2009-04-28

o estranho sucesso de macintyre

se há algo que não se justifica é o sucesso do livro _depois da virtude_, de alasdair macintyre, no ensino superior, principalmente nas faculdades de direito

o livro diz que os modernos tem um arremedo de moral --- eis sua conclusão

mas, na verdade, macintyre tem um arremedo de argumento, só isso

ele diz que os modernos, uns caras tontos como diderot, hume, kant e kierkegaard, não se ligam que o conceito de ser humano que eles herdam tinha, como suas notas, a finalidade humana (herança aristotélica) e a obediência a deus (herança cristã, medieval, tomista)

mas os modernos falam do ser humano sem considerá-lo como algo que tem um fim ou é obediente a deus

logo, conclui macintyre, os modernos, do algo da sua ignorância, não percebem que querem fazer o impossível: falar de um ser que é obediente a deus como se assim não fosse

mas a conclusão de macintyre não segue das premissas, pois é mais do que normal e usual e saudável que um conceito mude

veja o conceito de água

segundo as melhores teorias medievais, água é um dos quatro elementos que compõem tudo o que há no universo material

mas daí vieram uns químicos, e mostraram que a água não é um elemento, mas sim um composto de hidrogênio e oxigênio, h2o

se aceitássemos o argumento de macintyre, teríamos que dizer que os químicos são uns tontos, pois não perceberam que ser-um-elemento é uma nota fundamental do conceito de água que eles herdaram

mas macintyre está errado --- os químicos modernos mudam o conceito de água, e mudam para melhor

assim, o que macintyre diz não é lá uma boa teoria --- e teses mui estranhas que ele apóia em tal base, como a tese que direitos humanos são mera fantasia, não seguem --- há direitos humanos, os quais se apóiam na visão moderna da moral, a qual não vê o homem como um súdito de deus, mas sim como um ser autônomo, igual e fraterno. 

2009-04-27

pra relaxar: cansei!!


dia produtivo --- idéias em ordem, tese andando ---- então, pra relaxar, eis acima um lance hilário da desciclopédia ---- como cheguei na dita:

biscoito finowalrusdesciclopédia: movimento cansei

recomendo as postagens citadas acima, pois documentam bem algumas tosquices e um plágio em um artigo "científico" (huahuahuaaa) publicado na tal revista veja
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The Guitar



ane shu descobriu este filme simples e surpreendente, dirigido por amy redford (2008), estrelado por saffron burrows. 

é sobre lidar com a finitude e com a morte com muita vida. 

o filme é do ano passado. alguns links:

2009-04-20

A epidemia de crack no RS

Se eu tivesse que escolher um único problema para nossa sociedade enfrentar com esforço, determinação e seriedade, eu escolheria a epidemia de crack. E, ainda que tal esforço fosse feito, tenho dúvidas sobre a rapidez ou permanência do sucesso. 

O problema tem tantas dimensões que é difícil começar. Mas eis um bom ponto de partida: o problema é nosso, de diversas maneiras. 

O problema diz respeito às pessoas que estão nos nossos círculos de amor e amizade, e me parece uma omissão cruel que algo tão grande como essa epidemia pleonasticamente social de crack seja dissimulada como problema pessoal ou íntimo de algumas famílias e amigos. Conto uma anedota dolorosa. É anedota porque ouvi de segunda mão, o que já indica a minha distância em relação ao fato. Um dos meus amigos de infância foi recolhido ao Presídio Central por tráfico de crack. Trata-se de um adulto que vive uma vida confortável, pai de família, profissional competente de classe média. Reza a anedota que, quando sua mãe foi buscá-lo ao ser solto, ele não queria sair, pois se dizia em casa no presídio. Em casa. É uma degradação que me dói bastante, seja pelo amigo, seja pelos outros velhos amigos em situação parecida. 

O problema diz respeito à moralidade. Em alguns casos, o que temos é um indivíduo que chegou a ser um adulto autoconsciente que se autodetermina, conhecendo o impacto das alternativas que escolhe, mas não é mais. No passado, esses adultos hoje viciados em crack escolheram fumar a pedra, mas após a quarta ou sexta pedra seu poder de escolha praticamente sumiu, pois foi muitíssimo mitigado. Claro, esses adultos são responsáveis pelos seus atos e suas consequências, ao menos se sabiam de tais consequências. Caso não soubessem, deveriam saber, mas... nós, a sociedade, estamos informando adequadamente as pessoas, sejam essas adultos ou crianças? Qual o impacto das informações que fornecemos, se as fornecemos, ante o impacto da ainda existente glamurização do vício? Nada tenho contra tal glamurização, desde que fique claro, a todos, que se trata de uma grande idiotice, de uma tolice que não vale a pena. Mas, estamos deixando isso bem claro?  

Ainda quanto à moralidade, há outras questões graves e importantes. Em certo sentido, o dependente não é independente, pois seu poder de escolher ser dependente ou não da pedra praticamente evaporou-se. Mas, se não há tal autonomia, o que dizer dos atos praticados pelos dependentes da pedra? São atos imorais? Eu acho que são imorais caso o início do consumo da pedra tenha sido o ato de um adulto informado das consequências. Mas, o que dizer quando se trata de uma criança sem informação alguma? Acho que aqui não há responsabilidade. Isso é importante, pois não são poucos os os infantes dependentes de crack. 

Quanto à legalidade, as coisas são diferentes. Tribunais cuidam do que dizem as leis positivas, não dos princípios e escolhas morais. Não sou especialista no assunto, então o que digo é de pouco valor. Eis meu palpite: nosso problema não é falta de leis, mas sim falta de implementação de estruturas já previstas nas nossas leis. Todas essas estruturas cabem na rúbrica vaga do "social". Algumas têm a ver com o sistema penal, mas as mais importantes têm a ver com educação e saúde. 

Quanto à responsabilidade do problema, trata-se de um problema social que precisa ser abordado pela sociedade como um todo. Quanto às decisões, não pode ser um problema do governo estadual, pois é algo sério demais para ser deixado nas mãos de quem se mostra tão inábil e incompetente. Nós, de baixo para cima, precisamos fazer os poderes e instituições se moverem. Não sei como isso pode ser feito, mas imagino que a informação do fato da epidemia, das suas dimensões e das suas consequências é um bom começo. E acho que há profissionais competentes da saúde e da segurança que podem nos orientar, dando início a um debate público bem informado, o qual seria um motor para as práticas administrativas e também para as práticas sociais, pois, repito, o problema é nosso.  

Há ainda outros problemas. Um amigo que trabalha com saúde pública informa que a epidemia de crack também atinge policiais, e é preciso que esses dependentes possam tratar abertamente do seu vício, e que recebam o tratamento adequado. Creio que alcançar uma polícia mais justa e eficiente passa por tratar bem os policiais, e isso requer que eles possam se mostrar humanos e falíveis. 

É por ter tantas dimensões, e por ser tão grave, que esse problema merece atenção. Focar nesse problema é mitigar vários outros problemas sociais, a começar pelo número de furtos, visto que muitos dependentes furtam de parentes ou transeuntes para consumir a pedra. E isso revela uma causa de furtos que pode ser mitigada, caso o problema do crack seja mitigado. É claro, a coisa é maior do que isso, e há muito mais envolvido. Trata-se de um problema que atinge ricos e pobres. Nas últimas semanas, pais de classe média têm atirado e mesmo matado seus filhos dependentes, o que me parece a dor das dores, e é uma dor nossa, dado o quadro total. Mas a coisa não é recente. Nas classes mais baixas é comum -- e, como também é comum, não é notícia -- que pais acorrentem seus filhos dependentes para protegê-los do vício. Eis, novamente, a questão moral. Alguém não está sendo um adulto independente que se autodetermina, seja por ser uma criança, seja por ter agido sob ignorância, seja por ter a capacidade de escolher fortemente mitigada, o que faz com que pessoas prendam esses dependentes às suas camas. Não estou dizendo que isso é certo, nem tenho certeza sobre a correção dessa descrição de tais fatos, mas sei que seria leviano descrever tal tipo de situação como um caso de cárcere privado, e nada mais. E, pelo que vi no documentário sobre a epidemia de crack exibido semana passada pela TVE-RS, sei que os policiais também têm tal conhecimento, o que indica que esses profissionais da segurança têm algo a nos ensinar. 

Essa é uma batalha coletiva que precisa ser lutada pela sociedade, e acho que se lutássemos bastante conseguiríamos mitigar um pouco o problema, talvez controlá-lo em parte. Seria ingênuo querer vencer tal problema, erradicar o crack. Isso simplesmente não vai acontecer. Mas precisamos ao menos dar a cada um a chance de ser um adulto com poder de escolha efetivo, o qual é fruto da informação. E precisamos também, seja pelas pessoas, seja pela sociedade, investir na reabilitação e prevenção da reincidência dos dependentes da pedra, os quais somam quase 50 mil pessoas no RS. 

Brent Bonacorso

Memória americana

Após a última Cúpula das Américas, nos tornamos um continente de amor em um mundo ainda marcado por muito ódio? 

Nas relações entre os povos, assim como nas relações pessoais, raros são os casos nos quais os parceiros de hoje não se ofenderam ou não se agrediram no passado, quando não se exploraram ou abusaram uns dos outros. Em tais casos, como lidar com o passado? O melhor, creio eu, é tomar o passado de dor como caso ou exemplo do que não deveria ocorrer, e construir um futuro que seja tal como o passado deveria ter sido, com amor e justiça. 

Acho que esse caminho se abriu para os povos e Estados das Américas após a última Cúpula das Américas. Podemos ver o passado de maneira exemplar, e construir um futuro de justiça e amizade. 

Isso se contrasta com o que ainda vemos na Eurásia, como indica o barulho que um Estado como Israel tem feito contra a Conferência Anti-Racismo da ONU. É claro, a culpa não é apenas de Israel, mas de uma visão literal da memória que também era a dos sérvios. Essa visão levou a massacres em Gaza, assim como levou a massacres na antiga Iugoslávia. Lá, o passado de violência não é visto como um exemplo do que o futuro não deve ser, mas como dor literal, como ferida ainda aberta, como cicatriz horrenda que clama por vingança. Assim, se cria um futuro de mais violência, a qual será realimentada pela visão literal da memória. 

Nas Américas se abre o espaço para a justiça pura e simples, a qual é uma relação na qual quem no presente está atrás dos outros é beneficiado em primeiro lugar, quando se trata da partilha daqueles bens que pertencem ao todo social, o qual no mundo atual é global. Não creio que isso vai acontecer tão cedo, e é bem provável que nem ocorra caso não se busque a justiça, mas creio que o espaço espiritual para esse cenário futuro de amor e justiça se abriu, e me alegra a visão e o ar puro que transita por essa janela.  

Atualizado 9h45

2009-04-15

Coisas que posso dizer #33

#33

Num certo sentido, fazer metafísica é fácil, pois se você falar de qualquer coisa, ou mesmo de nada, está no tema.

2009-04-13

O que o público acha do RS com governo fora da casinha?

well, nossa estranha governadora viajou, no sentido literal do termo, pra frisco city. se largou pro norte, sem deixar ninguém esquentado sua cadeira. bem muderrna, governou por mensagens sms. ficamos com um governo fora da casinha, o que não surpreendeu o povo:

no diário de canoas
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2009-04-10

O MST nos ensina uma lição

Leio no Dialógico sobre o caso das escolas do MST, e fico feliz com o resultado. Não há mais a tentativa de fechar tais escolas premiadas pela Unicef. A educação vence o disparate, restaura-se a ordem após o vandalismo.

O MST, com sua tradição de busca pelo justo, tem muito mérito nessa vitória, e nos ensina uma lição. Nós, os gaúchos em geral (alô pessoal preconceituoso, eu digo "gaúcho" e nasci em SP, viva com isso), também deveríamos ter buscado o justo no caso do fechamento de dezenas de escolas estaduais pela governadora Yeda. Se tivéssemos feito isso, teríamos feito ela recuar, e teríamos preservado um patrimônio que foi o resultado da luta de gerações e gerações de pais que queriam escolas para seus filhos. Eu já fui professor em escola rural, e sei como cada nova salinha em uma escola distante é o fruto do esforço de pais, avôs, tios, vizinhos, e mesmo de vereadores de partidos tradicionais como o PMDB e o velho PDS (vá saber o nome do partido de Maluf hoje).

O que Yeda fez com a educação em escolas públicas é um disparate. 50 alunos em uma turma é absurdo. Se é para ser assim, então feche de uma vez todas as turmas em todas as escolas, Dra. Yeda, sem esquecer de fechar também as escolas e despedir todos os professores. Isso sim seria uma grande "economia", Dra. Yeda, caso você queira continuar usando o termo de maneira idiossincrática, desligando-o do futuro, da realidade e de qualquer coisa que valha a pena ser chamada de planejamento.

2009-04-08

Vista

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O Livro Tibetano dos Mortos e o sexo

Finalmente entendi o Livro Tibetano dos Mortos. É uma metáfora da libertação sexual.

Basicamente, o livro te explica o que tu precisa fazer para chegar ao nirvana depois de morto, saindo do ciclo de reencarnações. Primeiro precisamos passar por demônios medonhos e barulhentos, mas inofensivos, depois temos que ir reto para a luz branca.

Trata-se de uma metáfora da relação de alguém com seus desejos sexuais mais do fundo. O morto é aquele que não os tem à tona; os demônios são os medos, preconceitos e moralistas; a luz branca é a tranquila decisão de trazer à superfície a vontade e a prática do sexo o tempo todo, da masturbação, da transa com pessoas do mesmo sexo, da troca de parceiros, do amor grupal e de muito mais; e as reencarnações são as neuras e tristezas daqueles que escondem tais desejos no fundo escuro de si mesmos.

(Estas coisas me vem à cabeça de ler e curtir o blog Palavras de Osho.)

Disclaimer

Nota bem que eu publico aqui opiniões de diversas pessoas, o que não quer dizer que eu concorde com tudo. A responsabilidade pelo que reproduzo aqui é dos autores citados. Essa responsabilidade se estende aos autores dos comentários feitos às postagens deste blog.