2009-12-31

Coetzee homenageando Putnam

Um discurso escrito em papel podia parecer uma descrição perfeita de árvores, mas se fosse produzido por macacos batendo ao acaso em teclas de uma máquina de escrever durante milhões de anos, então as palavras não se refeririam a nada.
Hilary Putnam, Razão, verdade e história (Ed. Dom Quixote 1992, esgotado), p. 26

Sono, pensa, que remenda a puída manga do desvelo. Que forma incrível de colocar a coisa! Nem mesmo todos os macacos do mundo batucando em máquinas de escrever a vida inteira produziriam essas palavras arranjadas nessa ordem.
J. M. Coetzee, Elizabeth Costello, p. 34

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2009-12-30

Lei da anistia, tortura e desobediência civil

Está se discutindo a revogação da lei que anistiou os atos de tortura realizados nos calabouços da ditadura militar, e me choquei ao ver que Luis Nassif entra na discussão ao lado dos deformadores de opinião, visto que coloca lado a lado (1) os atos de desobediência civil de Fernando Gabeira e outros e (2) as ilegalidades cometidas nos porões do DOI-CODI.

É fundamental que todos saibam que há toda a diferença do mundo entre (1) se rebelar contra um governo ilegítimo e (2) torturar pessoas. Só posso lamentar que Nassif esteja entre os que desconhecem essa diferença básica. Para mostrá-la vou me apoiar não em Lenin, Trotsky ou Mao, mas sim em John Rawls, filósofo apreciado até mesmo por um conservador como Marco Maciel, senador e antigo vice-presidente da república.

Diz Rawls que temos o direito de desobedecer ante injustiças, preferencialmente ante injustiças que impedem a remoção de outras injustiças, desde que os apelos normais tenham sido feitos, e fracassaram. (Pros que futricam em livros, ver o ¶57 de Uma teoria da justiça.)

Ora, Fernando Gabeira e outros brasileiros se rebelaram contra um grupo armado que usurpou o poder com o auxílio financeiro e estratégico de uma potência estrangeira, os Estados Unidos da América. Por terem tido a coragem de se rebelar contra tal violência às pessoas e instituições, Gabeira e seus companheiros de luta merecem todo o nosso respeito, e as dores sofridas por seus corpos e mentes precisam ser narradas às próximas gerações, para que todos saibam que houve, há e deverá haver brasileiros fieis ao senso de justiça.

Que os meios normais fracassaram é evidente, tendo mesmo os usurpadores feito um ato institucional, o de número 5, o qual abolia os meios normais de apelo por justiça.

Assim, aqueles que se levantaram contra a usurpação agiram bem, pois agiram tal como exige o senso de justiça.

Quanto aos que torturaram, cometeram injustiça dupla. Primeiro, por estarem ao lado de usurpadores. Segundo, por não respeitarem a dignidade humana.

Nada há de semelhante entre os que desobedecem ao poder ilegítimo e os que trucidam esses que combatem a usurpação. A diferença é enorme, pois estamos falando de grupos diametralmente opostos no eixo da justiça. (1) Gabeira e seus companheiros são herois da luta por justiça, e (2) aqueles que os torturaram precisam ser levadas às cortes. Isso precisa estar claro para todos que queiram realizar o trabalho de formar opiniões sobre um tema tão importante.

Nas fotos acima, Antônio Carlos Bicalho Lana, dirigente da Ação Libertadora Nacional (ALN), antes e depois da tortura. A partir de imagens de Grupo Tortura Nunca Mais e Maria Frô.

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PS 1 - Já que fui eu quem iniciou o joguinho de recitar nomes de filósofos e textos filosóficos, tenho o ônus de ser minimamente preciso, ainda que esteja escrevendo em um blog bem geral. No ¶55 de Uma teoria da justiça Rawls distingue desobediência civil de ação armada, mas levando em conta que o desobediente civil se apoia no senso de justiça da maioria das pessoas, enquanto o combatente se apoia no seu próprio senso de justiça. No caso guerrilha versus ditadura, quem é quem? Como usar esses termos rawlsianos? Aqui há problemas na aplicação das categorias de Rawls. Primeiro, me parece que os guerrilheiros se apoiam no senso de justiça da maioria, de modo que estão fazendo desobediência civil. Já os militares que usurparam o poder são combatentes, pois se apoiam em uma concepção de justiça distinta daquela da maioria. Por outro lado, é claro que Rawls quer reservar o termo "desobediência civil" para a resistência não violenta. Levando tudo isso em conta, deixo um pouco mais claro duas coisas. Primeiro, que estou usando o termo damaneira geral, a qual inclui resistência pacífica e violenta. Segundo, que Rawls reconhece que a ação armada é legítima em certos casos, os quais ele não discute, mas certamente estão apoiados nos fatores que justificam a desobediência civil, a qual é um ato apoiado no senso geral de justiça que busca evitar novas injustiças de um poder injusto.

PS 2 - A discussão continua nO Descurvo, de Hugo Albuquerque.

5 erótica

http://mariux.tumblr.com/

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2009-12-29

Fusca 67 com motor elétrico

Matthew Redd, do blog Autopia (@wiredautopia) da revista Wired, comprou um fucão 67 azul piscina, com tampa do motor já queimada por um incêndio, e o transformou em um carro elétrico

As pesadas baterias ficaram no lugar do banco traseiro, o motor de quatro cilindros a gasolina foi substituído por um motor elétrico Mars Electric de nove polegadas. 

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As mais esquisitas paranoias da direita dos EUA em 2009

Esta eu trago para vocês direto do Huffington Post. A direita estadunidense se puxou em 2009 para produzir ideias (?) paranoicas e teorias da conspiração:

- Os terroristas atacarão os EUA com pulsos eletromagnéticos!

Melhor voltar para a Idade da Pedra, por razões de segurança.

- Estão tirando a frase "In God we trust" [Em Deus confiamos] do centro das moedinhas para atacar o cristianismo!

Reconheceram o estilo? É isso mesmo, de Sarah Palin! A decisão de modificar a posição da frase foi tomada na administração W. Bush.

- Eles vão criar o SUS pra executar velhos e deficientes!

Esta é uma pseudoteoria bem louca. Sarah Palin deve estar viajando permanentemente por causa de algum tipo de cogumelo alucinógeno que se forma na titica dos leões marinhos do Alasca, ou algo assim.

- Obama aniquila a soberania dos EUA ao ser diplomático com líderes estrangeiros!

Pros reaças dos EUA, se o presidente não é rude com líderes estrangeiros, os EUA acabarão sendo aniquilados e invadidos. É claro! Todos sabem que gentileza gera violência, ú ié!

- O dólar será substituído por uma moeda única mundial!

Estes caras não fazem a menor ideia de como é o mundo aqui fora.

- Saúde pública e estímulo econômico são meios para levar os EUA ao socialismo!

Avante, camarada Obama!

- Obama está fazendo lavagem cerebral nas crianças ao pedir que elas se esforcem e fiquem na escola!

Sem comentários.

- Eles vão usar o censo para nos pegar!

Para a republicana Michele Bachman, Obama quer usar os dados do censo para cercar e aprisionar a oposição. Com certeza!

- Obama é um gringo!

Não há documento e evidência que fala os reaças mais agitados se convencerem que Obama é cidadão estadunidense apto a ser presidente dos EUA. Coisa triste ser paranoico.

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Atualizado 15h52

Retrospectiva 2009

Janeiro
Fevereiro
Março
Abril
Maio
Agosto
Outubro
Novembro
Dezembro

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Atualizado 13h18

A opção infeliz de Scliar

Nova polêmica na teia. O escritor Moacyr Scliar disse

«Morar na rua é opção, e resulta, sobretudo, de uma vida infeliz.»

A jornalista Thais Fernandes respondeu:

«Parece que dizendo isso desconhece um dado importante, divulgado pelo Ministério das Cidades (baseado em uma pesquisa da Fundação João Pinheiro), de que o déficit habitacional no país é de 8 milhões de moradias, e que um dos problemas principais disso é a baixa renda familiar.»

Ou seja, para Scliar primeiro vem a vida amarga, depois vem a escolha pelas ruas. Para Fernandes primeiro vem a vida amarga, depois se chega às ruas por falta da escolha natural e apropriada, uma habitação, a qual simplesmente não existe para umas 8 milhões de famílias.

Isso em uma leitura caridosa de Scliar, na qual se entende baixa renda mais ausência de casa para habitar como "vida infeliz". Mas é claro que é sem cabimento tratar a ausência de escolha, pela pura e simples inexistência de uma casa para morar, como opção. Trata-se de um caso claro de falta de opção. Fernandes dá um exemplo eloquente, a moradora de rua Dona Maria:

«Ela dorme na rua há alguns meses, pois o casebre onde morava, na periferia de Viamão, foi destruído pela chuva. Construído em área irregular, a prefeitura da cidade não deixou que ela o reerguesse. Solução: Dona Maria “escolheu” morar na rua. Será que classifico isso como infelicidade?»

Eis um caso claro de falta de opção, e não é absurdo supor que cada caso tem uma história muito particular que não é retratada pela expressão vaga "vida infeliz". Ou seja, o "sobretudo" usado por Scliar tá mal. 

De alguém como Dona Maria, quem está morando na rua porque o poder público a tirou de uma área irregular graças (!) a uma tragédia que destruiu sua frágil residência, eu não diria que ela tem uma "vida infeliz". Isso seria insultá-la. Eu diria que ela está sofrendo a privação de um direito ou garantia básica, o teto sobre a cabeça. É um caso claro de privação de prerrogativas humanas e legais, não de "vida infeliz". 

Arte a partir de uma imagem do Jornal Co:::unicação

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2009-12-28

Enquanto isso, na redação de um jornal de Porto Alegre.....

A PALPITRIX: "Puxa, a avaliação da Yeda tá pior do que a avaliação do Arruda."

O ESTAGIÁRIO: "Por quê? Ela foi filmada com dinheiro na calcinha?"

A PALPITRIX: "Não, imbecil! Mas, aí que tá... o que será que explica isso?..."

O ESTAGIÁRIO: "Não será porque o governo dela é mediocre e escândalos gordos e visíveis não são investigados?"

A PALPITRIX: "Não seja burro, seu animal! É óbvio que não!"

O ESTAGIÁRIO: "Mas ela queria tirar proventos de funcionários que ganham pouco em pleno Natal....."

A PALPITRIX: "Silêncio! Eu estou pensando!!"

O ESTAGIÁRIO: "..."

A PALPITRIX: "Já sei, precisamos abordar esse problema de maneira científica!"

O ESTAGIÁRIO: "Vamos fazer trabalho investigativo? Uau, eu aprendi isso na faculdade! Eu sempre quis ir atrás dos fatos, ao invés de buscar fatos ou boatos que encaixam nas convicções do chefe...."

A PALPITRIX: "Cala boca! Não é nada disso, nós vamos fazer hipóteses."

O ESTAGIÁRIO: "Ãh?! Mas jornalismo não se apoia em fatos?"

A PALPITRIX: "Cala boca, cala boca, cala booocaaaa! Seu ignorante, você não viu que O Çabio faz jornalismo a partir de hipóteses?"

O ESTAGIÁRIO: "Você tá falando do Ali Kamel? Mas ele só foi escolhido Çábio por funcionários de uma empresa onde ele é chefe...."

A PALPITRIX: "Ah, como você é irrelevante! Temos que encontrar a hipótese que explica porque Yeda tem a pior avaliação da história das pesquisas de opinião."

Ah, cansei de escrever! Mas o resto da história poderia ser escrita a partir do Agente 65. Qualquer semelhança com fatos, pessoas ou situações é mera coincidência, ú ié. 

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Tributo musical a Chomsky

No dia 22 de janeiro será realizado um concerto em homenagem ao cientista Noam Chomsky no auditório Kresge do MIT. A música foi composta por Edwar Manukyan. Eis uma amostra. As solistas serão Sarita Uranovsky (violino), Molly Walker (clarineta) e Lyndi Williams (soprano).

O concerto faz parte de uma série em homenagem a cientistas.

Eis uma amostra:




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Uma lembrança em Elizabeth Costello, de J. M. Coetzee

Pulamos para a frente de novo, desta vez no texto, não na performance. 
Quando ele relembra aquelas horas, um momento volta com súbita força, o momento em que o joelho dela desliza sob seu braço e se dobra em sua axila. Curioso como a lembrança de toda uma cena pode ser dominada por um momento, não significativo em si, mas tão vívido que dá quase para sentir o fantasma da coxa contra a pele. Será que por natureza a mente prefere as sensações às ideias, o tangível ao abstrato? Ou será que o dobrar do joelho de uma mulher é só o lembrete a partir do qual se desdobrará o resto da noite?
Estão deitados no escuro, lado a lado, no texto da lembrança, conversando.
J. M. Coetzee, Elizabeth Costello, p. 31

Este é um trecho fantástico do livro Elizabeth Costello, de J. M. Coetzee, o vencedor do prêmio Nobel de literatura de 2003. 

John (Costello?), o filho da escritora Elizabeth Costello, encontra Susan Moebius, a especialista na obra da sua mãe, no bar do hotel, eles se entendem e se dirigem para o quarto dela. Daí a cena do amor é narrada a partir da memória posterior de John, no trecho citado acima. 

A cena imediatamente posterior ao evento narrado é narrada do ponto de vista da memória, mas o que é narrado é a mesma coisa. Só que agora do ponto de vista da memória, a qual não é um cineminha interno em tempo real, mas sim algo que funciona a partir de emblemas, como o toque da coxa contra a axila. 

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Investigando a vida mental através de descrições

O psicólogo Russell T. Hurlburt, da Universidade de Nevada, investiga a consciência de uma pessoa a partir das descrições que essa pessoa dá da própria vida mental. O projeto é rico por si mesmo, mas encontra rejeição fácil de quem acha que palavras não alcançam o eu profundo. Mas, uh, que diabos seria isso? Estamos falando apenas de registrar e avaliar os modos como as pessoas descrevem aquilo que passa em suas cabeças, e há muito a aprender sobre isso. 

A diversidade é um desses aprendizados. Hurlburt descobriu que há muitos tipos de experiências mentais. Alguns acompanhados por imagens ricas, outros sem imagens algumas. Mas também há regularidades: mulheres bulímicas tendem a ter vários pensamentos simultâneos que podem ser separados uns dos outros. 

O que não se sabe é porque as pessoas têm experiências mentais tão variadas, e porque há regularidades. 

Hullburt é autor de vários livros, dentre os quais estão Describing Inner Experience? Proponent Meets Skeptic (MIT Press (prefácio e introdução disponíveis gratuitamente), 2007 [Amazon | Cultura]) e Exploring Inner Experience (John Benjamins, 2006 [Amazon | Cultura]). Um número a sair do Journal of Consciousness Studies será dedicado ao seu trabalho. 

Um suposto problema desse tipo de abordagem da consciência é saber o quanto a mesma é precisa ou acurada. Isto é, se uma pessoa descreve uma experiência interna como patati patatá, que garantias temos de que essa experiência não é, na verdade, pititi pototó? A pessoa pode estar usando palavras inadequadas, ou simplesmente embelezando --- ou enfeiando --- o que experimentou. 

Como estamos falando da experiência de alguém, e só essa pessoa a experimentou, não há como checar. No entanto, ainda que seja possível que a pessoa tenha um vocabulário pobre, ou que a pessoa deturpe seu relato por algum motivo consciente ou inconsciente, o que importa é o relato, tal como esse é. Querer checar o relato é, de novo, ir atrás do tal eu profundo. E, uh, o que seria isso? Eu acho que é só uma ilusão que nós temos por sermos muito ignorantes e nos considerarmos muito importantes e muito acima do resto das coisas. Se baixamos a bola e vemos que somos muito parecidos com o resto das coisas, apesar de sermos muito importantes para nós mesmos pelo afeto e pelo mútuo cuidado e carinho, o que nada tem a ver com profundezas misteriosas, o relato basta. 

Via artigo de Jascha Hoffman no New York Times e artigo de Gary Wolf na Salon. A imagem de Robert Crumb vem do blog do Ricardo Lombardi

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2009-12-23

Um projeto para a divulgação dos clássicos da filosofia

Como professor de filosofia, enfrento um problema bastante embaraçoso: não há traduções, nem antigas nem modernas, dos grandes clássicos da filosofia para a língua portuguesa. E quanto há, usualmente são ruins. E quando há e são boas, usualmente ou estão esgotadas, ou são caríssimas.

Bolei uma solução, e gostaria de levá-la adiante como projeto, de preferência amparado por alguma lei de incentivo à cultura. O núcleo da ideia é disponibilizar online boas traduções remuneradas sob licença Creative Commons. Um procedimento de tradução teria as seguintes etapas:
  1. Um tradutor capacitado seria pago para fazer a tradução de um clássico, o dinheiro viria de patrocínio
  2. A tradução seria publicada online sob licença Creative Commons, a qual permitiria tanto a reprodução como a modificação
O passo 1 resolve o problema do retorno econômico para o trabalho intelectual, o passo 2 resolve o problema da disponibilidade da tradução, e também possibilita a contínua melhoria da mesma, visto que pode ser modificada, logo melhorada.

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Editado 16h19

Liberdade de expressão, diversidade, crianças e Estadão

A liberdade de expressão é um valor e uma propriedade que precisam ser promovidos e defendidos na nossa e em outras sociedades. É triste que sua defesa seja tímida, e é triste que alguns dos seus alegados defensores sejam ou pareçam ser oportunistas sem nenhum compromisso sólido com o compromisso com a diversidade que anima esse direito. 

Liberdade de expressão é o direito de falar, ou expressar por outro meio, o que quer que seja que não tolha o livre desenvolvimento da individualidade de outra pessoa. Ter o desenvolvimento da sua individualidade tolhido é sofrer dano. Ninguém tem o direito de expressar o que causa dano a outro, entendendo por dano a privação do desenvolvimento da própria individualidade. 

O que dizer da publicidade dirigida a crianças? 

A forma atual da publicidade dirigida a crianças busca usar a criança como meio para tirar dinheiro dos bolsos dos seus pais, criando vínculos emocionais entre a criança e certos produtos, por vezes ensinando a criança a barganhar emocionalmente com os pais, chantageando-os. 

Esse uso da criança, por si só, é suficiente para se dizer que tal tipo de publicidade traz dano à criança, impedindo que ela desenvolva livremente sua individualidade, pois alguém que está sendo usado como meio para lucro dessa maneira não está tendo sua individualidade desenvolvida livremente. De modo que não existe o direito de apresentar às crianças tal tipo de campanha publicitária. 

O que dizer do Estadão, jornal que se promove como vítima da censura? Duas coisas. 

Primeiro, é absurdo que o judiciário acate um pedido de proibição de divulgação por um jornal de qualquer dado referente a uma pessoa. Isso é inaceitável, mas o empresário Fernando Sarney, filho do senador José Sarney, conseguiu no judiciário o abuso (não se trata de um direito bona fide, nem de uma garantia legítima) de impedir o Estadão de publicar qualquer coisa sobre sua pessoa. 

Dá para entender o pedido de uma pessoa que conversas íntimas sobre sua vida pessoal não sejam divulgadas, pois a mera possibilidade de ter a intimidade afetiva e sexual escancarada lesaria o livre desenvolvimento da individualidade de todos nós. Mas daí a proibir a divulgação de qualquer informação sobre uma pessoa é um passo apoiado no vazio. 

Ou seja, nisso o Estadão está coberto de razão. 

Mas há uma segunda coisa a ser considerada, a qual tira a força da publicidade que o Estadão tem feito de si como vítima de uma afronta à liberdade de expressão, embora o Estadão seja uma tal vítima. O problema é que a autopromoção em questão dá a entender que o Estadão está plenamente comprometido com o direito de livre expressão, o que quereria dizer compromisso com suas bases e fundamentos. 

Porém, ainda que o direito de se expressar livremente do Estadão tenha sido tolhido, é duvidoso que o Estadão esteja comprometido com o princípio que anima o direito de livre expressão, o qual é o princípio da diversidade. 

Toda a base da defesa da liberdade de expressão está no princípio da «importância absoluta e essencial do desenvolvimento humano em sua mais rica diversidade». Essas palavras são de Wilhelm von Humboldt, e servem de epígrafe ao ensaio sobre a liberdade de John Stuart Mill, a mais importante obra sobre o assunto. 

Ou seja, todo o ponto de defender a liberdade de expressão se apóia no princípio e na crença que a diversidade humana, cultural, social, artística etc. é fundamental para o livre desenvolvimento das pessoas. Mais diversidade quer dizer mais e melhores possibilidades de desenvolvimento humano. Menos diversidade quer dizer menos e piores possibilidades. É por isso que censurar é causar dano às pessoas. A censura impede que algo seja dito, e com isso fecha às pessoas certas possibilidades de autodesenvolvimento. 

Levando isso em conta, ainda que o Estadão seja vítima no caso Fernando Sarney, o problema da autopromoção do Estadão é que essa sugere que o jornal está do lado da liberdade de expressão, mas o Estadão não parece estar confortável com a diversidade, como exemplifica sua campanha publicitária ridicularizando blogueiros, em meados de 2007. 

Nessa campanha, o Estadão promove o estereótipo do blogueiro como uma pessoa que apresenta conteúdos de maneira irresponsável. 

Por mais que a blogosfera esteja cheia de insanidades e coisas espatafúrdias, sendo nisso também próxima de outras mídias, é um fato que a blogosfera é um meio de expressão que potencializa a diversidade, e por si só é um meio a ser louvado por qualquer um comprometido com a liberdade de expressão, visto que essa se apoia na crença que a diversidade é fundamental para o desenvolvimento da individualidade. 

Seria de se esperar que alguém comprometido com o princípio da diversidade, o qual anima o direito de livre expressão, amasse a blogosfera. Mas a publicidade antiblogs indica que o Estadão não está comprometido com o princípio da diversidade, e não pega bem posar de defensor de um direito sem se comprometer com o princípio que o anima.

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2009-12-16

Idelber é personagem literário, outra vez

É impressionante, mas Idelber Avelar conseguiu ser personagem de mais um livro. O segundo. Certamente haverá um terceiro. 

Idelber é personagem de um dos meus livros prediletos, O passado, de Alan Pauls. O livro se passa em Buenos Aires, mas tem um estranho capítulo que se passa em São Paulo, onde o herói (?) Rímini circula por uma convenção literária com o crachá de um tal de Idelber Avelar. 

Agora Idelber é personagem de The year before the flood: A history of New Orleans [O ano antes da enchente: Uma história de Nova Orleans], de Ned Sublette. Este livro tem um capítulo chamado "Idelber's accident" [O acidente de Idelber], o qual saiu no BoingBoing. O capítulo conta um acidente de trânsito sofrido por Idelber, e, segundo fontes mui seguras, trata-se de uma história real. O trecho sobre a espera no hospital que é "a versão hip-hop do Inferno de Dante" é imperdível, assim como nosso herói Idelber querendo fumar um cigarro, com a cabeça sangrando, após o choque de uma camionetona contra seu carro. 

Idelber é professor da Universidade Tulane, em Nova Orleans. Ele escreve para a revista Fórum, e é autor do lendário blog O biscoito fino e a massa, o qual está parado enquanto ele produz um livro. Este blog é o melhor documento em português da campanha de Obama, e fonte fundamental para compreender o papel da Internet nas eleições presidenciais de 2006. 

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As maldades natalinas de Yeda, a greve dos professores, e os sonhos

Ontem o Juremir Machado da Silva explicou, de maneira muito clara, por que os professores estaduais estão em greve no Rio Grande do Sul.

Em suma: porque o governo do estado do RS, no apagar das luzes do ano de 2009, está tentando roubar uma parte significativa dos seus proventos, os quais são tudo menos altos.

Tá no blog do Juremir, postagem Pacote de Maldades Natalinas, de 2009-12-15. Ele escreve:

Quatro perguntas e quatro respostas em regime de urgência:

1) Por que uma greve no fim do ano?

Porque o governo manda projeto que é uma caixa de maldades no fim do ano, tentando aprová-lo no apagar das luzes, em regime de urgência, jogando com a possibilidade de não haver greve por ser o momento inoportuno. É uma maneira de forçar a aprovação e de jogar a sociedade contra os professores.

2) Por que o governo quer dar mais piso?

Para dar menos básico. É sobre o básico que incidem as vantagens da carreira. [...]

3) Por que o governo quer mudar o plano de carreira? Para diminuir vantagens, tornando menor o que já é pouco.

OBS: o governo está sendo democrático: seu pacote de maldades atinge também outros setores, entre os quais os brigadianos. É que os soldados ganham fortunas para morrer por nós nas ruas das grandes cidades.

Ou seja, Yeda quer dar de fim de ano, para professores e brigadianos, ganhos menores. E esses servidores ganham pouco.

Isso torna mais significativa a foto acima, divulgada por @andrelmachado, quem diz, enquanto apresenta um imagem do ponto de vista palaciano, e ridicularizando o esforço dos trabalhadores que «Não são poucos os professores acampados em frente ao Piratini».

Seria ótimo ver, na foto, tanto os professores que lutam pelo seu trabalho quanto os brigadianos que os policiam do mesmo lado, posicionados em frente ao Palácio Piratini porque estão lutando para manter seus ganhos atuais, os quais são modestos.

Mas temo que ver isso seria, como nos sonhos, ver o que desejo.

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Atualizado 16h08

Quine toma pau de criancinhas

Quine, no primeiro ensaio de Relatividade ontológica e outros ensaios, seção II, na tradução de Porchat:

É somente quando a criança chegou ao uso pleno e próprio de termos individuadores como maçã, que se pode dizer propriamente que ela se acostumou a usar termos e a falar de objetos.

Será? Um estudo publicado na última Cognition mostra que criançinhas de dois anos de idade conseguem usar termos e inferir seus significados quando ainda não os dominam plenamente. Elas o fazem se guiando pela sintaxe. Eis o resumo do estudo:

Quando crianças pequenas veem um evento enquanto estão escutando um verbo, se mostrou que o contexto sintático do verbo as ajuda a identificar seu significado. O presente trabalho leva essa descoberta um passo adiante, revelando que mesmo na ausência de um evento acompanhante, a informação sintática sustenta a identificação pela criança pequena do significado do verbo. Crianças de dois anos foram primeiro introduzidas a diálogos incorporando novos verbos em sentenças ou transitivas [ex. "o garoto mupiou a garota"] ou intransitivas [ex. "o garoto mupiou"], mas na ausência de quaisquer cenas referentes relevantes [...]. Em seguida, as crianças viram duas cenas candidatas: (a) dois participantes realizando ações sincrônicas, (b) dois participantes realizando uma ação causativa. Quando requisitadas a "encontrar o mupiamento", as crianças que ouviram sentenças transitivas escolheram a cena causativa; aquelas que escutaram sentenças intransitivas não. Esses resultados mostram que crianças de 2 anos de idade inferem componentes importantes do significado apenas da estrutura sintática, usando-a para dirigir sua busca subsequente para um referente em uma cena visual. 

O estudo em questão é "Meaning from syntax: Evidence from 2-year-olds", de Sudha Arunachalam e Sandra R. Waxman, publicado na última Cognition.

A surra também atinge a seção I do ensaio de Quine, sobre "gavagai". 

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2009-12-15

Thomas Nagel jogou a reputação no lixo

É uma lástima, mas o até então eminente filósofo Thomas Nagel jogou sua reputação no lixo, e já é herói da pseudociência até no Brasil.

O caso foi documentado por Brian Leiter.

O fato: Thomas Nagel escolheu para livro do ano do Times Literary Supplement o livro Signature in the cell, de Stephen Meyer. O livro é um amontoado de bobagens que procura estabelecer a verdade da teoria do "design inteligente" [sic]. Mas não demonstra nada, como mostraram os especialistas. Ver por exemplo:
Meyer é membro do Instituto Discovery [sic], o qual luta para que a pseudociência seja ensinada às crianças. Como isso é ou beira o inconstitucional nos EUA, o Instituto busca mostrar a dubitabilidade da ciência. O que aliás não é duvidado por ninguém, pois só dogmas religiosos são induvidados, e por medo ou outro sentimento ao invés de razão. Sobre o Instituto e sua agenda anticiência, ver:
Ao tentar justificar sua indicação, Nagel só piora sua situação, pois diz que é preciso olhar para a natureza como algo além daquilo que é explicado pela mera física. O problema é que só ele, o filósofo desinformado e leigo, acredita que os cientistas acreditam que a natureza se reduz ao que é tema da física. Qualquer biólogo vai além disso, como bem documenta e discute Ernst Mayr. E não tem o maior cabimento adotar teorias que não ficam de pé sob o crivo do estudo sério só por causa disso. Melhor seria se ele se informasse um pouco sobre o que é ciência. Isso teria evitado o vexame.

Dada a eminência de Nagel, suas bobagens mancham seu nome, mas também o nome da filosofia. Por que os cientistas não acreditariam que os filósofos são uns ignorantes em ciência, se um dos filósofos top defende tais bobagens? Isso torna mais importante o trabalho de Leiter e outros que estão discutindo o problema abertamente, e recriminando Nagel pela barbeiragem intelectual e profissional. Sobrou críticas também à revista Philosophy & public affairs por ter publicado o texto de Nagel, visto que o mesmo não seria aprovado por nenhum parecerista que conhecesse o mínimo sobre o assunto discutido.

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PS - a discussão continua no Leiter Reports, tratando mais especificamente da responsabilidade moral dos intelectuais.

Principais migrações econômicas

Esta é só uma pequena amostra do material riquíssimo do site Cartografare Il Presente.

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Isto sim é encher o quadro de matéria

Via @logicomix ← @tomcritchlow

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2009-12-14

Horacio Potel tá livre - Uma vitória contra os abusos do ©opyright

Finda o processo contra Horacio Potel, o professor de filosofia da Universidad Nacional de Lanús, Argentina, que estava sendo processado por disponibilizar online para estudantes de filosofia textos raros ou esgotados. Tendo em vista o fim pedagógico e didático dos sites nos quais disponibilizava os textos, o professor Potel revisou muitas das traduções antes de colocá-las online.

Potel poderia ter sido preso em decorrência do processo, mas no dia 13 de novembro último a justiça argentina decidiu que as ações de Potel não justificavam o processo. O processo contra ele foi aberto pela editora francesa Minuit, por causa das obras de Derrida.

Potel mantém três sites fundamentais: Heidegger en Castellano, Nietzsche en Castellano e Derrida en Castellano. Em 2009/1 dei um curso sobre Ser e tempo na UFRGS, o qual só foi possível por estar disponível online a tradução de Rivera, a qual é a única boa tradução em língua ibérica.

Potel também mantém o blog Filosofía en Castellano, de onde veio a imagem acima.

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2009-12-13

O livro brasileiro do Onde estou?

O tupi na geografia nacional, de Teodoro Sampaio, ou Theodoro Sampaio, é o livro que responde à pergunta Onde estou? de um brasileiro. 

Isso porque o livro traz os significados dos nomes de lugares dados pelos indígenas, e esses davam nomes descritivos aos lugares. 

Tipo, eu estou no bairro Niterói, em Canoas, RS. "Niterói", "nitheroy", ou "iteronne", na grafia de Hans Staden, tem significado duvidoso, mas está próximo de "yterô", água reunida, estuário. Simão de Vasconcelos grafava "nitherô", e Januário da Cunha Barbosa escrevia "nictheroy", significando mar escondido

Bem, o bairro realmente junto ao rio Gravataí, o qual separa Canoas de Porto Alegre. E "gravataí" vem de "carauatá-y", o rio dos gravatás. "Gravatá" ou "caraguatá" vem de "carauá-tã", o carauá duro. E "carauá" é tanto cordas, tecidos e papéis quanto as plantas que fornecem as fibras para produzí-los. E não custa lembrar que fibras não mais, pois matamos o rio Gravataí.

Talvez você esteja no Butantã, de "yby-tantã", a terra dura. Talvez você seja carioca, de "carió", "cariyó", "cari-oca" ou "cari-boc", o que quer dizer o místico descendente de branco. Essa parece ser a pista para uma história e tanto. 

Talvez você esteja em Imbé, a planta rasteira trepadeira. Ou em Ipanema, o rio sem peixe

Ou em Parobé, a lagoa de sabor amargo. Mas a cidade de Parobé, RS, tem esse nome por causa do engenheiro Parobé, de modo que precisamos buscar a tal lagoa na árvore genealógica dele. 

O livro está esgotado nas livrarias, mas se encontra exemplares usados entre 84 e 165 reais. É uma pena que não tenha edição da L&PM Pocket. Mas, se você gasta grana com essas coisas, então vale a pena! É o presente de natal ideal para gente que maromba os neurônios. 

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2009-12-12

Os surdos e a língua

O Menino Selvagem nunca adquiriu uma língua, seja qual for a razão ou as razões. Uma possibilidade, considerada de forma insuficiente, é a de que, por estranho que pareça, nunca o tenham exposto à língua de sinais, sendo ele continuamente (e em vão) forçado a tentar falar. Mas quando foram feitas tentativas apropriadas de comunicar-se com os "deaf and dumb", ou seja, por meio da língua de sinais, eles se revelaram notavelmente educáveis e de pronto mostraram ao assombrado mundo que eram capazes de ingressar por completo na cultura e na via. Essa circunstância fascinante --- como uma minoria desprezada e negligenciada, a quem até então praticamente se negava a condição de ser humano, emergiu de um | modo súbito e espantoso no cenário mundial (e o posterior solapamento de tudo isso no século seguinte) --- constitui o capítulo introdutório da história dos surdos. 
Oliver Sacks, Vendo vozes, Cia das Letras, 2007 [1989], pp. 24--25, esgotado

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Surdo

O termo "surdo" é vago, ou melhor, é tão abrangente que nos impede de levar em conta os graus de surdez imensamente variados, graus que têm uma importância qualitativa e mesmo "existencial".
Oliver Sacks, Vendo vozes, Cia. das Letras, 2007 [1989] p. 17, esgotado

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2009-12-11

Pelado, de David Sedaris, por R. P. Severo

Rogério Passos Severo, hoje professor de filosofia na UFSM, fez o seguinte comentário sobre o livro Pelado, de David Sedaris, em 9 de janeiro de 2006:

Esse autor faz muito sucesso e é muito bem conceituado nos Estados Unidos, onde é talvez um sucessor literário de Woody Allen. Porém, sua escrita é bem mais sarcástica e seu humor mais escrachado e menos intelectual que o de Woody Allen. O autor é muito agudo descrevendo as mazelas de sua família e sua própria inaquedação social; seu humor não é gratuito ou bobo. Um tema que parece mais ou menos constante é a exposição da fragilidade da condição cada um dos personagens. O riso que esse autor provoca é às vezes terapêutico, e até catártico. Vale a pena! Eu li esse livro primeiro em inglês, e fico agora feliz de ver essa bela edição da Lugano, bem acabada e com uma boa tradução. Recomendo! É um ótimo livro.

E com isso veio a vontade de reler Pelado

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Hume em Machu Picchu

Above the beginning level, Quechua requires some vast changes of mind-set as learners try to master bipersonal conjugation, conjugation dependent on mental state and veracity of knowledge, spatial and temporal relationships, and numerous cultural factors.

Conjugação dependente do estado mental e da veracidade? Hmmm, seria ótimo ler uma tradução de Hume ou das Meditações de Descartes em quechua. A própria estrutura da língua parece conspirar contra alguns pressupostos da filosofia moderna.

(Ok, de repente isso é exagero. A conferir.)

É o tipo de coisa que atrai leitores de Nelson Goodman ou Thomas Kuhn, dentre os quais me incluo.

Anyway, assim como Leminski escreveu sobre Descartes no Brasil, seria interessante alguém escrever sobre Hume em Machu Picchu.

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A semana na qual o DF ensinou uma lição ao RS

Fato da semana: o povo de Brasília se revoltou com a corrupção dinheiro-no-meia do governo Arruda, se organizou, se manifestou, e fez esta pessoinha, a qual teve a cara-de-pau de fraudar o painel de votações da Câmara dos Deputados no passado, sair do seu partido. Acabará saindo do governo do DF, quiçá da política. 

Contraste direto: o povo de Porto Alegre aceitando numa boa a corrupção gorda no Detran gaúcho, denunciada até mesmo pelo Little Marchezan, do PSDB. E a família de Yeda comprando coisas caras, ou cuidando de assuntos da alçada pessoal, pra usar o eufemismo, com um poder de compra que chama a atenção de qualquer um que há ouviu falar em enriquecimento ilícito. Dada a passividade do povo gaúcho, é possível que Yeda continue por aí. 

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2009-12-10

Gente que gosta de pássaros criando novas espécies

In the past 50 years, a migratory schism has appeared among central European blackcaps (Sylvia atricapilla). Native to southern Germany and Austria, the small, grayish songbirds used to fly southwest together to Spain to bask in the Mediterranean weather and dine on fruits such as olives. But in the 1960s, bird watchers started noticing some blackcaps wintering in the United Kingdom. These birds had split from their companions, headed northwest, and begun living off the feed left out by generous bird-lovers. Now, roughly 30 generations later, about 10% of blackcaps migrate to the United Kingdom in the winter instead of to Spain.

1. Gente que gosta de certos pássaros os alimentou

2. Isso fez alguns deles alterarem seus hábitos migratórios

3. Após 50 anos disso, há diferença genética e morfológica entre aqueles que mantiveram os hábitos antigos e aqueles que se adaptaram à nova fonte de alimento

4. Assim uma espécie de ave está se transformando em duas espécies

O pássaro em questão é a outinegra-de-barrete-preto (Sylvia atricapilla).

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A brutalidade no Irã, após as últimas eleições fraudadas

Testimonios estremecedores de torturas, violaciones y castigos brutales contra militantes opositores antes, durante y después de las últimas elecciones presidenciales iraníes en el mes de junio se divulgaron ayer en el último informe de la ONG Amnistía Internacional.

Según la organización, las violaciones a los derechos humanos en el país asiático son tan graves y sistemáticas como lo fueron a lo largo de los últimos 20 años. Aún peor, Amnistía afirma que, en los últimos tiempos, las autoridades están “perfeccionando” el aparato represivo estatal, empleado a fondo en las protestas que se desencadenaron tras los últimos comicios.

Uno de los detenidos interrogados por la ONG relató cómo, durante ocho semanas, fue encerrado junto a otras 75 personas en un container con apenas un minúsculo conducto de ventilación en el centro de detención de Kahrizak. Por esas fechas, a mediados de junio, se calcula que más de 100 personas fueron trasladadas a esas instalaciones.

“El interrogador me dijo que tenían a mi hijo secuestrado y que lo violarían entre varios si yo no confesaba”, contó el ex detenido. “Perdí el control y comencé a gritar. En ese momento comenzaron a darme una paliza a bastonazos, hasta que perdí el conocimiento y me llevaron de vuelta al container. Por las noches escuchábamos los gritos de los otros que estaban siendo interrogados.”

Ebrahim Mehtari, estudiante de 26 años, señaló que, en su caso, fue acusado de “trabajar y conspirar con redes en Facebook”. Según detalló en su testimonio, Mehtari soportó golpizas, simulacros de ejecuciones y violaciones sexuales en repetidas ocasiones. Finalmente, con el cuerpo lleno de sangre y semiinconsciente, firmó una confesión.

El caso de Maryam Sabri no fue muy diferente. Esta mujer de 21 años fue arrestada por filmar la muerte en plena calle de Neda Agha Soltan, cuyo asesinato a manos de agentes de seguridad gubernamentales dio la vuelta al mundo. Sabri fue violada cuatro veces durante sus doce días en prisión por guardias, según ella, que se comportaban “como animales”. La mujer abandonó el país en las últimas semanas.

El informe de Amnistía, en su parte final, exige la apertura de investigaciones internacionales supervisadas por un tribunal de las Naciones Unidas y la implementación de instancias de rendición de cuentas al interior del Estado iraní. “La capacidad de enmendar los errores y dar una vuelta de página descansa únicamente en el líder supremo y en los altos funcionarios del gobierno de Teherán”, sostiene el reporte. “Estas violaciones y abusos nunca deberían haber sucedido”, sentencia.

“La tortura y otros malos tratos a los detenidos son prácticas comunes facilitadas por los largos períodos de detención preventiva, la negación del acceso a abogados y familiares y la impunidad sistemática de la cual gozan los agentes de las fuerzas de seguridad estatales”, precisa el informe.

* De The Independent de Gran Bretaña. Especial para Página/12.

Reproduzi por completo o texto de Katherine Butler publicado no Página|12, "Hubo abusos en Irán, dice Amnistía".

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Trabalhadoras assírias

Arqueólogos decifraram uma placa (foto) com escrita cuneiforme de 3000 anos atrás, encontrada no sul da Turquia no meio do ano. A placa traz o nome de 144 trabalhadoras ou escravas do império assírio. 

Trata-se de um documento burocrático, portanto. Os nomes das trabalhadoras não são nomes assírios, o que indica que eram ou mulheres da população local, ou mulheres deportadas de outros locais. O império assírio realizava deportações massivas, para deslocar mão-de-obra para as plantações e depósitos de alimentos. 

Foto e informação da National Geographic News

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Leitor de ebook da Apple chega em março ou abril

Já quis um Kindle, daí desisti por causa das sacanagens da Amazon (a empresa apaga teus arquivos a distância!)

Já quis um Nook, daí desisti por causa da telinha de meras 6 polegadas (tem que reduzir um PDF!)

Agora quero um tablet da Apple, pois parece não ter esses defeitos, e terá tela de 10.1 polegadas, o que dá o tamanho de uma página A5. Andei fazendo as medidas, e esse é o tamanho ideal.

Até @alaindebotton se entusiasmou: http://twitter.com/alaindebotton/status/6534951851

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Manifestações e o papinho do trânsito

Em Tóquio, Londres ou Califórnia, seja lá onde for, manifestações públicas causam transtornos à rotina. Uma polícia civilizada sabe lidar com manifestantes. Desvia o trânsito, redireciona a manifestação, toma outras providências. Para isso, profissionais treinados não precisam utilizar a força bruta.
via unb.br

Acima, trecho de um artigo de Luiz Gonzaga Motta na UnB Agência, sobre a truculência da polícia de Brasília contra manifestantes.

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Estadunidense consome 34Gb de informação por dia

Na linha da postagem anterior (link abaixo), agora sobre o consumo de informação/dia de um estadunidense médio, o qual passa quase 12h/dia recebendo informações, principalmente pela TV e por computadores.

Ver
http://animot.blogspot.com/2009/12/um-dia-na-internet-infografico-de-tirar.html

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Um dia na Internet: infográfico de tirar o fôlego

É de tirar o fôlego.

Se envia mais email por dia do que cartas por ano.

A quantidade de imagens carregadas só no Flickr diariamente daria um álbum com quase 400 mil páginas.

A quantidade de dados enviados diariamente entre celulares encheria 64 trilhões de disquetes.

O lucro com serviços de telefonia móvel é de 145 milhões de dólares ao dia, 10% disso vem de jogos.

O Facebook ganha 700 mil novos membros por dia.

Os blogs publicam 900 mil novos artigos por dia, e se tuita 5 milhões de vezes no mesmo período.

Eis a Internet de hoje, e a coisa está só começando

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Bolsa-família e filosofia analítica

É bizarro, mas no Brasil é difundida a crença que a filosofia analítica é de direita.

É difícil entender de onde vem essa crença, pois a defesa do socialismo está literalmente inscrita no manifesto do positivismo lógico. Além disso, a filosofia analítica chega à América do Norte pelas mãos de esquerdistas e judeus que se refugiaram da opressão direitista que tomou conta da Europa com a vitória de Hitler na Alemanha.

Exemplos particulares de filósofos analíticos de esquerda abundam, e eis meu preferido. Após o assassinato de Trotsky, seu segurança e secretário particular Jean van Heijenoort segue para os EUA, onde se torna um grande estudioso da lógica.

E não, o estudo da lógica não marca uma virada à direita. Eu diria: muito ao contrário!

Nada é mais libertador do que uma lógica, pois quem dispõe de uma lógica pode desbancar com argumentos sólidos alguém que se apresenta como dotô ou otoridade em algum assunto.

A lógica horizontaliza relações de poder. Na Sociedade do espetáculo Guy Debord, que filósofo analítico não era, lamenta que a lógica não esteja na grade de estudos das crianças.

Não estou dizendo que precisamos desbancar otiridades, pois é o contrário: toda e qualquer pessoa ou instituição que se apresenta como detentora de poder tem o ônus da prova, isto é, precisa explicar com que direito se diz uma autoridade, e cabe aos outros aceitá-la ou não. Eis novamente a horizontalidade, agora tal como defendida por um linguista que se diz anarquista, dialoga com a filosofia analítica e contribui muito para a mesma, Noam Chomsky.

No Brasil se imagina que a filosofia analítica está separada do mundo social, mas isso é descabido. Indo a algo que diz respeito a nós, a filosofia analítica está na base do programa bolsa-família.

Pois vejamos. Nos anos 1970s, com John Rawls, a filosofia analítica dá uma guinada prática, practical turn, com o espetacular projeto apresentado por Rawls em Uma teoria da justiça.

A ideia fundamental de Rawls é que todos têm os mesmos direitos, e toda ação social justa deve tratar desigualmente os desiguais, dando mais grana e oportunidades àqueles que estão nas piores posições sociais, pois só assim se chega a uma sociedade justa, a qual é uma sociedade igualitária.

Bem, é exatamente esse o princípio que sustenta o bolsa-família: dar algo a quem está na pior posição social, para que sua posição social melhore.

De modo que a filosofia analítica está fortemente vinculada ao mundo social, pois fornece a base argumentativa para um programa como esse, e para qualquer prática institucional que leve os mais pobres e excluídos a serem mais ricos e incluídos. Com o igualitarismo dos dias de hoje, a filosofia analítica leva adiante aspirações que eram socialistas em Carnap e Schlick.

Aliás, Schlick não fugiu do nazismo e foi assassinado por um estudante, o qual virou um herói nacional e quadro do partido nazi austríaco por ter assassinado o representante de uma "filosofia judia sem alma". Não, Schlick não foi assassinado por ser de direita. Bem ao contrário.

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Postagens relacionadas:

Divisão geométrica do terreno na Amazônia pré-colombiana

A foto acima vem da revista Antiquity, a base do artigo da New Scientist citado na postagem anterior. Dá para ver claramente duas "quadras" ligadas por um "caminho". 

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Desmatamento traz a luz mais indícios de civilizações amazônicas antigas

Tremenda ironia: os males do desmatamento trazem ao menos um bem, mais uma evidência de que havia civilizações amazônicas (imagino que mais do que uma) antes da invasão europeia do continente. Mas é ótimo ver mais evidências vindo a tona via GoogleEarth.

Não que isso fosse preciso, pois já há muita cerâmica, muitas pedras e outras evidências de concentrações humanas antigas.

Um bom livro sobre as cerâmicas amazônicas: Cerâmica Arqueológica da Amazônia, de Denise Maria Cavalcante Gomes. Logo coloco o link aí ao lado.

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PS - O livro de Denise Gomes tá esgotado. Sorte de quem tem :)

Copenhagen pode deixar os índios bilionários

At the Copenhagen climate conference, countries are expected to finance the preservation of forests around the world by awarding them carbon credits that can be sold to rich nations as a way for them to offset their greenhouse gas emissions.

Baker & McKenzie, the lawyers, has published an opinion stating the Surui tribe in Brazil would own any rights to carbon credits arising from their forests, under any international deal that may come out of the Copenhagen summit.

The legal opinion has yet to be tested in the courts but it could open up an important new chapter in the decades-long history of trying to prevent rampant deforestation.

If a meaningful forest-protection mechanism is implemented and the opinion is supported, the tribes would become extremely wealthy.

via ft.com

Notícia fantástica: tribos indígenas podem vir a receber bilhões em carbono-créditos internacionais pelo manejo sustentável das florestas.

Já pensou? Hoje a Embraer faz entrar bilhões no Brasil. Em anos a vir, os índios e a Embraer farão isso. :)

Eis mais um motivo para punir e prevenir a grilagem de terras.

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2009-12-09

Vamos dizer claramente: o governo Lula é liberal

Vamos dizer o que ninguém quer dizer, mas tá na cara: o governo Lula é liberal. E isso é ótimo. 

O pessoal de esquerda não quer dizer isso porque privilegia a tradição socialista à tradição liberal. Mas, por que não seguir o caminho liberal? Chomsky tomou esse caminho, por exemplo. 

O pessoal de direita não quer dizer isso porque privilegia seja a visão liberal que está no início d'A riqueza das nações, de Adam Smith, seja a visão de Hayek. No entanto, o ponto de Smith diz menos respeito à mística "mão invisível" do que aos horrores morais que podem surgir da nova vida industrial. Por exemplo, Smith se horroriza com o fato de uma pessoa poder vir a levar uma vida exageradamente empobrecida do ponto de vista espiritual, por fazer sempre a mesma função em uma fábrica. Isso que fazemos aos animais lhe preocupa, e é claro que ele não quer tal tipo de coisa. 

O pessoal hayekiano tem um problema mais grave: não faz nenhum sentido confundir liberdade com a posse de alguns mijados. Liberdade concreta é algo muito distinto daquilo que eles defendem sob esse nome. 

Assim, ninguém quer dizer isso. Mas isso precisa ser dito. O governo Lula é liberal. É isso. 

O governo Lula é liberal, e vem do melhor liberalismo da atualidade, o igualitarismo liberal defendido por John Rawls e outros. Eis a ideia fundamental: todos têm o mesmo conjunto de direitos e prerrogativas, mas se age de maneira diferente com os diferentes, pois se dá mais vantagens sociais a quem tem menos dessas. 

Isso é liberalismo igualitário, gente. Não é socialismo, muito menos comunismo. 

Que o governo Lula é liberal se vê pelas suas práticas, como o internacionalmente elogiado programa de distribuição de renda, o qual é uma espécie de imposto negativo para os mais podres, bem ao estilo do igualitarismo liberal. 

Mas também se vê pelo discurso. Hoje o Blog do Planalto disse que estamos no Momento ideal para fazer a equalização social do País. Eis aí a justiça como equidade, justice as fairness

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3 espelhos

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Enquanto Arruda curte um ar condicionado...

...manifestantes são atropelados por cavalos da polícia, em Brasília.

Não perde teu tempo indo atrás do que TVs e jornais dizem sobre isso. Pra que ouvir o chalalá que a polícia só agiu depois que os manifestantes começaram a roer com os dentes as patas dos cavalos?

Vai direto no Túlio Vianna http://twitter.com/tuliovianna

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Laranja Mecânica por Andy Warhol

Vinyl

By Jim Hoberman

Wednesday, December 9th 2009 at 3:43am

Dir. Andy Warhol (1965). The Warhol Factory actually paid Anthony Burgess for the rights to A Clockwork Orange—adapted here in two hilariously desultory half-hour takes, enlivened by star Gerard Malanga’s frenzied Watusi to “Nowhere to Run.” The camera is fixed—where was he going to go?

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Filósofo se revolta contra trabalho gratuito para a indústria de periódicos pagos

Warren Goldfarb (Harvard) raises an interesting issue:

I was wondering whether you'd like to muse about a topic on your blog, namely, that of refereeing for for-profit journals. I was just asked to referee something for Erkenntnis, which is a Springer journal. I began to think, why should I donate my time for no compensation to a for-profit enterprise? It's one thing when a not-for-profit journal asks (for me, it's usually the Jnl. Symb. Logic, or Notre Dame Journal of Formal Logic, or Mind), but why should I give my time gratis to help Springer or Elsevier make money?

The culture of journal refereeing as a duty of the professoriate in a subject, without compensation, developed when journals did not make any profit. It continues only because we are not interrogating the changes that academic publishing has undergone. (Book refereeing has always been compensated, even from university presses, because the publication was supposed to make some kind of money, even if for a non-profit entity.)

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Saiões de veludo são um pecado

Genial! Uma fundamentalista vestida de saião de veludo prega ódio na Universidade de Syracuse com sua placa "homossexualidade é pecado". Um contra-ativista improvisado responde com a placa "saias de veludo são um *pecado*".

Este tipo de ativismo é ótimo. O ponto é simples e direto: causar desconforto inesperado em quem te deixa desconfortável. Foi assim que esta pregadora do ódio em uma comunidade tolerante experimentou do próprio remédio.

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Disclaimer

Nota bem que eu publico aqui opiniões de diversas pessoas, o que não quer dizer que eu concorde com tudo. A responsabilidade pelo que reproduzo aqui é dos autores citados. Essa responsabilidade se estende aos autores dos comentários feitos às postagens deste blog.