2010-02-26

O desemprego diminiu a expectativa de vida

Trecho:
A large and long-standing body of research shows that physical health tends to deteriorate during unemployment, most likely through a combination of fewer financial resources and a higher stress level. The most-recent research suggests that poor health is prevalent among the young, and endures for a lifetime. Till Von Wachter, an economist at Columbia University, and Daniel Sullivan, of the Federal Reserve Bank of Chicago, recently looked at the mortality rates of men who had lost their jobs in Pennsylvania in the 1970s and ’80s. They found that particularly among men in their 40s or 50s, mortality rates rose markedly soon after a layoff. But regardless of age, all men were left with an elevated risk of dying in each year following their episode of unemployment, for the rest of their lives. And so, the younger the worker, the more pronounced the effect on his lifespan: the lives of workers who had lost their job at 30, Von Wachter and Sullivan found, were shorter than those who had lost their job at 50 or 55—and more than a year and a half shorter than those who’d never lost their job at all.

O apequenamento do RS, por Marcelo Soares

Pesquei vários trechos de uma postagem fundamental do Marcelo Soares, no seu blog, no site da MTV. O assunto é o sucesso do RS no quesito mediocridade:
Ontem, soube de uma notícia triste: fechou a sala de cinema Norberto Lubisco, que ficava na Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre. A sala foi fechada pela secretária de Cultura, Mônica Leal. Pelo que entendi ao ler o blog da secretária, o fechamento da sala foi assinado depois que ela voltou de uma cavalgada gaudéria. Diz muito a respeito do que se passa no chamado Estado Mais Culto do Brasil.

Nunca fui um grande frequentador de cinema, mas foi lá que vi alguns dos melhores filmes a que assisti.

Todo janeiro, nos anos 90, a sala reprisava a Trilogia das Cores, do Krzystof Kieslowsky - permitindo que eu pudesse suspirar pela força da fragilidade da Juliette Binoche no azul e pela sensualidade felina da Julie Delpy no branco. [...]

Quando estava começando a namorar minha mulher, há quase oito anos, foi lá que assistimos "As Invasões Bárbaras", além de vários filmes do Fellini - incluindo "Roma" e "A Estrada". Minha mulher, editora do CENA e colaboradora da revista Movie, considera que toda sua formação cinematográfica passou por lá. Não é pouca coisa. [...]

A Cláudia Laitano acha que Porto Alegre está se apequenando. Ela vai direto na jugular do problema:

"Podemos colocar a culpa na Sedac, no fato de a secretária Monica Leal não ter intimidade com a Cultura ou na constatação óbvia de que o atual governo do Estado não considera a área cultural um assunto realmente relevante, mas é preciso levar em conta que boa parte da culpa desse marasmo é de todos nós que vamos ao cinema e frequentamos (ou gostaríamos de frequentar) centros culturais. Minha sensação é de que Porto Alegre está 'se apequenando', se conformando com o marasmo da cena cultural como um todo, com poucos cinemas com programação fora do mainstream, com poucos centros culturais atuantes, com pouca ou nenhuma política cultural pública. A cidade está encolhendo, e nós com ela. E a área cultural é o melhor indicador desse fenômeno."

Eu cheguei à mesma conclusão, também - e já faz dez anos. Meu sogro chegou à mesma conclusão também, depois de conhecer a oferta de programação cinematográfica de São Paulo e de ver que, por mais obscuro que seja o filme, sempre tem gente assistindo. E não é um ou dois.

O processo de apequenamento de Porto Alegre vem ocorrendo há anos, e é surpreendente que os remanescentes precisem do baque do fechamento da sala Norberto Lubisco para constatar isso. [...]

O problema fundamental é econômico - [...] as oportunidades estão em fazer concurso público. O pessoal que gosta do desafio de criar e empreender, como bem lembrou o Alexandre de Santi no primeiro comentário aí embaixo, acaba desistindo de dar murro em ponta de faca e vai embora. E é esse pessoal que movimenta bons cinemas, boas livrarias, boas bancas.

Enquanto a realidade não dá um tapa na cara deles, os gaúchos costumam se contentar com o velho discurso triunfalista: somos o Estado mais culto do Brasil, sirvam nossas façanhas de modelo a toda Terra etc. [...]

"Gaúcho" é a palavra mais comum nos títulos dos jornais locais, e vira festa quando se trata de desastres que repercutem mundialmente. Quando houve o terremoto do Haiti, eu apostei que a manchete da Zero Hora seria "Gaúchos morrem em terremoto no Haiti". Errei: não era a manchete, mas uma chamada na primeira página. No discurso superlativo padrão, o RS é o estado mais culto, mais politizado, mais educado, centro do universo, medida de todas as coisas.

Mas como é que um Estado que se considera o mais culto do Brasil tem a imprensa que tem, que não é conhecida exatamente pelo jornalismo crítico? Um grande amigo meu, correspondente da Folha de S.Paulo em Porto Alegre, rolava de rir durante o longo escândalo da Yeda Crusius. A coisa mais fácil que havia era dar notícias exclusivas, porque os jornais locais - onde ainda tenho grandes amigos, diga-se - faziam questão de se abster de serem os primeiros a dar. Depois que ele publicava, todo mundo (que certamente já tinha junto com ele as informações) publicava atribuindo a revelação à Folha de S.Paulo.

Mas como é que um Estado que se considera o mais culto do Brasil celebra todo ano a pujança de uma feira do livro onde os mais vendidos são indefectivelmente livros de culinária, pílulas pra sei lá o quê, agenda bruxa pascoalina e lançamentos das celebridades nativas?

Mas como é que um Estado que se considera o mais culto do Brasil consagra a autoridade moral de um tal Movimento Tradicionalista Gaúcho, que se arroga o privilégio de deitar regras sobre o que pode e o que não pode pra música ser regional? Outro dia, em pleno século 21, eles baniram a guitarra elétrica, como aquela passeata pré-tropicalista da qual os tropicalistas participaram. A música regional gaúcha, desse jeito, nunca vai gerar um Piazzolla, como a música regional argentina gerou.

Eu poderia continuar por horas e horas, e inclusive falar da disneylândia de bombachas do parque Harmonia, o grande evento cultural da cidade em setembro. Eu sei que meter a mão nesse vespeiro é pedir pra tomar pedra. Porque os gaúchos (eu prefiro me considerar ex-gaúcho) defendem com unhas e dentes a mediocridade que com denodo foram cultivando ao longo das décadas. Livres do peso dos substantivos, contentam-se com os adjetivos: o estado mais culto, o estado mais educado, o estado mais politizado etc etc etc. [...]

[...] vocês colhem o que plantaram. Não menos. Foi uma mediocridade arduamente conquistada com muito esforço da parte de cidadãos, governos, empresas e imprensa. Mérito é mérito. Sirvam suas façanhas de modelo a toda a Terra.

2010-02-25

Negócios de brasileiros em Cuba

The state-controlled Brazilian oil giant Petrobras is studying whether to drill for oil off Cuban shores, while the Odebrecht construction firm is heading a huge revamp of the port of Mariel, west of Havana, into the island's main commercial port.

Brazil's state-run National Development Bank has given $300m (£196m) to Odebrecht to build new roads, rail lines, wharves and warehouses at Mariel, best known as the site of a 1980 exodus in which thousands of Cubans fled to the US in boats.

Uma carta de Descartes roubada no século 19 foi recuperada

Uma carta do filósofo René Descartes que havia sido roubada nos anos 1840s pelo matemático italiano Guglielmo Libri foi recuperada, e devolvida à França. A carta, datada de 27 de maio de 1641, dá indicações para que alguns textos não sejam incluídos na edição final das Meditações de filosofia primeira. A motivação para a publicação dos mesmos era responder a um suposto crítico, Pierre Petit. Mas, quando Descartes descobre que Petit fez as críticas de boa-fé, decide retirar a parafernália em resposta às suas supostas críticas da versão final das Meditações.

O conteúdo da carta, o qual era desconhecido até o momento, é importante por nos dar detalhes sobre a publicação de uma das maiores obras de filosofia de todos os tempos. E também por confirmar a teoria que o texto das Meditações está todo voltado ao diálogo com os filósofos da época, buscando responder às suas críticas, e fazê-los mudar de ideia. Esse tipo de leitura "externa" das Meditações tem sido defendido pelo comentador John Carriero. A carta confirma sua hipótese de leitura, a qual já contava com outras bases de sustentação bem sólidas.

A notícia me emocionou. Meu mestrado foi sobre Descartes, autor pelo qual tenho muito carinho e respeito, embora eu não concorde com quase nada do que ele pensa. A notícia também me trouxe satisfação, pois eu sempre defendi a ideia básica de John Carriero.


PS - Esta carta dá uma boa camiseta!

Liberdade (Madrugada do Cão)

xkcd

2010-02-24

Google versus Bing

O povo do Bing se diz melhor do que o Google em alguns nichos. O Google responde:
Google’s response can be summed up in four words: mike siwek lawyer mi.

Amit Singhal types that koan into his company’s search box. Singhal, a gentle man in his forties, is a Google Fellow, an honorific bestowed upon him four years ago to reward his rewrite of the search engine in 2001. He jabs the Enter key. In a time span best measured in a hummingbird’s wing-flaps, a page of links appears. The top result connects to a listing for an attorney named Michael Siwek in Grand Rapids, Michigan. It’s a fairly innocuous search — the kind that Google’s servers handle billions of times a day — but it is deceptively complicated. Type those same words into Bing, for instance, and the first result is a page about the NFL draft that includes safety Lawyer Milloy. Several pages into the results, there’s no direct referral to Siwek.

Perdoem o entusiasmo, mas o algoritmo do Google é um futuro Patrimônio Cultural da Humanidade se desdobrando agora mesmo. Nada mais, nada menos.

Blogueira prova plágio, editora pede retirada do blog do ar, "direito de esquecimento"

Imagina se todo o mundo que cometesse falcatrua fosse à justiça pedir "direito de esquecimento". Seria a bazófia das bazófias! Mas, leia a história:
numa ação movida pela editora landmark e pelo sr. fábio cyrino, estou sendo processada por pretensas calúnias contra os reclamantes, por ter publicado no nãogostodeplágio provas mostrando a prática de plágio nas traduções de persuasão, de jane austen, e o morro dos ventos uivantes, de emily brontë, ambas publicadas pela referida editora em 2007.

além de vultosa indenização por pretensos danos morais e materiais, os reclamantes solicitaram:
- "publicidade restrita", isto é, que o processo corresse em sigilo de justiça,
- a remoção do blog nãogostodeplágio da internet, invocando o "direito de esquecimento",
- "antecipação dos efeitos da tutela de mérito", isto é, que a justiça determinasse a remoção imediata do blog antes da avaliação do mérito da ação impetrada.

2010-02-23

Como o Google se torna semântico

Você quer encontrar fotos de cães na Internet. Daí você entra no Google, e digita "fotos de caes". Mas você não se satisfaz, e tenta "foto cao", "foto cachorro" e "foto canino".

Em cada caso, o Google dá certos resultados. No entanto, o Google está calibrado para considerar pesquisas consecutivas como dizendo respeito às mesmas coisas. Assim, o Google aprende que "de caes", "cao", "cachorro" e "canino" são sinônimos.

Eis como o Google se torna uma ferramenta semântica. Achei genial.

Berlusconi, multidões, e Photoshop


PhotoshopDisastersBuzz de Jônadas Techio

2010-02-22

Pensando em se tornar cliente da Apple?

[...] Apple controls everything you can do on their latest slate of devices—and we don't like it.

PS - há um bom comentário sobre a hipocrisia da Apple no Techcrunch. A Apple não vai tirar o aplicativo da Playboy do iPhone, nem o navegador Safari. O segundo, principalmente, é uma fonte por excelência de pornografia hardcore.

2010-02-18

Voz escura (Twitter)

Con voz oscura
la noche proclama
tu ausencia

Moralidade canina

Morality, as we define it in our book Wild Justice, is a suite of interrelated other-regarding behaviors that cultivate and regulate social interactions. These behaviors, including altruism, tolerance, forgiveness, reciprocity and fairness, are readily evident in the egalitarian way wolves and coyotes play with one another. Canids (animals in the dog family) follow a strict code of conduct when they play, which teaches pups the rules of social engagement that allow their societies to succeed. Play also builds trusting relationships among pack members, which enables divisions of labor, dominance hierarchies and cooperation in hunting, raising young, and defending food and territory. Because this social organization closely resembles that of early humans (as anthropologists and other experts believe it existed), studying canid play may offer a glimpse of the moral code that allowed our ancestral societies to grow and flourish.
Marc Bekoff e Jessica Pierce, autores do livro Wild Justice: The Moral Lives of Animals, na Scientific American

Contra a pena de morte para gays em Uganda

Assine a petição.

2010-02-16

Botul no Twitter

Au nom de tous les néo-kantiens de la pampa : Botul est mort, vive Botul !

Un jour, Chuck Norris et Botul ont fait une course de voitures. Chuck a perdu, il n'avait pas assez d'essence.

"La faim justifie les moyens" Botul

Botul s'est aussi intéressé à la maçonnerie. Il a écrit "Critique de la maison pure"

RT @apeignier main tendue à BHL, les Botuliens proposent sur France Inter que Jean-Baptiste Botul ait existé "un peu" :D #splatchlebhl
Tuitadas de @JbBotul

À guisa de explicação, tem isto.

2010-02-15

A Biblioteca Britânica disponibilizará de graça 65 mil livros eletrônicos

http://www.bl.uk/
A Biblioteca britânica anunciou que disponibilizará cerca de 65 mil livros para download gratuito na web. [...]

As obras estão sendo digitalizadas desde 2005 pela Microsoft, e os internautas poderão baixar os livros ainda no primeiro semestre deste ano.
G1, 9/2/10

O sonho de Paulo Sant'Ana (RS)

Se eu fosse um editor de um jornal sério, eu colocaria no olho da rua um articulista que escrevesse:
Devemos votar não para incrivelmente manter o direito que temos de um dia, quem sabe, é um sonho, podermos ter uma arma ou um carro estrangeiro em casa.
Isso foi escrito em 2005 pelo Paulo Sant'Ana. Até hoje tem uma coluna da altura da página no jornal Zero Hora. Imagino que ele seja bem remunerado, de modo que já tenha adquirido sua BMW ou sua 9mm.

O relógio na lata (Fotossaudação)

2010-02-14

Cartão SD funciona após um ano no fundo do oceano

Photos captured by a digital camera thought to have spent over a year in the Atlantic ocean have been discovered. According to the BBC, trawlerman Benito Estevez fished the camera out with five holiday pictures intact on its SD card, off the west coast of Europe. One picture includes the cruiseliner QE2, that made its last voyage in 2008, helping date the images. Although no details of the camera model is available, it reflects well on the resilience of solid-state memory.

Comentário: não tente fazer isso com seus disquetes.

O conetivo lógico tonk (Domingo cabeça)

Regra de introdução como a do conetivo OU:
p
_____
p tonk q

q
_____
p tonk q
Regra de eliminação como a do conetivo E:
p tonk q
_____
p

p tonk q
_____
q
Pronto, agora você já pode chamar seus amigos, e impressioná-los deduzindo o que quiser de qualquer ponto de partida!

http://en.wikipedia.org/wiki/Logical_harmony

Google: a empresa, o serviço e os dados privados

Just because you haven’t given Google any personal info, Google might buy a company you have disclosed personal information to and then assimilate it into their growing total information awareness…

Macartismo em Israel

Em Israel,
To disagree with the state is to 'delegitimise' the state: that is the increasingly strident response of the country's political and military establishment to those who dare to criticise its conduct.
Donald Macintyre, de Jerusalem, no Independent

O jornalista informa que israelenses que denunciam as violações de direitos humanos contra palestinos são publicamente perseguidos, acusados de seguir a agenda do Irã, e perdem seus empregos. Como aconteceu com a senhora Naomi Chazan, ex-parlamentar que perdeu seu emprego em um um jornal de Israel por se preocupar com questões humanitárias.

A histeria de direita israelense está mudando o significado do termo "antissemita":
In recent years, right-wing Israeli political leaders and their supporters have warned of the rise of a “new anti-Semitism”, rife across Europe and in left-wing political circles. The new anti-Semites are critics of Israel. They don’t target Jews; they target the Jewish state. (I say “they” but of course I should say “we” because I too would surely be branded as being among the ranks of this hateful group.)

Still, this term “new anti-Semitism” hasn’t really caught on. Instead, something much more significant has happened: the term “anti-Semitic” has taken on new meaning not because it actually has a new meaning but because what it signals has become more important than what it targets.

Glenn Greenwald warns that those who so freely scream “anti-Semite” are “cheapening and trivializing ‘anti-semitism’ to the point of irrelevance.”

Joe Klein has called on his friend Leon Wieseltier to apologize to Andrew Sullivan for suggesting that the latter had shown “venomous hostility toward Israel and Jews.” Wieseltier didn’t use the word anti-Semite, but the insinuation was transparent.

A shift has indeed taken place and it is not merely that the charge of anti-Semitism has become so overused that it is losing its meaning, it is this:

The new anti-Semitism does not identify expanding ranks of Jew-haters; it signals a new class of hysterical and hateful Jews.

Anti-Semitism no longer points at its intended target; it points at itself.
Paul Woodward, no Mondoweiss

Glosa: a direita israelense tentou mudar o significado do termo "antissemitismo": antes era antissemita quem atacava os judeus, agora seria "antissemita" quem ataca o Estado de Israel. Mas a novidade não pegou, apesar de ter ocasionado uma mudança no significado do termo, visto que agora o uso do termo assinala um falante histérico, ao invés de significar alguma coisa. De modo que "antissemita" se tornou um termo autorreferencial.

Cloaca News é top no Twitter


Replicada em mais de 500 tuitadas, a postagem do Cloaca News sobre Boris Casoy na revista O Cruzeiro está nos altos da parada do Twitter, de acordo com o buscador Topsy.

Estacionamento (Fotossaudação)

Prece atendida (Madrugada do Cão)


Malvados. Clique na imagem para ampliá-la.

2010-02-13

O mito do homem-de-bem (Textos clássicos do aNImOt)

Há um novo mito na praça. Lenda urbana e rural(ista) das boas. Segundo a nova lenda, há no Brasil uma espécie de gente perseguida e acossada, o autoproclamado "homem-de-bem". Autoproclamada "vítima".

O tal homem-de-bem acha errado pagar impostos. Ele deixa isso bem claro no adesivo que cola na sua enorme picape Cherokee.

Ele acha errado, também, ser multado por embriaguês no trânsito, ou por excesso de velocidade. Para ele isso é sanha arrecadatória do maldoso Estado.

Ele se sente ameaçado quando está sem arma, pois se vê como uma ilha do bem no meio de um oceano de mal. Conta apenas consigo mesmo, pois todos os outros são inimigos. Espera que as leis promulguem como estado de direito essa visão estarrecedora de um estado de natureza.

Trata-se de um mito. O tal "homem-de-bem" não é vítima. O tal "homem-de-bem" é apenas um sujeito que acha bom que haja limites para os outros, mas não para si mesmo. Trata-se de alguém que se considera diferente, superior. O "homem-de-bem" deseja a prerrogativa de transgredir legalmente, para poder continuar se autoproclamando "homem-de-bem".
* * *

Este texto foi publicado originalmente em 2005. Na mesma época, Marco Weissheimer resenhou Paulo Santana, esse "homem de bem" por excelência.

O inventor do frisbee morreu

Walter Fredrick Morrison, l'homme auquel on attribue l'invention du Frisbee, est mort à l'âge de 90 ans.
Descanse em paz, ¡cabrón!

Mixer (Fotossaudação)

Caixão-parafuso (Madrugada do Cão)

Gizmodo Brasil

Estes caixões poderiam ser de plástico. O Carrefour poderia colocá-los à venda na seção daquelas caixas organizadoras.

Também poderia haver urnas-parafuso biodegradáveis.

2010-02-12

O blog do Kayser chegou a Moçambique


Esta charge do Kayser foi publicada no Diário de um Sociólogo, do moçambicano Carlos Serra, um dos grandes blogs da lusosfera.

Conheça seu computador com LookInMyPC (Geek)

LookInMyPC generates a complete report of what's going on in a computer—from hardware to software, and everything in between. After playing around with it, this writer wouldn't start troubleshooting a PC without it. I'm not kidding.

Outras vantagens do Google Buzz

Já falei da vantagem de agrupar cada conversa em um bloco. Há também a vantagem de reunir todas as conversas de uma pessoa em uma página só. Eis a minha.

Isso é útil para os outros descobrirem meus interesses, e para mim mesmo, pois estou usando o Google Buzz como ferramenta de pesquisa, junto com colegas.

Outra vantagem é que, se bem entendi, essa página de buzzeiro aparece de maneira diferente para diferentes pessoas. Quando eu a abro no navegador no qual estou conectado na minha conta do Google, aparecem minhas buzzadas públicas e privadas. Mas quando eu a abro em um navegador que uso para páginas tóxicas (o K-Meleon), o qual não está conectado a conta alguma, nem aceita cookies, só aparecem as buzzadas públicas.

Eu imagino que as buzzadas privadas só aparecem para aqueles que estão no grupo fechado, mas não sei. Por exemplo, essa buzzada é privada, pois a enviei só para alguns colegas da filosofia (por ser assunto técnico e supostamente chato para o público em geral), e eu imagino que só esses colegas conseguem ver essa página.

Senado enterra imposto que só atingiria ricos, PSDB comemora

Senado enterra imposto sobre grandes fortunas. Cheio de pompa, um senador do PSDB comentou:
[...] o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) se posicionou contra a criação do imposto por considerar a carga tributária brasileira já muito alta. “O PSDB é radicalmente contra o aumento de carga tributária, e a sociedade não tolera mais qualquer tipo de aumento de tributação”, afirmou o senador.
Comentário: É claro que a carga tributária é relativamente alta, nobre senador do PSDB. Mas ela é proporcionalmente mais alta para os pobres. O imposto que você rejeitou tornaria as coisas um pouquinho mais justas.

Ou seja, com esse imposto teríamos uma situação onde teríamos um número maior de impostos, mas os pobres pagando proporcionalmente menos impostos. Como o peso da carga tributária ficaria proporcionalmente mais leve nos ombros dos mais pobres, teríamos um ajustamento que se faz necessário há muito tempo.

É curioso ver o PSDB posando de partido antiimpostos, depois da impostofilia de FHC. Os caras devem sofrer de amnésia. Ou ao menos essa é a explicação mais simples, pois se apoia na ignorância, ao invés da má-fé.

Segundo minucioso estudo da Unafisco (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal) [...] FHC promoveu o desmonte da máquina fiscal; criou amarras burocráticas ao trabalho de fiscalização; concedeu anistias fiscais às empresas; congelou a tabela de desconto do IRPF e diminuiu as deduções permitidas; elevou a alíquota do IRPF dos assalariados; aumentou a Cofins em 50%; criou a CPMF, hoje com uma taxa de 0,38%. Em decorrência deste violento aperto, entre 1990/98, a carga global média de tributação sobre os rendimentos foi de 27,5%, bem superior à média de 24,8% nos anos 80.

O trabalhador foi duplamente penalizado: com o aumento do desconto na fonte (imposto direto) e com a ação regressiva dos tributos sobre o consumo (indiretos). De 1995 a 2001, a taxação na fonte cresceu, em termos reais, em 27%. Já a Cofins e a CPMF subiram 66% e 5.546%.
Através da lei 9.249, de dezembro de 1995, as empresas passaram a ter a possibilidade inédita de distribuir juros aos seus sócios ou acionistas, reduzindo sua carga tributária – uma aberração de FHC, que não existe em nenhum país do mundo. Com isso, reduziram seus lucros tributáveis através de uma despesa fictícia denominada de juros sobre capital próprio. Os sócios e os acionistas que recebem esse rendimento, geralmente de valores expressivos, pagam apenas 15% de IR. Os maiores beneficiários são as mega-corporações, já que a maioria das empresas está descapitalizada e não tem como se beneficiar deste incentivo. Essa renúncia fiscal é, hoje, superior a R$ 32 bilhões ao ano.
Ou seja, antes de completar um ano de governo, FH já estava promovendo mais injustiça, pois estava desonerando os mais avantajados.

Esses são apenas uns poucos exemplos. Há muito mais, seja em renúncias fiscais, seja em privilégios tributários aos mais ricos, fossem esses brasileiros ou estrangeiros.

Na verdade, isso tudo mostra que o nobre senador Flexa Ribeiro, do PSDB, não se expressou bem. Não é que o PSDB é radicalmente contra o aumento da carga tributária. O caso é, tristemente, que o PSDB é e foi desde o governo FHC radicalmente contra o aumento da carga tributária para os mais ricos. Faltou dizer isso, nobre senador.

O Haiti é credor

Our debt to Haiti stems from four main sources: slavery, the US occupation, dictatorship and climate change. These claims are not fantastical, nor are they merely rhetorical. They rest on multiple violations of legal norms and agreements.

Comentário: Klein acerta na mosca.

Quando se libertou da potência escravista, o Haiti tinha todo o direito de pedir reparação pelo passado escravista. Mas, ao invés disso, 20 anos após a independêcia a França pediu 10 vezes o PIB do Haiti em reparações, ameaçando o novo país com uma esquadra.

O Haiti também merece ter de volta o dinheiro roubado pelo cleptocrata Duvalier, depositado nos EUA e na Suiça.

O Haiti também é credor ambiental, pois pouco polui, mas muito sofre com a mudança do clima.

Lugar da TVE é no morro

Se a nova proprietária do antigo prédio, a TV Brasil, está propondo que a TVE permaneça no local, sem qualquer compromisso de integrar a rede da estatal federal, por que insistir na mudança? Não seria mais racional usar o dinheiro que será gasto nessa reforma e nessa mudança para sanar algumas deficiências graves de equipamentos e melhorar as condições da TVE? Tecnicamente também não seria mais conveniente? Ou o que se quer realmente é aumentar o controle sobre a única emissora não comercial do Estado , torná-la cada vez menos uma tevê pública e mais uma tevê do governo do Estado? Ao esvaziar o Conselho da Fundação Piratini, formado por representantes da sociedade, o governo já deu um passo nesse sentido.

A bocona da garrafa (Fotossaudação)

Os chatos (Madrugada do Cão)

Do Allan Sieber. Clique na imagem para ampliar.

2010-02-11

A interação entre elites, midia e público

Estou pensando em voz alta, ok?

Stephen Walt nos fez um resumo do livro War Stories: The Causes and Consequences of Public Views of War, de Matthew Baum e Tim Groeling, e eu lhes forneço a glosa da glosa. Para quem quiser, a Princeton University Press disponibiliza para download gratuito o capítulo 1. Trecho central do texto de Walt no seu blog na revista Foreign Policy:
[...] the interaction between elites, media, and public opinion is a three-way process in which each group’s behavior is essentially strategic. Politicians try to use media to advance their aims; the media picks stories in order to maximize audience (or in some cases, to advance an ideological agenda), and therefore tend to favor stories that are novel or surprising (like when a prominent senator criticizes a president from his own party). Similarly, the public does not just consume the news passively; readers and viewers use various cues to gauge the credibility of different sources.
Ou seja, separe três grupos: mídia, elites (políticos, confederações, ordens, ONGs, celebridades etc.) e opinião pública. Tome cada grupo como interagindo com o outro de maneira estratégica. As elites tentam usar a mídia para alcançar seus objetivos, a mídia seleciona material que maximiza a audiência e faz alcançar seus próprios objetivos, e o público usa várias pistas para avaliar a credibilidade da fonte de notícia.

Nada disso é novo, mas é bom ver que estudos empíricos colocam o público como um ator ativo e avaliador. Isso dá a nós da blogosfera um papel claro: fornecer ao público em geral dicas e pistas para a avaliação da mídia, pois o público fará isso de qualquer modo, visto que tem papel ativo no processo.

Mas, é claro, tudo isso é muito complicado. Outro trecho interessante da postagem de Walt diz respeito à voz das elites na mídia:
[...] coverage of conflicts and wars “tends to track elite rhetoric more closely in the relatively early stages of a conflict, while tracking reality more closely if a conflict persists," but "consumers become relatively less susceptible to the influence of elite rhetoric regarding a conflict ... as they gather more information ... [and] grow less responsive to new information, particularly when it conflicts with their prior beliefs.
Aqui temos três coisas relacionadas, mas distintas. Primeiro, o dado empírico que, nos estágios iniciais de um conflito, a mídia inicia a cobertura veiculando a retórica da elite, mas tende a veicular a realidade mais de perto, à medida que o conflito se estende. Segundo, novas informações tornam o público menos propenso a aceitar a retórica da elite. Terceiro, o público tende a ser indiferente a novas informações que se chocam com suas crenças prévias.

Juntas essas três coisas e mais o que foi dito acima nos dão um quadro bastante rico e articulado, pois dizem que a elite usa a mídia, mas a dinâmica da mídia ao longo de uma cobertura a afasta da retórica da mídia, sem no entanto separar a mídia da sua própria agenda, e com o público desequilibrado para o lado daquilo que já aceitava.

Só por dar esse quadro rico, a coisa toda já vale bastante para nós, pois as dicotomias que empobreciam o debate público gaúcho têm empobrecido o debate público nacional. Só pensar em um quadro sobre mídia e política com três elementos já é ganho. Mas também há o ganho de pensar com um quadro dinâmico. Nossas discussões costumam ser estáticas, imutáveis: meu lado é mocinho e é bonito, teu lado é bandido e é feio. No esquema acima, isso some da discussão.

Volto aos três pontos listados acima.

O primeiro ponto é simplesmente o dado empírico que a mídia parte de uma retórica que está vinculada a interesses muito claros, e busca fazer a opinião pública colaborar com os mesmos. É o famoso viés em favor de certos grupos privilegiados. Ok, isso não é novidade.

A cobertura de conflitos inicia da retórica da elite, mas tende a se aproximar da realidade, à medida que o conflito se estende. Esse é um dado empírico importante. O segundo ponto diz que essa dinâmica elite-mídia tem um reflexo na dinâmica mídia-público, pois o público tende a se afastar da retórica da elite, ao que parece por causa das novas informações. Ao que parece, isso quer dizer que é possível fazer o público abandonar a retórica da elite a partir de novas informações, e também que fornecer novas informações é uma maneira de conduzir o público a outro ponto de vista.

No entanto, o público não pode ser conduzido a qualquer lado a qualquer momento, pois seu modo ativo presente de aceitar novas informações está condicionado pelas opiniões que aceitou no passado. Esse é o terceiro ponto, e quer dizer que o público é ativo, mas conservador, no sentido de se prender mais ao que aceitava no passado do que ao que é novo, quando o novo entra em conflito com a crença passada. Isso quer dizer que um elemento fundamental para a formação de opinião pública é estar de acordo com as opiniões aceitas pela opinião pública, ou modificá-las lentamente.

Jerry Fodor se deu mal, tal como Bernard-Henri Lévy

As coisas não andam fáceis para os filósofos famosos.

Como vimos, no dia 9/2/10 o Times Online tirou o maior sarro de Bernard-Henri Lévy, pois este eminente filósofo francês simplesmente leu e citou um livro-tiração-de-sarro que poderia ter sido escrito pelo Monty Python como se fosse um livro sério sobre a vida sexual de Kant! Veja mais no Ionline, no Estadão, na Folha e no New Statesman.

Um dia antes, em 8/2/10, o blog Deep Thoughts and Silliness [Pensamentos Profundos e Tolice], escrito por Bob O'Hara e mantido pela conceituadíssima revista científica Nature, dizia que o filósofo estadunidense Jerry Fodor havia rodado na cadeira de Introdução à Evolução, de novo. Isso porque esse filósofo lançou um livro atacando a teoria da evolução a partir de péssimos argumentos, os quais revelam que Fodor simplesmente não faz a menor ideia do que está falando. E ele já tinha cometido esse erro básico antes.

O povo da Nature se esbalda de rir da tola teoria de Fodor sobre o motivo de não haver porcos com asas, a qual deve ser descendente da velha e igualmente tola prova a priori atribuída a Hegel da necessidade de haver sete e somente sete planetas no Sistema Solar.

Basicamente, o que O'Hara faz é mostrar que Fodor está por fora de leituras básicas sobre a evolução. Ele cita trechos de leituras obrigatórias para alunos iniciantes que respondem às "teorias" de Fodor.

Em resumo, essa foi uma péssima semana para os grandes filósofos. Mas a maré ruim já dura alguns meses, pois no final de 2009 foi a vez do até então grande Thomas Nagel dar vexame.

Vantagens do Google Buzz

O Google Buzz é uma ferramenta de pesquisa melhor do que o Twitter, pois permite postar para grupos privados (eu criei um grupo chamado 'Filô'), e mantém toda a conversa reunida em uma postagem só, o que é uma espécie de ata da reunião automática.

A poluição da guerra (Ecotecno)

Pois é o Pentágono o maior utilizador institucional de produtos de petróleo e energia. E, não obstante, tem isenção geral em todos os acordos climáticos internacionais.
Sara Flounders, na Carta Maior, nos informando que a poluição gerada pelo aparato de guerra dos EUA e da OTAN não entra no cálculo da emissão de dióxido de carbono

Legislação sobre bicicletas elétricas (Ecotecno)

Se a resolução 315 do Conselho Nacional do Trânsito (Contran), publicada em maio de 2009, fosse cumprida, as bicicletas elétricas teriam que ser licenciadas e só poderiam ser conduzidas por quem tem carteira de habilitação.
Marli Olmos e Daniela Fernandes, no Valor Econômico de 8/2/10

Dinossauros na UFRGS



De maneira super gentil, o pessoal do Departamento de Paleontologia e Estratigrafia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul permitiu que eu entrasse no laboratório e tirasse umas fotos. Valeu, povo! Desculpem se quebrei alguma coisa! :P

Os caras trabalham com os primeiros gaúchos, os dinossauros, e têm fósseis bacanas até nos corredores do Departamento. E o trabalho de pesquisa continua, mesmo às vésperas do Carnaval.

Voltarei lá em março, quando o Museu de Paleontologia Irajá Damiani Pinto estiver reaberto.

O Duas-Caras (Madrugada do Cão)

Do xkcd. Clique para ampliar.

2010-02-10

Cortinas (Quarta erótica)

Art or PornSensualitiesBeautysubSkinnyfap

Portal de mapas do Ipea

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) lançou o portal Mapas Ipea, que permite a visualização, no mapa brasileiro, de diversas informações sobre os municípios do país.

A ferramenta possibilita a consulta de grande número de dados, incluindo população, área, Produto Interno Bruto (PIB), rodovias, estatísticas de educação e quantidade de servidores públicos nos municípios.

O crescimento do Brasil, e o crescimento da China

O crescimento da renda per capita dos pobres de 2001 a 2008 foi de 72%.
Fazendo uma conta simples, dá quase 10% ao ano – semelhante aos índices chineses.
Com uma diferença. O (economista Carlos Geraldo) Langoni (diretor do Centro de Economia Mundial da FGV), que esteve na China recentemente, me disse que ela parece o Brasil dos anos 60: crescendo muito, mas com a desigualdade aumentando.
O crescimento geral da economia brasileira é menor em quantidade, mas melhor em qualidade, em relação à China.
Somos uma democracia – e vimos ao longo da década de 80 o quanto aprender a ser uma democracia gera custos econômicos -, nosso tratamento ambiental é melhor, ainda que com problemas, e o caráter desse crescimento é outro, distributivo.
Marcelo Néri, no NPTOEstadão

Bernard-Henri Lévy se deu mal

When France’s most dashing philosopher took aim at Immanuel Kant in his latest book, calling him “raving mad” and a “fake”, his observations were greeted with the usual adulation. To support his attack, Bernard-Henri Lévy — a showman-penseur known simply by his initials, BHL — cited the little-known 20th-century thinker Jean-Baptiste Botul.

There was one problem: Botul was invented by a journalist in 1999 as an elaborate joke, and BHL has become the laughing stock of the Left Bank.

There were clues. One supposed work by Botul — from which BHL quoted — was entitled The Sex Life of Immanuel Kant. The philosopher’s school is known as Botulism and subscribes to his theory of “La Metaphysique du Mou” — the Metaphysics of the Flabby. Botul even has a Wikipedia entry that explains that he is a “fictional French philosopher”.

But Mr Lévy, a leader among the nouveaux philosophes school of the 1970s, was unaware. In On War in Philosophy, he writes that Botul had proved once and for all “just after the Second World War, in his series of lectures to the neo-Kantians of Paraguay, that their hero was an abstract fake, a pure spirit of pure appearance”.

His credulity was spotted by Aude Lancelin, a journalist with the Le Nouvel Observateur, the left-leaning weekly that is de rigueur for the thinking classes. The Botul quotes were “a nuclear gaffe that raises questions on the Lévy method”, she wrote.

Mr Lévy admitted last night that he had been fooled by Botul, the creation of a literary journalist, Frédéric Pages, but he was not exactly contrite....

Ms Lancelin told The Times she was surprised that none of the journalists who had been giving Mr Lévy the celebrity treatment had noted that he spent two pages using a non-existent philosopher to prove his argument. “I came across the quotes from Botul and burst out laughing,” she said.

A qualidade dos noticiários do rádio e da TV

Viajando de carro se ouve mais rádio. Fora de casa, eu pelo menos, vejo mais televisão. Com dificuldades de acessar a web, buscam-se notícias nos meios mais diretos, os tradicionais. Por isso mesmo, posso dizer de boca cheia e o coração contrito: o nível está cada vez mais rasteiro.
Cristóvão Feil, no Diário Gauche

Isto me fez lembrar do espanto negativo da professora Christel Fricke com a ruindade da TV aberta brasileira. Ela comentou o assunto nas duas vezes que veio ao Brasil, em 1999 e em 2009. Isso que ela não entendia a língua!

PS - A Katarina Peixoto comentou por lá:
Muito complicado é luxo, mesmo. A coisa abunda na desinformação triunfante. Passeando com meu cachorro vi que a Capa da Revista Óia explica a chuva. Muito complicado.
Atualizado 12h24

Vanessa Zepeda, sindicalista assassinada em Honduras

Para los que conocimos a Vanessa y fuimos sus amigos, era una persona que creía en EN UN MUNDO MEJOR, en la Justicia y la igualdad para todos y todas.
Sindicato de Trabajadores del Instituto de Seguridad Social de Honduras ← aporrea.org ← @puebloalzao

2010-02-09

EUA lançam novo site sobre o clima

http://www.climate.gov/

Via The Washington Post (LibraryPress, acesso restrito).

Che (Cinema)

A Creative Universe

O trabalho no século 21

Malvados

Neve em Washington (Foto)

Foto de Katherine Frey para o Washington Post (LibraryPress, acesso restrito).

Gráfico com ícones bonitos, e desarmamento

A Folha de São Paulo (LibraryPress, acesso restrito) traz um gráfico bonitinho, com belos ícones, comparando poder de fogo do Irã e de Israel. Mas as informações são falhas.

Falta uma comparação direta entre número de aviões, por exemplo.

Além disso, o gráfico apenas indica que Israel talvez tenha 200 ogivas nucleares, sem dar isso como a manchete, pois isso sim é preocupante para qualquer nação vizinha. A matéria também não diz que a Agência Internacional de Energia Nuclear manifestou preocupação com o uso militar da energia nuclear por Israel, e pediu inspeções internacionais.

Faltou também comparar o número de submarinos com capacidade de disparar mísseis com ogivas nucleares. Israel tem três submarinos Dolphin com essa capacidade, e está para adquirir mais três.

Ah, e faltou dizer que os EUA estocam bombas em Israel, e Israel tem direito de usá-las em caso de "emergência". E a noção de "emergência" em jogo é bem frouxa. Tipo, ficar sem bombas após atirá-las em civis é uma "emergência".

Claro, a matéria fala em "sanções". Mas seria bacana dizer pro leitor que sanções acabam com a vida dos civis, o que acaba com a estabilidade do país, e fortalece os extremistas. As sanções de Blair e Bush ao Iraque serviram para que crianças morressem por falta de remédios simples. A que vem tal tipo de atitude?

Mas, não sejamos tão críticos. Talvez o jornal não informe nada disso porque todos estejam cansados se saber. Ú ié.......

O fato é que há gente como a gente que só quer viver em paz aqui, nos EUA, no Irã, em Israel e em todos os lugares. Tipo a garota iraniana abaixo:



Se me permitem a divagação, e o final cafona, pois o desarmamentismo está fora de moda, é irresponsável entrar na onda dos loucos por guerra, sejam esses quem forem, venham esses de onde vierem. Se é para falar de uma ameaça, que se fale do quadro todo, o que inclui todas as forças militares envolvidas, e também todas as pessoas que só querem viver em paz. Ameaça mesmo é fortalecer malucos que achariam ruim uma garota malhar em público ao som de Eye of the Tiger, e se os fortalece com sanções mais 200 ogivas nucleares nunca admitidas.

Nova estratégia dos EUA no Afeganistão

A nova estratégia das forças armadas dos EUA que ocupam o Afeganistão é manter o fluxo de bens entre as cidades médias que acolhem de boa vontade suas forças, de modo a reforçar o comércio e a economia dessas cidades, saindo das cidades menores.

Também haverá ataques dos marines encabeçados por forças bucha-de-canhão locais às cidades dominadas pelos adversários, os quais não tenho ideia clara de quem são, mas são chamados de "talibã".

Da reportagem de Joshua Partlow para o Washington Post (LibraryPress, acesso restrito).

A moralidade é algo separado da religiosidade

[...] a new paper by psychologists Ilkka Pyysiäinen of the University of Helsinki and Marc Hauser of Harvard University in Cambridge, Massachusetts [...] point out that individuals presented with unfamiliar moral dilemmas show no difference in their responses if they have a religious background or not. [...]

Thousands of people — varying widely in social background, age, education, religious affiliation and ethnicity — have taken the tests. Pyysiäinen and Hauser say the results (mainly still in the publication pipeline) indicate that "moral intuitions operate independently of religious background", although religion may influence responses in a few highly specific cases. [...]

The authors' paper may annoy both religious and atheistic zealots. By taking it as a given that religion is an evolved social behaviour rather than a matter of divine revelation, it tacitly adopts an atheistic framework. Yet at the same time it assumes that religiosity is a fundamental aspect of human psychology, thereby undermining those who see it as culturally imposed folly that can be erased with a cold shower of rationality. [...]

All the same, the tests show that neither culture nor religion matter very much: other factors — presumed to be inherited — dictate our judgements.
Philip Ball, na Nature News

2010-02-08

Brasiliana, biblioteca digital da USP

http://www.brasiliana.usp.br/

Ótima coleção de clássicos brasileiros em ótimas versões eletrônicas. A USP está de parabéns.

Destaco a gramática do tupi de José de Anchieta, publicada em 1595.

Via P2P.

Crise nas universidades inglesas

Complaints about assaults on academic freedom have coincided with claims that highly gifted academics are being forced to reapply for their jobs. Similar funding conflicts are set to erupt at campuses across the UK.
Owen Bowcott, no Guardian

Calor no bolso (RS)

Um simulador de consumo no site da CEEE aponta que um ventilador com 150 watts de potência, ligado durante 12 horas diárias no mês, consome 54 quilowatts, resultando no aumento de R$ 23,64 na conta da energia, dependendo da categoria do consumidor.

A mídia

"A Mídia" não é irresponsável, mas jornalistas individuais podem ser.
Victoria Fine, no Huffington Post

Se usasse Viagra, não dava nisso

Gráfico do Clarín (LibraryPress, acesso restrito) da cirurgia de emergência no ex-presidente argentino Néstor Kirchner.

Tiraram uma capinha de colesterol da artéria do cara. É no que dá ficar usando carne de porco como afrodisíaco. Pfizer 1, suinocultores zéééééro.

O Dr. Robalo (RS)

Do Kayser. Clique para ampliar.

Crise na Toyota dá chance pra catarse e preconceito no WSJ

Trechos:
Não surpreende que a reação da Toyota tenha sido inepta e procrastinada, porque administração de crises é algo extremamente subdesenvolvido no Japão. [...] O padrão já é conhecido demais e geralmente envolve resposta inicial lenta, minimização do problema, lentidão para retirar o produto do mercado, falta de comunicação com o público e pouquíssima compaixão pelos consumidores afetados por seus produtos. [...] o que acontece normalmente é que os interesses dos produtores pesam mais que a segurança do consumidor.

Existe um fator cultural nessa tendência de não conseguir administrar as crises. A vergonha de admitir um recall num país obcecado com qualidade e habilidade técnica dificulta a transparência e o reconhecimento da responsabilidade. [...] Também há uma cultura de deferência nas empresas que dificulta que os que estão embaixo na hierarquia questionem os superiores ou informem os problemas a eles.
Jeff Kingston, pro Wall Street Journal, no Valor Econômico

Comentário: O texto de Kingston é objetivamente pobre, mas subjetivamente rico. Com ele pouco aprendemos sobre a crise na Toyota, muito aprendemos sobre os preconceitos contra o Japão arraigados entre as pessoas educadas do ocidente. Só faltou ele dizer que já sabia desde sempre que um dia isso ia acontecer, assim desse jeito.

Jorge Furtado sobre o apagão da Yeda e o apagão da mídia

Do blog do Nassif:
Deixa ver se eu entendi: por absoluta falta de planejamento o governo gaúcho está promovendo um apagão elétrico que prejudica seriamente a vida dos gaúchos e o assunto é tratado pela imprensa como uma questão técnica?

Os consumidores gaúchos, contribuintes, que já pagaram suas contas de luz e tiveram prejuízos com o apagão de Yeda serão indenizados? Fiquei em Porto Alegre para trabalhar e tive minha luz cortada por quase duas horas, porque a CEEE não previu o consumo de luz no verão? Quais bairros tiveram suas luzes cortadas? Qual o critério dos cortes?

No ano passado uma queda de energia de Itaipu mereceu dezenas de capas de jornais, programas de tv e rádio, que forçaram a barra para equiparar algumas horas de interrupção de energia, aparentemente provocada por uma forte tempestade, com os seis meses de apagão e racionamento que, por incompetência do governo de FHC, perturbaram a vida do brasileiros e causaram enormes prejuízos ao país.

Agora nós, gaúchos, ficamos sabendo que teremos nossas luzes cortadas seletivamente, a critério da CEEE, porque eles não imaginaram que no verão faria calor.

Quem é o culpado pelo apagão da Yeda? O inesperado calor do verão! Quem é o culpado pelos alagamentos de São Paulo? As surpreendentes chuvas de verão! Quem é o culpado pelos raios que desarmaram as linhas de transmissão de Itaipu? A Dilma e o Lula! Depois se queixam que ninguém mais leva os jornais a sério.
Jorge Furtado

O último do Viveiros (Fotossaudação)

2010-02-07

Michael Moore sobre os Democratas (Mundo)

Vi o MundoEsquerda.net

Tea Party, o pessoal da taça cheia (Mundo aos domingos)

"É a típica direita com mania de conspiração", disse à Folha o analista Peter Hakim, presidente do "think tank" Diálogo Interamericano. "O que é comum nessas mensagens é que: 1) há um grande senso de urgência; 2) o que está realmente sendo defendido nunca fica claro; 3) ou você está conosco, ou contra nós (assim Brasil e Cuba ficam iguais); 4) nenhum crime é grande demais para o inimigo; e 5) o inimigo é claro", afirma.
Da reportagem de Andrea Murta, direto da convenção do Tea Party en Nashville, na Folha de São Paulo

Sobre o Tea Party, uma manchete do jornal Libération acertou na mosca: Tea Party, esta América para quem a taça xícara está cheia.

Darwin respondeu a Kripke, avant la lettre (Domingo cabeça)

O filósofo estadunidense Saul Kripke é famoso por ter afirmado que, necessariamente, água é H2O.

Isso quer dizer que, se algo é água, tem essa fórmula.

Isso é falso por vários motivos, dentre os quais que chamamos de "água" compostos químicos com várias fórmulas distintas de H2O, e que em diversas épocas não era certo chamar compostos de H2O sólido ou gasoso de "água", pois não se tinha a visão atual sobre os diferentes estados de agregação da matéria.

Para muitos seguidores de Kripke, da visão de Kripke surge uma boa teoria sobre as espécies naturais. O ponto kripkeano seria que cada espécie tem uma essência, assim como necessariamente água é H2O.

Mas isso é falso por motivos já apresentados por Charles Darwin logo no início do capítulo 2 dA Origem das Espécies, intitulado "Variação sob a Natureza":
Dessas observações se verá que olho para o termo espécie como um dado arbitrariamente com a finalidade da conveniência a um conjunto de indivíduos intimamente parecidos uns com os outros, e que ele não difere essencialmente do termo variedade, o qual é dado para formas menos distintas e mais flutuantes. O termo variedade, por sua vez, em comparação com meras diferenças individuais, também é aplicado arbitrariamente, e com a mera finalidade da conveniência.
[...] espécies são apenas variedades fortemente marcadas e permanentes.
No início do capítulo 3:
É imaterial para nós se uma multidão de formas duvidosas é chamado de espécie ou subespécie ou variedade [...].
No capítulo 9 Darwin escreve, sempre na minha tradução:
É de todo importante lembrar que os naturalistas não têm uma regra de ouro pela qual distinguir espécies e variedades; eles admitem alguma pequena variabilidade a cada espécie, mas quando eles se encontram com alguma quantia de diferença de algum modo maior entre quaisquer duas formas, eles as classificam como espécies, a menos que eles estejam habilitados a conectá-las uma a outra por gradações intermediárias próximas.
Darwin está deixando claro que se fala de espécies por mera conveniência, e que o critério para o estabelecimento de uma espécie é o que o naturalista sabe, não alguma coisa em si tal como é inobservada.

Talvez a teoria de Kripke funcione para alguns minerais. Mas não funciona para a água, como vimos acima.

Uma perfeita idiotice dita por um latinamericano (Mundo)

Tá aqui: Vargas Llosa dizendo que Chávez vai atacar a Colômbia. É uma perfeita idiotice dita por um latinamericano.

Caso queira leituras mais sérias, recomendo:

Animais racionais

Uma pequena dose, como Pierre Huber expressa, de juízo ou razão, frequentemente entra em cena, mesmo em animais muito baixos na escala da natureza.
Charles Darwin, A Origem das Espécies, cap. 7, Instinto

O livro na caixa (Fotossaudação)

O golfinho e o presidente (Madrugada do Cão)

AdfreakTony of All MediaThe Huffington Post

2010-02-06

Projetada pilha para durar 20 anos

Pilhas e baterias normais deixam de funcionar porque o estanho do pólo negativo se enfraquece com as repetidas cargas e descargas. Solução? Revestí-lo com uma resina especial que impeça tal efeito!

O povo da Eamex, em Osaka, no Japão, bolou uma pilha de íon-lítio assim. Se espera que o produto dure uns vinte anos. Bem mais do que as tranqueiras movidas a pilha ou bateria.

Isso quer dizer que as novas pilhas e baterias (de notebooks, inclusive) vão permitir cerca de 10 mil recargas, cerca de 10 vezes mais do que as pilhas e baterias atuais.

O garoto nu do Haiti

Pasea siempre solo, desnudo, sin rumbo. De vez en cuando se detiene, mira al frente, bosteza, se rasca el costado y continúa su camino con los brazos caídos. Si un coche pasa demasiado cerca, se recoge unos centímetros en la acera y sigue andando. Lo echan de un sitio y se va a otro. Sin protestar. A las seis de la mañana se le puede ver en cualquier calle. El frío le hace abrazarse a sí mismo entre la gente que carga con sacos de arroz y bidones de agua en la cabeza. No mira a nadie y nadie le mira. ¿Quién está más trastornado? ¿El chico desnudo o la sociedad que ni siquiera repara en él, que no tiene resortes para acogerlo en ningún lado como cualquier ser humano se merece? ¿Quién vive más enajenado?
Francisco Peregil, com foto de Cristóbal Manuel, no El País

Do Pruébame (Fotografia)

PruébameNSFWOWDelicious ambiguitySimpsonBrothers

Clique para ampliar

Waldo Lee (Fotografia)

Design You TrustUnstage

Humildade (Tuitosfera)

Frequentemente os mais humildes ante Deus são os mais arrogantes ante seus iguais seres humanos.
@microphilosophy, traduzido

Disclaimer

Nota bem que eu publico aqui opiniões de diversas pessoas, o que não quer dizer que eu concorde com tudo. A responsabilidade pelo que reproduzo aqui é dos autores citados. Essa responsabilidade se estende aos autores dos comentários feitos às postagens deste blog.