2009-03-25

Dantas réu: Silêncios e alardes seletivos na Folha e n'O Globo

Metanotícia (ah, como sou pedante!) mui importante no Observatório da Imprensa:
"A Folha de S. Paulo e o Globo ignoraram a notícia, mas o Estado de S.Paulo publica na edição de terça-feira (24/3), com destaque, que o Tribunal Regional Federal da 3ª Região impôs ontem uma importante derrota à estratégia de defesa do banqueiro Daniel Dantas.

O controlador do banco Opportunity queria trancar a ação penal nascida da acusação de corrupção ativa, por tentativa de subornar um delegado federal para ser excluído da chamada Operação Satiagraha.

A decisão é fundamental para o prosseguimento das ações judiciais contra Dantas. Por essa razão, os leitores da Folha e do Globo ficarão menos informados sobre o assunto do que os leitores do Estadão.

A defesa de Daniel Dantas queria que a Justiça Federal considerasse irregular a parceria feita entre a Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência – Abin – durante as investigações. Se a Justiça acatasse essa tese, o processo poderia ser abortado, mas os magistrados votaram por unanimidade considerando que a ação conjunta entre a Abin e a Polícia Federal não tem nada de errado.

Muito barulho

Fica, portanto, sobre a mesa, uma questão incômoda para ser respondida pela imprensa. A quem mais, a não ser ao próprio Daniel Dantas, interessaria toda a campanha feita principalmente pelos jornais O Globo e Folha de S. Paulo e pela revista Veja, no sentido de criminalizar as ações da Polícia Federal junto com a Abin?

Fica evidente, até mesmo para o leitor mais distraído com a paisagem, que parte da imprensa brasileira tem dedicado os últimos meses mais energia e espaço à tentativa de desqualificar os investigadores do que a investigar o acusado.

Foi tão desproporcional a concessão de espaço para supostas revelações sobre desmandos atribuídos ao delegado Protógenes Queiroz e ao juiz responsável pelo caso Satiagraha, Fausto de Sanctis, que algum leitor poderia supor que o delegado e o juiz é que eram os principais acusados."
Via BlogoleoneBlueBus.

2009-03-24

O Amor nos Tempos do Cólera, o filme



Não acho que um filme baseado em um livro precisa ser fiel ao livro, pois são duas obras de arte distintas, cada qual criando suas próprias regras.

Mas, como leitor, adoro encontrar outros leitores que amam os mesmos livros que eu amo.

Bem, amo a literatura de Garcia Márquez, e já li seu livro O Amor nos Tempos do Cólera duas vezes. A cada vez, compro um novo exemplar, e ao final da leitura dôo o mesmo a alguma instituição. O primeiro exemplar foi doado à Biblioteca Pública de Parobé, RS. O segundo foi doado à instituição menos formal do passar adiante aos outros, esperando que o exemplar não volte mais, e circule ao máximo, sendo lido o tempo todo. Mas, que digressão! .....

Voltando ao tema, como leitor de Gabriel Garcia Márquez, fiquei tocado pelo modo como o diretor Mike Newell, o pessoal do roteiro e o ator Javier Bardem expressam seu amor pelo livro com sua arte, no filme O Amor nos Tempos do Cólera. O Florentino Ariza de Bardem é muito Florentino Ariza. É a obra de um grande ator, e de um leitor com amor e sentimento pelo livro.
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2009-03-23

Hunger (Fome), o filme



Fiquei interessado pelo filme, depois de ler sobre na Salon, na coluna de Andrew O'Hehir, e não me arrependi. Vale a pena ver também um documentário da BBC sobre a greve de fome dos membros presos do IRA. Eles queriam ser tratados como prisioneiros políticos, não como prisioneiros comuns.

Ver também:

Coisas que posso dizer #32

#32

Nesta terra violentada por Gilmar Dantas e Daniel Mendes, ir em cana é certificado de lisura nas altas esferas judiciais.

2009-03-21

Um tiro, duas mortes

Camiseta usada pelos atiradores de elite (snipers) da Brigada Givati do exército de Israel. Mostra a barriga de uma grávida muçulmana sob a mira do rifle, e traz a legenda "1 tiro, 2 mortes".

Via Mondoweiss. Lá tem mais dessa nojeira. Este bloguista judeu nota que assim dá para entender o clima que gerou o Massacre de Gaza, no qual milhares de palestinos foram mortos, e uma dezena de israelenses morreu, praticamente metade desses por fogo amigo.

Na mesma linha, há ainda os recentes relatos de soldados israelenses sobre os crimes de guerra. Mais nojeira repugnante. Sem comentários, a não ser, considerando as camisetas acima: que padrão moral, hein?

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2009-03-18

Daniel Dantas: "brilhante" ou "escroque"?

{{pt|O sociólogo e político brasileiro, ex-pre...Image via Wikipedia

Atualizado 10h30.

No dia 8 de julho de 2008, a Terra Magazine de Bob Fernandes nos informa em primeira mão, com exclusividade, da prisão do banqueiro Daniel Dantas. A reportagem "PF prende Dantas e organização criminosa" nos informa que a Polícia Federal rastreou quase 2 bilhões de dólares circulando em paraísos fiscais. A prisão de Dantas foi difícil, pois havia espionagem de Dantas na Polícia Federal, como nos informa a reportagem "PF viveu guerra e espionagem para prender Dantas", do dia 9 de julho de 2008.

Prender Dantas não foi nem um pouco fácil. Ele deixa poucos rastros, e suas ações são pulverizadas por ao menos 151 estruturas detectadas, como nos informa a reportagem "O inferno de Dantas", de 8 de julho de 2009.

Há, além do mencionado acima, muitos detalhes da operação que levou à prisão de Daniel Dantas que não podem ser esquecidos, nem perdidos em meio à balbúrdia e à confusão. Todos os brasileiros com mais de 13 anos de idade precisam conhecer esses documentos. Uma maneira simples de consultá-los é seguir a tag Satiagraha da Terra Magazine. Nossos pais, irmãos, tios, avôs, vizinhos e colegas de trabalho precisam conhecer essas reportagens.

No momento atual, Dantas, indiciado por corromper partes da mídia e do judiciário, está levando a melhor em alguns jornais, revistas e tribunais. Isso é grave, pois está em jogo muito dinheiro, e corrupção graúda.

Em um momento grave, figuras notaveis aparecem e guiam, para o bem ou para o mal. O que o Sr. Fernando Henrique Cardoso, o distinto intelectual e ex-presidente da República, tem a dizer sobre o Sr. Daniel Dantas? Pasmem, pois FHC disse, sobre Dantas:
"Não conheço bem, mas dizem que é brilhante." (Via Nassif)
"Brilhante". Eis o juízo do notável FH sobre o Sr. Daniel Dantas, um homem envolvido em crimes bilionários, e difícil de pegar, mas pego por funcionários que cumpriram suas funções republicanas.

Aqui, simplesmente não há como não comparar o que o notável ex-presidente FH diz sobre Dantas com o que o muito mais respeitável Sr. Luis Inácio Lula da Silva disse sobre o mesmo cidadão. Sobre Dantas, Lula disse:
"É um escroque." (Via Terra Magazine)
Bons pensadores e bons intelectuais são conhecidos pelo uso preciso e apropriado das palavras. O uso preciso é aquele no qual a palavra é a mais acertada, e um uso apropriado é aquele que leva em conta a situação de emprego da palavra. Ora, o distinto intelectual FH erra em cheio e é totalmente inconveniente quando chama o indiciado por corrupção graúda Daniel Dantas de "brilhante". E o metalúrgico Lula é preciso e apropriado ao chamar esse cidadão de "escroque".

Não podemos nos esquecer que Daniel Dantas foi condenado a dez anos de prisão por corrupção. O homem que FH chama de "brilhante", e que Lula chama de "escroque", é um condenado pela justiça. Um condenado! O que FH vê de brilhante nas ações desse homem condenado por corrupção? Não podemos nos esquecer que, em uma gravação legalmente feita pela Polícia Federal, o banqueiro Daniel Dantas insinua que pode influenciar o presidente FHC. Dia a reportagem da Terra Magazine:
"No diálogo entre Dantas e sua diretora jurídica, Danielle Silberglade Ninnio, o banqueiro ensaia vender influência junto ao presidente e a importância da sua presença na montagem do fundo." ("Em diálogos, Daniel Dantas cita FHC", de 2008-07-15)
Na mesma reportagem temos a defesa de FH, dizendo que isso "não tem base". Eu espero que não tenha, mas também espero que o Sr. FH pare, pense e veja se esse sujeito, condenado por corrupção, é mesmo "brilhante", assim com aspas-que-assustam.

O que há de "brilhante" nas ações de um homem que foi condenado por corrupção envolvendo fundos de pensão e telefonia? O que é "brilhante"? Supondo que FH seja contrário à prática da corrupção, e sabendo que estamos falando de um condenado de corrupção, FH acha "brilhante" alguém que enlameou seu governo, envolvendo-o em crises e escândalos? É incompreensível.

Já "escroque", o dito de Lula, dá para entender.

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Venda de jornais e revistas no Brasil (pensando em voz alta)

"Ditabranda": O primeiro leitor a en...Image by Panoptico via Flickr

Vi através do Cloaca News que a Folha de São Paulo tinha tiragem de 500 mil exemplares quando era mais lúcida e informativa, lá por 1998, e tem tiragem de 200 mil agora, quando é obscura e enganadora.

Estou só falando dos fatos, sem fazer relações de causa e efeito. Mas é impressionante, não? Mesmo com a queda global da venda de jornais, o Brasil cresceu nos últimos dez anos, havendo uma classe média e potencialmente consumidora de informação bem maior. E as vendas de jornais e revistas estão aumentando no Brasil (veja abaixo).

Se houver algum veículo cuja tiragem aumentou nos últimos dez anos, talvez tenhamos algo que mostra que há busca por informação. Não é o caso da CartaCapital? Sua tiragem atual é de 75 mil exemplares, provavelmente bem mais do que em 1998. Mas talvez haja incomensurabilidade entre os dados, e não seja possível comparar uma coisa com a outra.

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2009-03-16

Criancinhas pro jantar

Ah, estes comunistas! Lula e Obama sorrindo, após o chef do restaurante da Casa Branca anunciar que seriam servidas criancinhas para o jantar.

O recorte vem do Língua de Trapo.

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Caso Dantas cada vez melhor

The logo of the Brazilian Federal Police (Polí...Image via Wikipedia

Estamos vendo jornais, revistas e membros graúdos do judiciário defenderem Daniel Dantas ao arrepio da ética profissional e da prática jurídica. Isso incomoda a todos nós, mas, em certo sentido, quanto mais os jornais, revistas e grão-juízes defendem de maneira apatetada o Dantas, melhor fica.

Explicando:

A Polícia Federal colheu fortíssimos indícios de que Dantas corrompe juízes e jornalistas. Ora, o que seria de se esperar, se isso fosse verdade? Bem, nada menos do que os corrompidos fazendo de tudo para satisfazer o corruptor. Ora, sendo assim, e se vemos o tempo todo jornais, revistas e juízes graúdos defendendo Dantas ao arrepio da lei e da ética, temos ainda mais fortes indícios que corroboram aquilo que as investigações da Polícia Federal descobriram: Dantas corrompe juízes e jornalistas.

Ou seja, no final das contas, quanto mais as revistas, jornais e juízes se aloucam defendendo Dantas ao arrepio da lei e da moral, mais razões temos para crer que a Polícia Federal tem razão. E menos razões temos para confiar nos jornais, revistas e juízes que se apressam nessa prática estabanada.
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2009-03-02

Análise lógica de um texto de Brossard

A postagem abaixo é de um blog que será direcionado aos meus alunos de Introdução ao Pensamento Filosófico, e trago para cá por se tratar de uma aplicação dos métodos da lógica que certamente é do interesse do público instruído em geral. Em resumo, aplico métodos de extração e avaliação de argumentos a um texto do Brossard que saiu na Zero Hora de hoje.

* * *

Lógica e argumentação: análise de um texto de Brossard

Começo a dar exemplos de aplicações do método de extração e avaliação de argumentos de Alec Fisher, usando textos de jornais. Isso permite mostrar duas coisas. Primeiro, o quanto é difícil identificar argumentos. Segundo, o quanto podemos ir longe quando estamos equipados com tais ferramentas de análise.

O texto original, sem as marcações abaixo, está disponível no site do jornal Zero Hora em 2009-03-02. Eis as convenções das marcações que utilizo:
  • Cada parágrafo do texto recebe uma letra que o identifica, para simplificar a referência posterior: (a), (b), (c), etc.
  • Palavras e expressões que indicam raciocínio ou inferência são colocados em maiúsculas: NO ENTANTO, PORÉM, POR ISSO, PORQUE etc.
  • Razões são precedidas de um número de identificação (1, 2, 3 etc.) e colocadas entre chaves ({, }).
  • Conclusões (as quais também são razões numeradas) são sublinhadas.
  • A derivação lógica das razões é colocada entre os marcadores "\" e "/".
  • O símbolo "→" indica as premissas à esquerda e a conclusão à direita.
Vamos à extração e avaliação da argumentação de Paulo Brossard.

Dois cubanos e um italiano

Paulo Brossard

(a) O leitor deve estar lembrado, foi nos jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro, em meados de 2007, quando dois boxeadores cubanos desligaram-se da competição e desapareceram com a intenção de permanecer no Brasil; encontrados em Cabo Frio, presos pela Polícia Federal, encaminhados a Brasília, em avião da Venezuela, contratado pelo governo cubano, foram deportados para a ilha, sob a alegação oficial de que pediram para retornar a sua terra! Pouca gente acreditou na maroteira, mas o governo não se pejou de jurar que a súplica dos atletas fora real e jamais deveria ser tomada como trampolinagem.

(b) Também 1 {circulou aqui que os desertores não sofreriam sanção alguma}. NO ENTANTO, 2 {nunca mais puderam exercer o esporte no qual eram campeões e foram impedidos de disputar os jogos de Pequim} \se 2, então 1 é falso, ou: 2→não-1/. Tiveram de comer o pão que o diabo amassou, como se tornou público. Ocorre que, em meados do ano passado, um deles conseguiu evadir-se, via México, para a Alemanha. O outro, Rigondeaux, campeão mundial e olímpico, tentou escapar como Lara, e não teve êxito. Agora, porém, logrou libertar-se e chegou a Miami e, salvo engano, em breve também estará na Alemanha, amparado por outros atletas. Em declaração à imprensa desafivelaram a patranha aqui engendrada e juramentada, afirmaram que não desejavam retornar e que haviam pedido asilo. Pouco importa o nome ou os nomes das autoridades que faltaram com a verdade em assuntos que diziam respeito a seriedade do Brasil no plano exterior. O que é grave é 3 {quem faz isso, faz qualquer coisa. Aí está a gravidade das gravidades.} \tentativa de concluir 3 de 2→não-1, mas a conclusão não segue das premissas/

(c) Pois bem, o caso dos cubanos retornou à publicidade no momento em que outra tranquibérnia colocou o Brasil em desconfortável situação, graças ao manto protetor que abrigou o condenado, cuja extradição fora requerida pela Itália. Embora procurado por mais de um jornal, tenho me esquivado de falar acerca do assunto; abstive-me de opinar a respeito; mas não posso deixar de salientar a coincidência, ou não, de que o caso dos cubanos desnudou a trampolinagem cometida com a extradição escamoteada. E neste caso, com a agravante de o presidente da República ter chancelado explícita e publicamente a velhacaria. São fatos que se não permitem, em havendo um mínimo de seriedade governamentativa. Repito, 4 {quem faz isso, faz qualquer coisa. E isso poderá ser tudo, menos coisa louvável.} \4=3, mas também não segue de 2→não-1/

***

(d) Tinha muito a dizer a respeito da “marolinha”, mas seria necessário uma página do jornal. Rendo-me ao inevitável.

(e) Tenho em mãos dois livros que me causaram viva surpresa, ambos da EST Editores, do benemérito Frei Rovílio Costa. “Africanos na Santa Casa de Porto Alegre. Óbitos dos escravos sepultados no Cemitério da Santa Casa, 1850-1885”, com estudo introdutório de Moacyr Flores. O outro, “Que com seu trabalho nos sustenta. As cartas de Alforria de Porto Alegre, 1748-1888”, sob a responsabilidade de Paulo Roberto Staudt Moreira e Tatiani de Souza Tassoni. Confesso minha perplexidade. Foram tirados do silêncio secular e tumular como pedaços do subsolo social da nossa terra. Rendo homenagem ao esforço beneditino de seus promotores.


Este texto toca em diversos temas, mas me concentrei no seu tema central. Brossard apresenta as seguintes premissas:
1 {os desertores não sofreriam sanção alguma}
2 {nunca mais puderam exercer o esporte no qual eram campeões e foram impedidos de disputar os jogos de Pequim}
A relação entre as premissas é a seguinte. Como 2 é o caso, aquilo que foi dito anteriormente que aconteceria, 1, não é o caso. Ou seja, se 2, então não 1; ou: se 2 é verdade, então 1 não é verdade; e 2 é verdade; logo, 1 não é verdade. Na nossa notação: 2→não-1. Essa derivação está em boa ordem lógica. Mas não se pode dizer o mesmo da tentativa de concluir 3 e sua equivalente 4 de 2→não-1. Eis essa conclusão:
3 {quem faz isso, faz qualquer coisa. Aí está a gravidade das gravidades.}
4 {quem faz isso, faz qualquer coisa. E isso poderá ser tudo, menos coisa louvável.}
Do ponto de vista lógico, o problema é que simplesmente não segue que o "quem" do qual se fala (o contexto deixa implícito que é o governo federal) faça qualquer coisa, caso seja o caso que os atletas sofreram sanção, embora tenha se dito (o governo federal disse, pelo que está implícito no contexto) que eles não sofreriam sanção alguma. De 2→não-1 segue uma conclusão bem mais fraca do que esta: alguém se enganou sobre o que iria acontecer. Podemos mesmo adicionar, sem violência à lógica, que esse engano está vinculado a consequências práticas danosas aos atletas dos quais se fala. No entanto, não segue de 2→não-1 que quem se engana assim faz qualquer coisa. Seria preciso uma argumentação muito mais clara, detalhada e completa para se chegar a tal conclusão.

PS - A conclusão 4 poderia receber uma análise mais detalhada:
4 {quem faz isso, faz qualquer coisa. E isso poderá ser tudo, menos coisa louvável.}
Brossard está dizendo que fazer qualquer coisa não é louvável. Isso é verdade. Louvável é fazer apenas o que é certo. No entanto, isso em nada muda o resto do quadro, pois não se pode dizer que o "quem" do qual Brossard fala "faz qualquer coisa". Logo, não se pode dizer que esteja fazendo algo que não é louvável por essa razão, embora possa estar fazendo algo que não é louvável por outra razão, a qual precisaria ser apontada para que o raciocínio estivesse em boa ordem lógica.

Disclaimer

Nota bem que eu publico aqui opiniões de diversas pessoas, o que não quer dizer que eu concorde com tudo. A responsabilidade pelo que reproduzo aqui é dos autores citados. Essa responsabilidade se estende aos autores dos comentários feitos às postagens deste blog.