sua geração.

Eu prefiro acreditar na Nature, e não só porque sou um desses novos doutores. O faço porque prefiro formar uma opinião a partir de bases sólidas do que a partir de uma vaga generalização. Se queremos supor, de maneira sóbria, como será a pesquisa brasileira no futuro próximo, precisamos nos apoiar em bases sólidas, como os dados sobre o aumento de publicações, e a proliferação de centros de excelência. Se há boas bases para prever que os cientistas brasileiros do futuro próximo publicarão mais, como imaginar que o Brasil não será capaz de fazer pesquisa de ponta daqui a quinze anos?

A única maneira de imaginar isso é imaginar que só a geração atual publica, sendo a próxima geração incapaz disso. Mas essa é uma generalização sem bases sólidas.

Uma das evidências apresentadas pelo professor Hermes seria o fato -- a ser checado -- de que praticamente não há reprovação na pós-graduação. Mas isso, ainda que verdadeiro, não seria conclusivo, pois a não reprovação poderia ser indício, justamente, de que o trabalho está ok.

No entanto, ainda que aceitássemos que qualquer instituição que não reprova é por si só ruim, o que precisa ser visto de perto, é de se notar duas coisas. Primeiro, que as seleções para programas de pós-graduação são difíceis, rigorosas e concorridas. Assim, é explicável que haja pouca reprovação, pois quem entra é capaz. Segundo, nem todos os selecionados chegam à etapa final, da defesa da tese, não chegando nunca à etapa que, para o professor Hermes, é a de aprovação por assim dizer automática. Mas seria de se perguntar ao professor Hermes porque esses que ficam pelo caminho não submetem à banca uma receita de bolo em forma de tese, já que tudo é sempre aprovado, segundo ele. Eu diria que eles não fazem isso porque há cuidados e controles rigorosos quanto ao que é uma boa tese. Mas, é claro, essa é apenas a opinião do "doutor Mobral" que vos escreve.

Disclaimer

Nota bem que eu publico aqui opiniões de diversas pessoas, o que não quer dizer que eu concorde com tudo. A responsabilidade pelo que reproduzo aqui é dos autores citados. Essa responsabilidade se estende aos autores dos comentários feitos às postagens deste blog.