2009-02-27

Meu Destino É Ser Onça

Acabei de comprar e estou louco para começar a ler Meu Destino É Ser Onça (Record, 2009), mito tamoio ou tupinambá restaurado por Alberto Mussa. Diz a sinopse:
Após estudar os fragmentos de registros feitos pelo frade André Thevet sobre a cultura indígena durante a ocupação da Baía de Guanabara, em 1550, e cotejá-los com as demais fontes dos séculos XVI e XVII, o autor reconstituiu o que teria sido o texto original de uma narrativa mitológica da tribo tamoio (os tupinambá do Rio de Janeiro).
A orelha do livro dá mais informações suculentas:
Alberto Mussa montou uma espécie de quebra-cabeça e reconstituiu o que teria sido o texto original de uma grande narrativa mitológica dos tupinambá -- que abarca a história completa do universo, de suas obscuras origens ao iminente cataclismo final. O tema central [...] é a busca da terra-sem-mal. [...] a complexidade metafísica tupi aponta para uma surpreendente conclusão: a de que o rito antropofágico era, para os índios, a principal aquisição da cultura, capaz de transformar em Bem o Mal inevitável inerente à natureza. [...] "no jogo canibal, cada grupo depende totalmente de seus inimigos, para atingir, depois da morte, a vida de prazer e alegria".
Canibalismo, busca da salvação, e uma narrativa que vai do gênesis ao apocalipse. Eis os elementos para uma ótima leitura.
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2009-02-26

Cartas de alguém que teve a família destroçada pela ditadura

Reproduzo às largas um material do Rodrigo Vianna que precisa circular às largas. Trata-se de cartas que Ivan Seixas, um torturado pela ditadura, escreveu ao jornal Folha de São Paulo, mas não foram publicadas lá. Ele também escreveu ao novo "ombudsman" da Folha, e recebeu de volta o mesmo silêncio. Eis o que escreve Rodrigo Vianna:
Ivan Seixas tinha 16 anos quando foi preso pela ditadura, ao lado do pai, Joaquim Alencar de Seixas. No dia 16 de abril de 1971, os dois foram levados para o DOI-CODI/OBAN, em São Paulo, e barbaramente torturados.

Ivan ficou indignado quando leu o editorial da “Folha de S. Paulo”, definindo a ditadura brasileira como “ditabranda”. Falei há pouco com ele por telefone: “É muita arrogância dos Frias, ainda mais com os pés de barro que eles têm. Os Frias não têm direito de pontificar sobre a ditadura, até porque colaboraram com a ditadura”. [...]

Ivan Seixas mandou duas cartas para a Redação da “Folha”, protestando. Nenhuma das duas foi publicada. Escreveu, também, para o Ombudsman. Nada.

Nesta última, fez referência ao passado nebuloso do grupo “Folha”, jornal que “empregava carros para nos capturar e entregar para sessões de interrogatórios, como sofremos eu e meu pai. Ninguém me contou, eu vi carro da “Folha” na porta da OBAN/DOI-CODI.” [...]

Na madrugada do dia 17 de abril de 1971, poucas horas após a prisão dele e do pai, policiais a serviço da “ditabranda” tiraram Ivan da prisão para um “passeio” por São Paulo. Tomaram o caminho do Parque do Estado, uma área de mata fechada, próxima ao Jardim Zoológico. Lá, o jovem (algemado e desarmado) foi ameaçado várias vezes de fuzilamento. Os policiais - polidos como só acontecia na “ditabranda” brasileira - dispararam várias vezes bem ao lado da cabeça de Ivan. Ele fechava os olhos e tinha certeza que morreria: tortura terrível. Mas, deixaram-no vivo, pra contar a história.

No caminho para o Parque do Estado, os funcionários da “ditabranda” pararam numa padaria, na antiga Estrada do Cursino. Desceram pra tomar café, deixando Ivan no “chiqueirinho” da viatura. Foi de lá que Ivan conseguiu observar a manchete da “Folha da Tarde” (jornal do grupo Frias), estampada na banca bem ao lado da padaria: o jornal anunciava a morte do pai dele, Joaquim.

Prestem bem atenção: a “Folha da Tarde” do dia 17 trazia manchete com a morte de Joaquim – que teria ocorrido dia 16. Só que, ao voltar de seu “passeio” com os policiais, Ivan encontrou o pai vivo e consciente, nas dependências do DOI-CODI. Joaquim só morreria – sob tortura – no próprio dia 17. [...]

Ou seja, o jornal da família Frias já sabia que Joaquim estava marcado pra morrer, e “adiantou” a notícia em um dia. Detalhe banal.

A historiadora Beatriz Kushnir publicou um livro em que conta essa e outras histórias mostrando os vínculos estreitos da família Frias com a ditadura.
Trechos da primeira carta de Ivan Seixas à Folha:
INSULTOS AOS DEMOCRATAS

Senhor editor

Vejo na página editorial da Folha loas ao bom comportamento dos ditadores brasileiros, que teriam sido até brandos com os inimigos. Vocês chegam até a cunhar o neologismo DITABRANDA para designar aquele período que todos os democratas definem como DITADURA. Hoje vi a redação insultar o professor Fábio Comparato e a Professora Maria Vitória Benevides de CÍNICOS E MENTIROSOS.

A DITABRANDA de vocês me prendeu junto com meu pai, quando eu tinha 16 anos. Nos torturaram juntos e o assassinaram no dia seguinte a noite. Naquela mesma manhã, uma nota oficial foi publicada dando conta de sua morte ao resistir à prisão, quando ele ainda estava vivo. Minha casa foi saqueada, minha mãe e irmãs foram presas e ficaram 1 ano e meio presas, sem acusação sequer. Uma dessas irmãs sofreu uma violência sexual por parte dos agentes da DITABRANDA de vocês. Eu fiquei preso por longos 6 anos.

Diante disso, convém perguntar: O que mais vocês gostariam que fizessem conosco?Para sua informação, envio foto [acima] de como ficou meu pai após a DITABRANDA tê-lo interrogado brandamente, nas palavras de vocês da redação da Folha. Saudações democráticas.

Ivan Akselrud de Seixas
A segunda carta, após o silêncio da Folha e do ombudsman:
Prezado Senhor

[...] Com certeza não esperava que o senhor fizesse agora alguma sugestão do que os algozes da DITADURA (repito, DITADURA - para que não haja dúvidas) deveriam fazer de acordo com seu refinado gosto, ou conforme os critérios do seu infográfico que mede a intensidade de ditaduras. Para ajudar VS, visto que a foto do cadáver de meu pai [acima] não lhe pareceu suficiente para sua opinião abalizada, envio agora a de outros dois militantes políticos, igualmente assassinados por sua DITABRANDA, que nós, democratas, continuamos a chamar de DITADURA mesmo.

As três fotos são: meu pai, o mecânico Joaquim Alencar de Seixas, o arquiteto Antônio Benetazzo e o operário químico Virgílio Gomes da Silva.

Observe as fotos anexas e reflita. Apenas isso.

Em seguida, mostre aos seus pares de redação: Clóvis Rossi, Eliane Cantanhede, Kennedy Alencar, Nelson de Sá, Mônica Bergamo e Gilberto Dimenstein, entre outros. Pergunte-lhes o que têm a dizer a respeito do assunto. [...] Senhor, sua democracia é bem curiosa. Frente à condenação pública, suspende e proíbe o debate. Não permite que o ombusdman exerça seu papel - e este se acomoda, enquanto o senhor corta as cartas ao Painel do Leitor, tal qual a dona Solange Hernandes fazia nos áureos tempos do seu pai e do seu jornal cedido ao pessoal da OBAN-DOI/CODI. [...]

Democraticamente,

Ivan Akselrud de Seixas
Via História em Projetos
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Intelectuais repudiam Folha

Monumento Tortura Nunca Mais / Monumento Tortu...Image by Márcio Cabral de Moura via Flickr

Acho importante assinar o abaixo-assinado a um manifesto em repúdio ao jornal Folha de São Paulo, nos casos da reescrita do passado com o quase-neologismo "ditabranda" e da réplica ad hominem contra os professores Fábio Comparato e Maria Benevides.

Há intelectuais de peso entre os proponentes do abaixo-assinado, como Antonio Candido, Maria Rita Kehl e Michael Löwy. Eis um trecho do manifesto:
Perseguições, prisões iníquas, torturas, assassinatos, suicídios forjados e execuções sumárias foram crimes corriqueiramente praticados pela ditadura militar no período mais longo e sombrio da história política brasileira. O estelionato semântico manifesto pelo neologismo “ditabranda” é, a rigor, uma fraudulenta revisão histórica forjada por uma minoria que se beneficiou da suspensão das liberdades e direitos democráticos no pós-1964.

Repudiamos, de forma igualmente firme e contundente, a “Nota de redação”, publicada pelo jornal em 20 de fevereiro (p. 3) em resposta às cartas enviadas à seção “Painel do Leitor” pelos professores Maria Victoria de Mesquita Benevides e Fábio Konder Comparato. Sem razões ou argumentos, a Folha de S. Paulo perpetrou ataques ignominiosos, arbitrários e irresponsáveis à atuação desses dois combativos acadêmicos e intelectuais brasileiros. Assim, vimos manifestar-lhes nosso irrestrito apoio e solidariedade ante às insólitas críticas pessoais e políticas contidas na infamante nota da direção editorial do jornal.
Eis um resumo do caso. A Folha disse que o Brasil dos anos 1960-80s passou por uma "ditabranda". Os professores Comparato e Benevides questionaram a Folha, mas não receberam nenhuma resposta adequada segundo as mais singelas regras do diálogo lógico. Ao invés disso, suas pessoas foram atacadas. Isso mostra que os redatores da Folha, além de terem uma visão equivocada da história do Brasil, estão com dificuldades mais básicas, da ordem do mero raciocínio lógico, pois cometem a falácia do argumento ad hominem, caso no qual, ao invés de se argumentar sobre o tema em pauta, se agride o interlocutor. Ou seja, do ponto de vista lógico, a agressão da Folha contra os professores Comparato e Benevides é mera fuga do assunto. Há, também, problemas de ordem linguística, como nota Idelber Avelar:
Qualquer bom professor de história do primeiro grau sabe que não há nenhuma tradição bibliográfica de uso do termo “ditabranda” para designar o regime militar brasileiro, a ditadura de 1964-1985. Aos escrever as chamadas "ditabrandas" -caso do Brasil entre 1964 e 1985, o jornal simplesmete mentia aos leitores. Não “errava” ou “tinha um ponto de vista diferente”. Mentia, pois a ditadura brasileira não é “chamada” de ditabranda por ninguém. Não era, pelo menos, até o dia 17 passado.

Se tivessem, para compensar os livros que não leram, utilizado por dois minutos a internet que tanto temem, os membros do Conselho Editorial da Folha teriam descoberto que o termo “ditabranda” vem do espanhol e foi usado para caracterizar o regime que precedeu a República Espanhola dos anos 30. Depois, na Argentina, a ditadura de Onganía (1966-70) chegou a ser chamada de “ditabranda”, a princípio por falta de notícias sobre a extensão de seus crimes, e depois ironicamente, para acentuar os horrores da outra ditadura que se seguiria (1976-83).

Ou seja, além de reinventar o passado, a Folha reinventa o modo como falamos do passado. E parece achar que fazia isso com um neologismo, enquanto na verdade usava um termo já usado, de maneira irônica, para se falar da truculenta e homicida ditadura argentina.

Até o momento, mais de 3.000 assinam abaixo do manifesto. Se você concorda com a nota de repúdio à fantasia da Folha e solidariedade aos professores Comparato e Benevides, assine você também.

PS - Caso queira mais motivação para subscrever o manifesto, leia este depoimento de Leo Vidigal lá no Biscoito Fino:
Fiquei sabendo somente agora dessa pisada da Folha e demorei para conseguir me controlar e escrever algo coerente. Esse papo de "ditabranda" me provoca sentimentos inconfessáveis. Meu pai foi assassinado dissimuladamente, deixado em casa quase morto e teve como causa mortis pancreatite por trauma, trauma este devido às torturas realizadas no DOPS do Rio. Mas até hoje não conseguimos provar,pois todos os registros de sua passagem por lá estão ainda fora de nosso alcance e pela maneira como ele morreu, fora das dependências policiais. Quantos não pereceram dessa forma? Quantos estão alijados das estatísticas da "ditabranda"?
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De volta ao Blogoleone

José Alfredo JiménezImage via Wikipedia

Voltei a publicar clips das notícias que mais recomendo no Blogoleone. É ótimo voltar a estar na companhia de Jean Scharlau, Zé "Mosca Azul" Alfredo, Omar e muitos outros. Nesta hora de alegria, quero mais é cantar nosso hino de guerra:
Blogo, blogo, blogo !!
Leone, leone, leone !!
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2009-02-25

Yeda, a ex-governadora em atividade

{{pt|A governadora dp Rio Grande do Sul Yeda C...Image via Wikipedia

Diariamente, o governo Yeda toma decisões embaraçosas, envergonhando o gaúcho do presente e comprometendo o futuro do RS. O desastre político é inédito no aspecto quantitativo, pois não há decisão que se salve, e no aspecto qualitativo, pois todas as práticas e decisões, em todas as áreas, do ambiente à coordenação política, passando pela economia e pela educação, são danosas aos gaúchos. Certo, ela prometeu um novo jeito de governar, mas nem mesmo os mais incrédulos dos gaúchos não-leitores de ZH poderiam imaginar que seria esta esculhambação toda!

Ante tal grau inédito de incompetência e inabilidade política, é fácil sentir vertigem ante o conjunto das trapalhadas de Yeda. Falta ordem no retrato do caótico governo de Yeda. Quer dizer, faltava. Eduardo Tessler fez uma boa síntese do governo Yeda para a Terra Magazine. Trechos:
A economista Yeda Crusius, ex-ministra sem expressão de Itamar Franco e ex-deputada com algum brilho na década passada, lidera o mais instável governo da história do Rio Grande do Sul. Uma sucessão de escândalos, brigas, picuinhas, desvio de dinheiro e agora até morte misteriosa [...].

Com a licença da expressão criada pelo jornalista Paulo Cesar Vasconcellos e utilizada com brilho por Nelson Motta no Rio, Yeda Crusius é uma ex-governadora em atividade. As façanhas de Yeda são incomparáveis, ela bem poderia estar do livro dos recordes, tamanha ineficiência política. Alguns exemplos:

- Depois de prometer em campanha não subir impostos, tentou aprovar antes de sua posse um projeto de aumento de ICMS, causando o primeiro incidente de governo. Três secretários escolhidos da sua base aliada renunciaram antes de assumirem as pastas;
- Ao completar 100 dias de governo, exonerou o secretário da segurança Enio Bacci, que começava a desmontar uma rede de corrupção entre o Jogo do Bicho e delegados de polícia. Yeda considerou-o "personalista" e no seu governo a ordem parece ser que ninguém brilha mais que ela própria;
- Rompeu com o vice-governador Paulo Feijó (DEM) ao tomar posse, mantendo-o longe da mesa de decisões do Palácio. Até que Feijó gravou uma conversa com um dos principais secretários de Yeda, Cesar Busatto, que tentava - a pedido da governadora - acertar algumas comissões para que Feijó ficasse calado;
- Comprou uma casa para uso próprio avaliada em R$ 1 milhão. Alegou ter pago pouco mais de R$ 500 mil, embora não tenha declarado fonte de renda para tanto. Até hoje ainda não há uma versão aceitável para tal matemática;
- Envolveu-se no escândalo do Detran, descoberto pela Operação Rodin. Trata-se de um esquema de corrupção utilizando-se de fundações ligadas à Universidade de Santa Maria, onde cada envolvido saia com os bolsos cheios e a governadora fazia caixa para a campanha de reeleição;

[...] A dignidade gaúcha aconselharia Yeda a renunciar, enquanto se investigam os inúmeros escândalos de seu governo.

A síntese de Tessler é boa, embora deixe de fora o fechamento de dezenas de escolas públicas e o estranho caso de "saneamento" das finanças públicas com um empréstimo. Desde quando quem usa o cheque especial para pagar as contas está "em dia"? Mas ele não teria como colocar tudo em um único texto, pois o governo Yeda requer o fôlego de uma enciclopédia dos erros e tropeços políticos.

Via RS Urgente.

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2009-02-23

Filmes clássicos de esquerda (postagem inacabada)

Atualizado 2009-02-24, 12h20

Lá no Hermenauta aconteceu uma discussão sobre os filmes clássicos de esquerda, e isso me fez pensar na minha lista de preferidos. Claro, uma lista dessas depende do que se entende por "esquerda", e por isso começo esclarecendo minha visão.

Ser de "esquerda" é ter uma visão sobre a justiça social. Vivemos em sociedade, e essa vida faz com que produzamos, coletivamente, uma série de bens e vantagens que não existiriam se vivêssemos isoladamente. Essas vantagens são o fruto da vida social, e por isso devem ser distribuídas para os membros da sociedade. A discussão é como fazer tal partilha. Basicamente, alguém de esquerda diz que a partilha deve começar, sempre, pelos que estão em desvantagem. Um conservador diz que a partilha inicia por onde iniciava no passado. Um neoliberal diz que inicia pelo mais forte. Essas são as três posições básicas sobre a justiça social. O esquerdista propõe modificaçõe sociais que coloquem em primeiro lugar quem está em último na sociedade. À direita, o conservador se orienta pelo passado e pela tradição, e o neoliberal busca fazer com que os mais fortes e poderosos abocanhem todo o bolo das vantagens sociais produzidas pela vida social como um todo.

Bem, vou acabar esta postagem abruptamente, pois estou de saída. Eis a lista de filmes de esquerda que postei no Hermenauta:

Minha lista de clássicos de esquerda incluiria "A Sociedade do Espetáculo" (Debord), "Outubro", "Potemkim", "Alexandre Nievski" (Eisenstein), "A Batalha de Argel" (Pontecorvo), "Underground, Mentiras de Guerra" (Kusturica), "Le Regard d'Ulysse" (Angelopoulos), "Salvador" (Stone), "Missing", "Z", "Estado de Sítio (Costa-Gavras), "Giordano Bruno", "Todo Modo" e "A Classe Operária Vai ao Paraíso" (Petri).

Gostaria de comentar a lista , mas fica para depois. A Sociedade do Espetáculo, de Guy Debord, fica em primeiro lugar por dois motivos. Em primeiro lugar, é um filme-livro, livro-filme, narrado-escrito, escrito-narrado pelo próprio autor-diretor, com uma das visões mais claras sobre nossa sociedade e os meios de exploração do povo. Em segundo lugar, o filme é uma aula de cinema que precisa ser relembrada, pois há dezenas de camadas de cinema comercial que soterram a compreensão da arte cinematográfica até mesmo de pessoas instruídas.

O filme pode ser visto, infelizmente sem legendas, na UbuWeb. As "legendas" do filme podem ser encontradas em uma transcrição de Railton Guedes. Ele uniu as sequências do filme às sequências do filme. Seria ótimo se alguém aproveitasse seu trabalho para fazer legendas .srt para o filme.

Continuo mais tarde.....

2009-02-20

Folha: decadência e saudade do que não foi

Não é raro que uma pessoa ou um grupo que esteve em alta no passado, mas está indo para as margens no presente, pinte o passado com cores mais belas do que seria requerido para um retrato fiel. Aliás, isso é bem comum. Pense nas pessoas que não tem uma velhice ativa, e agora se queixam de tudo, prefaciando sua indignação com o presente e seu louvor ao passado com a expressão "no meu tempo.....". Isso é comum, e diz mais sobre a situação presente dessa pessoa do que sobre seu passado, o qual frequentemente foi bem mais duro do que a pessoa pinta. Seu presente de marginalidade social a leva a criar um passado onde tudo era melhor, e mais belo. Não por acaso, nesse passado inventado essa pessoa ou grupo tinha um papel mais central do que tem no presente.

Pois bem, vivemos em um momento no qual as pessoas compram menos jornais, e consomem mais internet. Vivemos em um tempo no qual aqueles que antes posavam como "formadores de opinião" dos grandes jornais hoje são chamados de "deformadores de opinião" pelos leitores nos seus blogs. Vivemos em um momento no qual os jornais perderam o monopólio da palavra, e já começam a ser pautados pelos blogs. É nesse momento que a Folha de São Paulo inventa seu passado fantasioso, no qual o Brasil não teve uma ditadura, mas sim uma "ditabranda".

É compreensível que a Folha invente um passado para se refugiar. Ela precisa de uma Idade do Ouro, pois o presente é uma Idade do Ferro para ela e para os outros grandes jornais. Os leitores não compram mais o jornal, nem o lêem, e quando o lêem o criticam abertamente. Nada mais é fácil como era no passado. Nesse contexto, é natural que a Folha não ache que a dureza esteja no passado, pois duro é o presente, e o futuro é no mínimo incerto.

Para ser direto, estou dizendo que o editorial no qual a Folha reconstrói o passado de violência, ilegalidade e subserviência do Brasil como uma "ditabranda", é porque seu presente de marginalidade social é intolerável, insuportável para ela. Isso explica sua doença da memória. A Folha se sente melhor nesse passado que nunca existiu do que no presente real. Talvez porque não tenha nenhum futuro brilhante à frente. Pobre Folha.

Escolas do MST foram premiadas pela Unicef

Frei Pilato Pereira:

Se me perguntarem quantos prêmios a governadora do Estado recebeu pelo seu trabalho em favor da Educação, sinceramente, não saberia responder. Parece-me que ela, a Yeda Crusius, nunca fez nada de bom para a Educação ao ponto de ser premiada. Mas, quanto ao MST, a resposta é diferente. O Movimento dos Sem Terra, o MST, já recebeu vários prêmios por seu bom trabalho realizado na área de Educação. Vamos lembrar de, pelo menos, dois. Em novembro de 1999 o MST recebeu o Prêmio Itaú-Unicef "Por uma Educação Básica no Campo" e em 1995 recebeu o prêmio "Por uma Escola de Qualidade no Campo". O MST, um movimento social que muito fez pela educação, acabou entrando em disputa pela questão da educação com uma governadora que nada de bom realizou nesta área. E, com o apoio de uma parcela do Ministério Público, a governadora Yeda venceu a batalha. E os perdedores, nesta batalha, são crianças, cujos pais não tiveram acesso a terra. E agora o poder público nega para seus filhos o direito à educação.

No jornal Correio do Brasil e no blog Olhar Ecológico, do frei Pilato. Via Maria Frô

Recapitulando as últimas catástrofes e incertezas do governo Yeda, de maneira breve:

Por que o governo Yeda não pede para o PSOL mostrar os vídeos que viu? Por que não toma, contra o PSOL, a mesma atitude que tomou contra os professores? O quadro fica parecendo esse pintado pelo Marco Weissheimer: "É simples assim. Se não existem [as provas, os vídeos], os denunciantes [o PSOL] são uns desvairados. Se existem, quem é acusado [o governo Yeda], pode pensar duas vezes antes de pedir a apresentação das mesmas. O pedido pode ser atendido."

BlogoPress #2 no ar

http://blogopress.blogspot.com/2009/02/blogopress-2.html
PDF

Imprima para seu tio que compra jornais, não lê blogs, e se imagina informado. Coloque uma cópia sob a porta da sua vizinha que acha a Yeda fina e elegante.

2009-02-19

BlogoPress no ar

http://blogopress.blogspot.com/

Meu sogro gosta de acompanhar as notícias, mas não suporta os comentaristas direitistas abusados que aparecem na TV ou no rádio, nem notícias distorcidas. E ele não acompanha a internet. A situação dele é igual a de vários que só usam rádio, TV e jornais como meios de comunicação. É para esses que dirigo o BlogoPress.

A idéia é simples: recorto e colo em um documento do BrOffice trechos das notícias e opiniões mais interessantes que acho na internet, salvo como PDF, imprimo uma cópia para meu sogro, e deixo o PDF no ar para que outras pessoas imprimam para outros sem-internet que queiram informação viva e confiável. Com isso, dou-lhes uma amostra do que há na rede, e os convido a participar.

O BlogoPress não é dirigido para quem já acompanha a internet e os blogs. Seu público são as pessoas que ainda não frequentam esse mundo. Você pode instigá-las a vir para cá imprimindo algumas cópias do BlogoPress, ou fazendo sua própria seleção, e distribuindo as cópias impressas para vizinhos, parentes, amigos, colegas de trabalho ou colegas de escola.

A idéia fundamental por detrás do BlogoPress é instigar pessoas de todas as idades a frequentar a internet, e usá-la como meio de informação. Uma vez que essas pessoas tenham contato com o material que circula na rede, suas visões sobre o material que rola em rádios, TVs e jornais se modificará.

Toda e qualquer banda com um membro chamado "Crocus Behemoth" merece respeito

http://en.wikipedia.org/wiki/Rocket_From_the_Tombs
http://www.lastfm.com.br/music/Rocket+From+the+Tombs

Rocket from the Tombs, proto-punk de primeiríssima.

Onde encontrar opinião

Hoje, se quisermos opinião, ponto-de-vista, crítica fundamentada, temos que viajar pela internet em busca de blogs, que estão substituindo os editoriais e os chamados artigos de fundo dos grandes jornais, cada vez menos lidos. Uma pequena e ilustrada parcela da população acessa os blogs, que ainda não formam opinião pública. A totalidade das massas é educada pela TV, que substituiu a Escola, a Igreja e o Exército como formadores morais e de opinião pública.

Kerry sem olhos em Gaza, e porque os palestinos podem esperar o pior

http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5goYpXaJ5UaOiAK5F7fEh2iTLd3Kw
http://www.iht.com/articles/2009/02/19/mideast/19mideastcnd-kerry.php

Em meio ao caos, a visita de parlamentares dos EUA a Gaza é uma boa notícia. No entanto, as declarações do senador John Kerry são decepcionantes. Em sua visita a Gaza, tudo o que vê, em meio aos escombros, é o direito de Israel de se defender. Ou, ao menos, é o que inferimos das suas declarações. Vale a pena listar o que Kerry não vê, ou não quer ver.
  • Kerry não vê que quem estaria se defendendo, caso tivessem meios, seriam os palestinos, pois Israel é o agressor. Israel está ocupando militarmente o território palestino há quatro décadas. Não se trata de território de Estado algum, pois Israel impede os estrangeiros que estão nessa terra de ter um Estado.
  • Ou seja, Kerry não vê que um Estado ladrão de terras grileiro, Israel, está agredindo, no território e na carne, uma população que não se defende por não ter meios políticos ou militares de se defender.
  • Kerry não vê que os palestinos não tem porque esperar nenhuma solução via diálogo, pois Israel não acata nenhuma decisão internacional, destruiu todas as tentativas anteriores de negociação, e tem um lobby suficientemente forte nos principais partidos políticos dos EUA para colocar a força e a indústria militar dos EUA a seu favor, além do dinheiro do contribuinte dos EUA.
  • Kerry não vê que seu país não pode, ao mesmo tempo, (1) ser conivente com a agressão a uma população roubada e impedida de se autodeterminar, (2) ser cúmplice da destruição de todas as tentativas sérias de diálogo, e (3) posar de defensor da democracia e da autodeterminação dos povos. Isso, além de imoral, dá ânsia de vômito.
Neste quadro, se o melhor que os EUA tem a oferecer aos palestinos é um senador democrata que declara o que declara, então os palestinos só podem esperar o pior.

2009-02-17

Filósofos analíticos contra a repressão na América Latina

http://www.nybooks.com/articles/7120

Uma carta de 1981 assinada por vários filósofos analíticos de destaque, como Stanley Cavell, Arthur Danto, Daniel Dennett, Jaakko Hintikka, Thomas Kuhn, Wilfrid Sellars, Barry Stroud e Judith Thomson.

2009-02-16

Efeitos do estouro da bolha do petróleo no Oriente Médio

http://www.truthdig.com/avbooth/item/20090216_recipe_for_disaster_in_the_middle_east/

. 40% da população entre 15-24 anos sem emprego.
. estacionamentos do aeroporto de Dubai lotados de carros de estrangeiros que abandonam a cidade.
. no Egito, meio milhão de novos desempregados, e tumultos por causa da carência de alimentos

Um episódio de Grey's Anatomy em Porto Alegre

http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&section=Geral&newsID=a2405678.xml

Matéria bem escrita sobre o Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

2009-02-14

Apocalipse com Bashir

http://waltzwithbashir.com/
http://en.wikipedia.org/wiki/Waltz_with_Bashir
http://portal-ads.blogspot.com/2009/01/waltz-with-bashir-dvdrip-rmvb-legendado.html



O premiado Waltz with Bashir, do diretor e roteirista Ari Folman, é uma espécie de Apocalipse Now israelense, em animação, com astral psicodélico, sobre um israelense veterano do Massacre de Sabra e Shatila que perdeu todas as memórias da sua participação na invasão do Líbano de 1982, e agora procura seus antigos colegas de armas para recuperá-las.

O filme tem tudo para se tornar um clássico dos filmes de guerra.

Um PF de rock'n'roll #1

Um prato feito de rock'n'roll #1

Em um iPod ou mp3 player, misture a diversão porque-sim dos Irmãos Rocha! ("Ugabugababy"), carregue músicas africanas dos anos 1970s ("Leki Santchi", "Ye Nan Lon An", "Heavy Heavy Heavy"), acrescente algum krautrock ("Oh yeah"), mais The Velvet Underground ("Rock and Roll", "I Can't Stand It", "Sweet Jane"), músicas sacanas ("Antonias Song Rocco", "Venus in Furs", "Sister Ray"), músicas políticas ("Slave Driver", "Guns of Brixton", "Know Your Rights", "Hurricane") e músicas divertidas ("Nicoteen", "She", "Little Honda").

Cheque se as baterias estão carregadas. Daí saia para a rua com os fones nos ouvidos, e seja feliz.

2009-02-13

Mission of Burma

http://www.matadorrecords.com/store/storesearch.php?artist=Mission%20Of%20Burma

PQP, sonzeraaa !!!!

Chomsky sobre o Massacre de Gaza

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15660

Aprendendo a escrever com o professor Guedes

http://br.librarything.com/work/book/41676031

Fazia tempo que eu não lia um livro em silêncio, ouvindo apenas os grilos e os sons distantes do subúrbio. Seja um livro de Heidegger, seja um livro de Evans, sempre há "Manta Ray" ou outra música ruidosa rolando ao fundo. Hoje, o ruído parou. A razão? O maravilhoso livro Da Redação Escolar ao Texto, do professor Paulo Guedes.

Tive sorte. Me queixei do horror estilístico e textual do rascunho da minha tese para minha cunhada, Lia Schulz. Ela é mestre em linguística, professora de produção textual, e tem bom coração. Compadecida da minha miséria autoral, me enviou de Floripa vários livros para autores, e um deles é o livro do professor Guedes. Acertou na mosca.

O assunto do professor Guedes no livro é "[...] como se diz o que se quer dizer [...]" (p. 30). Isso requer que o autor saiba o que quer dizer, e assim temos três temas relacionados: (1) querer dizer alguma coisa, (2) saber o que se quer dizer, e (3) ser capaz de dizer o que se quer dizer. Bem, essa temática representa meus problemas na escrita da minha tese. (1') Eu quero dizer que nossas memórias são constituídas pelas nossas interações com um mundo natural e social, e quero explicar aspectos semânticos e cognitivos dessa constituição. (2') Tenho claro que é isso o que quero dizer, mas (3') encontro problemas no dizer isso no papel. Com o livro do professor Guedes, e muito trabalho, espero superar essas dificuldades.

Eis como cheguei ao livro. Eis como passei uma manhã silenciosa e iluminada. Tudo graças à minha cunhada Lia. Danke, gracias, arigatô, obrigado !

O livro está esgotado. Espero que essa postagem e a enorme pressão do mercado estimulem a Editora da UFRGS a lançar a 3ª edição.

2009-02-12

França mantém embargo aos transgênicos

http://www.lexpress.fr/actualites/2/paris-maintient-l-embargo-sur-les-ogm-malgre-l-avis-de-l-afssa_740614.html

Darwin 2009, site francês

http://www.darwin2009.fr/

O feito de Darwin

Ao publicar em 1859 A Origem das Espécies por Meio da Seleção Naturai, o sábio britânico Charles Darwin forneceu uma explicação completa do ser vivo, inteiramente fundada em fatos observáveis, sem fazer intervir algum elemento transcendente ou inexplicável.

Darwin em Salvador, Bahia

Aqui eu vi pela primeira vez uma floresta tropical em toda sua magnificência sublime [...]. Nunca experimentei um deleite tão intenso.
Charles Darwin, em fevereiro de 1832,
via National History Museum

200 anos de Darwin no Museu de História Natural de Londres

http://www.nhm.ac.uk/visit-us/whats-on/special-events/darwin-200-birthday/index.html

Obras completas de Darwin online

http://darwin-online.org.uk/

A partir de O Globo.

2009-02-11

Agora a parábola do filho pródigo faz sentido

http://palavrasdeosho.blogspot.com/2009/02/beleza-de-perder-se.html

Adorei a interpretação do Osho. Sim, é isto !

Lembrando a parábola:

Um cara divide sua grana entre seus dois filhos. Um deles sai para o mundo, e torra tudo em sexo, drogas e rock'n'roll. O outro fica mocorongueando ao redor do pai, trabalhando e acumulando capital. Daí, o filho que foi pras baladas volta pra casa sem um puto no bolso, e o pai faz uma tremenda festa pra comemorar sua volta.

O que isso significa? Como entender a parábola? Assim, nas palavras do Osho:

"É uma história tântrica. Ela significa que, se ficares sempre no caminho certo, não serás celebrado pela Existência."

Oh yeah, é isso!

Casa ondulada em Sopot, Polônia

Via Our Surprising World

95%

http://ahdafsoueif.com/

Via Biscoito Fino.

95% dos mortos ou feridos no Massacre de Gaza eram/são civis.

Wall Street Journal enche a bola do Brasil

http://online.wsj.com/article/SB123397388345159609.html?mod=googlenews_wsj

Via Cloaca News.

O jornal elogia a política externa brasileira, e vê o Brasil como um país que se sairá melhor do que EUA e Europa da atual crise do capitalismo.

Trechos da entrevista de Idelber sobre Gaza

http://www.idelberavelar.com/archives/2009/02/entrevista.php

[...] há extenso fundamento para as acusações de crimes de guerra e de lesa-humanidade de Israel nos Territórios Ocupados da Palestina. [...] mas não é factível politicamente, por causa da lei do mais forte.

A invasão foi preparada durante seis meses, a "trégua" se manteve de junho a 04 de novembro – entenda-se "trégua" como manutenção da prisão ao ar livre de Gaza sem reação nenhuma dos palestinos [...]. A questão que há que se explicar é por que o tão demonizado Hamas aceitou ficar meses sem lançar foguetes. É a prova cabal, de novo, de que Israel tem todas as cartas da negociação nas mãos.

Nos EUA [...] o lobby pró-Israel – que, insisto, a longo prazo é um lobby anti-Israel – tem o controle completo de todo o horizonte do dizível na política.

A palestina já não pode exigir nada, porque todos os movimentos de resistência pacífica foram ignorados e / ou massacrados.

Depois que os blogs prestam esse serviço público – mostrar que a pessoa [Renata Malkes] que está entrando nas casas brasileiras pela televisão via concessão pública para cobrir uma ocupação colonial era, até três ou quatro anos atrás, autora de textos racistas entusiastas dessa mesma ocupação --, vem jornalista dizer que os blogs devem "pedir desculpas"? [...] A Rede Globo de Televisão deve desculpas a seus telespectadores por mais essa monstruosa falta de transparência.

Obama opera num ambiente político em que o lobby pró-Israel tem, nas mãos, praticamente todo o Congresso. Converse com qualquer deputado ou senador em off. Os relatos são assustadores. [...] A saída é a pressão internacional para que se produzam condições menos asfixiantes de negociação. Fora disso, não vejo nada. Quero dizer, vejo, mas é uma horrenda tragédia. Quantas crianças palestinas morrerão até lá, não sei. Muitas, provavelmente.

Idelber Avelar entrevistado sobre Israel e o Massacre de Gaza

http://www.idelberavelar.com/archives/2009/02/entrevista.php

Imperdível. Idelber faz relações finas entre Massacre de Gaza e outros temas: Obama, lobby pró-Israel, blogosfera e imprensa.

Música cabeça para uma manhã de chuva

http://www.lastfm.com.br/listen/artist/Stockhausen/similarartists

Yeda quer censurar outdoors informativos do CPERS

http://www.clicrbs.com.br/pioneiro/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&action=noticias&section=Pol%C3%ADtica&id=2401078

Com receio de que outdoors do Cpers-Sindicato espalhados pelo Estado prejudiquem a imagem da governadora Yeda Crusius, o Piratini estuda uma forma de barrar na Justiça a divulgação da campanha da entidade.

Outdoors espalhados pela Capital e pelo Interior prometem revelar amanhã quem supostamente seria responsável pelas mazelas do Estado. É estudada pelo movimento a divulgação de fotos da casa da governadora e de ex-presidentes do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), réus da fraude que desviou mais de R$ 40 milhões do órgão. Também podem ser distribuídos folhetos com críticas à secretária da Educação, Mariza Abreu, e uma nota de quanto custa o avião que Yeda fretou para percorrer o Brasil.

Comentário:

Parabéns, o Piratini consegue ao menos acertar uma resposta a uma pergunta, ao menos uma vez! Oh yeah, Yeda nos deve várias explicações e decisões, mui bem listadas pelo órgão noticioso acima. E Yeda sabe disso. Mas, é zóbvio, mais do que óbvio, que ela não tem direito de censurar, e que a proposta de censura é mais um tiro no pé.

Mas o pé de Yeda é o mais baleado dos pés, e seu governo é o mais manco dos governos. Temos apenas mais um caso do cansativo humor sem graça dos ditos e ações do governo Yeda.

PS - mais humor d.Y. (depois-de-Yeda): Yeda fazendo turismo pelo Brasil, contando causos das suas façanhas econômicas. Imagino que a platéia ria a valer quando é informada que o RS pegou um empréstimo bilionário a dólar barato, e vai pagar a dólar caro. Trouxice deveria ter limites. Ah, a platéia não é informada? Espero que o CPERS também coloque essa informação nos seus outdoors.

Pós-modernismo c'est fini kaputt babau já era

http://blog.wired.com/sterling/2009/02/so-long-post-we.html

Postagem bem bacana do Bruce Sterling, na Wired, com o manifesto O Pós-Modernismo Está Morto.

Já estava mais do que na hora. Descanse em paz.

Couch Surfers concorre ao Oscar pornogay

http://www.hotmoviesforher.com/4667/our-blogs/den-of-d-bauchery/congrats-to-the-gayvn-noms/

Não vi Couch Surfers, mas usei em aula um texto de Tristan Taormino sobre o filme:
O elemento mais notável e único do filme [Couch Surfers] é como as diferentes fronteiras sexuais de cada um dos atores são comunicadas ao público. Num filme pornô típico, todo o mundo parece disposto a tudo; hesitação, pedir pra ir devagar ou escolher não fazer alguma coisa não faz parte da equação. Em Couch Surfers, uns caras nunca tiram suas roupas, outros ficam pelados, e outros ficam entre uma e outra coisa. Uns comem, outros são comidos, outros trocam, e quais buracos (se algum) estão abertos para a exploração depende do cara. [...] Ken Rowe, um dos proprietários da Trannywood [produtora do filme], me contou que as produções são tocadas cooperativamente: "Cada cena é negociada, enquadrada e desenvolvida pelos atores [...] muitos caras desenvolveram seu próprio estilo ou zona de conforto [...].
Proposta bacana, não? Se ganhar, será merecido. Couch Surfers concorre na categoria Melhor Lançamento Alternativo.

A propósito, a aula era sobre os predicados que atribuímos aos seres humanos.

2009-02-10

Aquela velha melodia

http://www.salon.com/comics/tomo/2009/02/10/tomo/index.html

Tema clássico dos quadrinhos de Tom Tomorrow: a grande mídia direitista pintando um centro-esquerdista como um extremista de esquerda, daí o centrista faz todas as concessões aos "equilibrados" extremistas de direita, e continua sendo tratado como um extremista de esquerda.

Atual nos EUA, atual no Brasil.

Clint Eastwood por Annie Leibovitz

É uma das fotos mais lindas que já vi. Os outros foram fotografados em estúdio, mas Clint é fotografado na rua, como cabe a um cowboy. Os outros eram fotografados em pares, mas Clint é fotografado solo, pois é diretor e ator. O olhar, o cenário e as mãos no volante fecham com a personalidade de Clint. E há uma luz escura, entre o azul e o cinzento, que vem de todos da direção da câmera. Adoro essa luz.

Foto de Annie Leibovitz, na Vanity Fair. Veja mais sobre o assunto na postagem anterior.

PS - a Vanity Fair também apresenta os bastidores do portfolio diretor+ator de Anniel Leibovitz.

Penélope Cruz e Woody Allen por Annie Leibovitz

Que foto ! Babei, Annie Leibovitz !!

Veja a postagem anterior para mais info sobre essa foto.

Gus Van Sant e Sean Penn por Annie Leibovitz

O diretor e o astro do filme Milk fotografados por Annie Leibovitz. Vale a pena conferir toda a série de fotos diretor+astro na Vanity Fair.

Jean-Michel Basquiat grafitando (1981)

Jean-Michel Basquiat e Andy Warhol (1986)

Andy Warhol pintando Debbie Harry em um computador Amiga

O PAC dos EUA

http://almadageral.blogspot.com/2009/02/o-pac-estadunidense.html

Explicando o salmão barato do Carrefour

O quilo do salmão sai por 12 reais no Carrefour. É uma das carnes mais baratas do mercado. Talvez o artigo glosado abaixo ajude a explicar o fato. A história inclui devastação ambiental, doenças infecciosas e querelas trabalhistas. Além, é claro, de financiamento de um lucrativo negócio de capital transnacional com o dinheiro do contribuinte chileno. Até os conservadores chilenos, ligados ao capital privado, questionam a ajuda a essa indústria.

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3378415-EI6579,00-El+polemico+rescate+del+salmon+chileno.html

. Michelle Bachelet, presidenta do Chile, dará subsídios de meio bilhão de dólares à indústria salmoneira. A decisão é polêmica, pois se questiona o privilégio a essa indústria em detrimento de outras, e também os problemas ambientais e sanitários da mesma.

. A indústria salmoneira é recente, e é responsável por boa parte dos 4 bilhões de dólares de pescados vendidos pelo Chile em 2008. O Chile é o segundo maior exportador de salmão do mundo, só perdendo para a Noruega. Há muito capital transnacional nessa indústria.

. No entanto, a indústria salmoneira tem perdido mercados por causa de problemas sanitários, incluindo a Anemia Infecciosa do Salmão (ISA, na sigla em inglês).

. Além disso, a indústria é questionada internamente por causa da devastação de lagos, da poluição, e dos problemas sanitários. Também se questiona o modo como a indústria salmoneira trata os trabalhadores. Segundo uma associação de pescadores artesanais, o governo chileno "hoy aparece para enterrar, en las mejores condiciones posibles, a una industria que ha causado una de las peores tragedias ambientales en la historia de Chile y por las que nadie parece dispuesto a responder".

. Ante tal quadro, há quem pergunte: "¿Por qué los contribuyentes chilenos debemos asumir los costos de uno de los negocios más rentables de nuestra economía en los últimos 15 años?"

2009-02-09

The Modern Lovers - Pablo Picasso




Well some people try to pick up girlsAnd get called assholesThis never happened to Pablo PicassoHe could walk down your streetAnd girls could not resist his stare andSo Pablo Picasso was never called an asshole
Bem uns caras tentam pegar umas minas
E são chamados de idiotas
Isso nunca aconteceu com Pablo Picasso
Ele podia caminhar pela sua rua
E as garotas não podiam resistir ao seu olhar
Assim Pablo Picasso nunca foi chamado de idiota

Dois artigos sobre a Palestina ocupada

O New York Times e a CNN publicaram dois ótimos artigos sobre a Palestina ocupada por Israel. Eis a glosa.

*

http://edition.cnn.com/2009/WORLD/meast/02/09/wedeman.israel.elections.westbank/index.html

via Left I on the News

Ben Wedeman, correspondente sênior da CNN, foi cobrir as eleições israelenses na comunidade palestina de Na'alin. Trata-se de uma comunidade de palestinos que fazem falam hebraico fluentemente, e fazem negócios com os israelenses, apesar de protestarem todas as sextas contra a grilagem de terras. Israel confisca suas terras incessantemente, e torna a movimentação dentro do território palestino um exercício de paciência.

Wedeman cobre eleições israelenses desde 1996, e nunca viu os palestinos com tão pouca esperança. Eles só vêem mais matanças e roubos de terras pela frente, e começam a abandonar o sonho de uma Palestina independente. A idéia de um Estado único, a Isratina com direitos iguais para árabes e judeus, começa a ganhar força, pois a dominação por Israel é fato. O Estado de Israel é reconhecido.

No entanto, a idéia da Isratina é tabu entre os israelenses, entre outros motivos porque isso seria um projeto de igualdade, e o racismo se tornou "mainstream" em Israel. O racismo permeia Israel. Há exceções, como os jovens anarquistas israelenses que protestavam junto com os garotos palestinos de Na'alin, orientando-os a cobrirem os rostos para não serem identificados pelos soldados israelenses, visto que a identificação leva à prisão.

*

http://www.nytimes.com/2009/02/08/opinion/08aswany.html?_r=1&src=tp

Trata-se de um artigo de opinião, escrito em árabe pelo escritor egípcio Alaa Al Aswany, e traduzido para o inglês.

Al Aswany nos conta da onda de comemoração e felicidade que percorreu o Egito com a vitória de Obama. A esperança era visível nas ruas, com as minorias de pele mais escura dançando, também na blogosfera egípcia.

Para Al Aswany, os egípcios têm esperança em Obama porque ele é o produto justo de um sistema democrático que não existe no Egito.

No entanto, os egípcios ainda esperam de Obama que ele reconheça "[...] o que vemos como uma verdade simples e essencial: o direito de um povo em um território ocupado de resistir à ocupação militar".

Mas Obama tem estado quieto sobre isso, apesar de se dirigir ao mundo árabe, tanto no discurso inaugural quanto na entrevista à rede Al-Arabiya. O silêncio de Obama sobre essa verdade simples têm feito com que os egípcios deixem de escutar suas palavras.

O Leitor

Vi o filme O Leitor.

Fiquei com a impressão que a sina de Ralph Fiennes é fazer filmes de época sobre histórias de amor catastróficas que se passam fora das fronteiras dos EUA e abocanham vários Oscars.

Números e leitores animóticos

Este blog recebe cerca de 4000 visitas por mês, o que me parece bastante para um blog cerebral feito de maneira amadora.

A cada dia, o Animot recebe de 80 a 300 visitas, tendo picos de 1000 visitas nos dias em que o Google me coloca nos primeiros lugares das buscas.

Mas, afinal, quantos leitores têm o Animot?

Eu diria que tem pouco mais de 10 leitores, pois o blog recebe pouco mais de 300 visitas diretas por mês. Menos de 20 leitores, com certeza. Quanto aos outros visitantes, devo muito a duas grandes fontes de tráfego: mais de 50% dos visitantes chega por aqui via mecanismos de busca, e cerca de 20% chega aqui via RS Urgente.

Fico bem feliz com a dezena, pois são leitores de primeira, gente inteligente e com bom humor. Trolls não aparecem. Eu simplesmente os apago sem deixar rastros, quando ousam aparecer. Sendo poucos, a coisa fica mais íntima, e com cara de papo de bar, mas sem os inconvenientes da ressaca e da fumaça no ambiente.

Minha idéia é sempre manter o Animot como um blog pequeno, abrindo outros blogs para tentar coisas mais massificadas, se der na telha. Aqui o papo é para os mais chegados. :)

É claro, fico feliz também em contribuir com material que é buscado via Google e outros mecanismos. É ótimo saber que as coisas que aparecem por aqui podem ser úteis de alguma maneira.

O serviço secreto da rainha e alguns genitais fatiados

http://www.telegraph.co.uk/news/newstopics/politics/defence/4551441/UK-government-suppressed-evidence-on-Binyam-Mohamed-torture-because-MI6-helped-his-interrogators.html

O sr. Binyam Mohamed foi capturado no Paquistão, daí transferido pro Marrocos e para o Afeganistão, e daí brutalmente torturado e enviado para Guantánamo.

O MI6, serviço secreto da rainha da Inglaterra, ajudou os interrogadores. Entre as técnicas de tortura empregadas estavam o famoso waterboarding e o fatiamento dos genitais da vítima com um bisturi.

Via Huffington Post.

Mercado derrete, zelite sofre

http://edu.guim.blog.uol.com.br/arch2009-02-08_2009-02-14.html#2009_02-08_15_13_56-3429108-0

Surreal. Transcrição de um papo pra lá de oco com as mulheres de uns carinhas que perderam grana no cassino financeiro. Leitura obrigatória nas disciplinas de OSPB e Realidade Brasileira (os leitores mais velhos sabem do que estou falando).

Via Hélio Paz.

Um vídeo do Oasis

[...] um vídeo do Oasis é sempre um vídeo do Oasis. Você vê, não entende por que eles fazem um vídeo daquele jeito e no momento seguinte esquece.

2009-02-07

Coletânea afu!!! de música punk dos EUA

http://singersaintsrecords.blogspot.com/2009/01/american-punk-in-memoriam-ron-asheton.html

No RJ, ostomizados sem bolsas coletoras

Do portal Ostomizados & Cia:

Muitos ostomizados estão recolhendo suas fezes, com sacos de supermercados amarrados as suas cinturas ou, então, usando panos velhos para aparar seus dejetos. É bom que todos saibam que esses dejetos jorram, ininterruptamente, sem qualquer forma de controle, das ostomias criadas para esse fim.

[...]

Essa situação, por violar uma série de disposições legais e, principalmente, a Convenção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, ratificada e promulgada pelo Decreto Legislativo n° 186, de 9 de julho de 2008, deve ser objeto de análise pela Procuradoria Geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.

Comentário:

Fui ostomizado por um ano, e sei que a situação dessas pessoas que estão sem bolsas é desesperadora. Um ostomizado com uma bolsa coletora tem uma vida totalmente normal. Agora, um ostomizado sem bolsa não pode ter vida social ou pessoal alguma, pois literalmente jorra merda da sua barriga, sem controle algum.Você não vai trabalhar, fazer um vestibular ou um concurso, ou ver TV tranquilo se não tiver a bolsa.

Aqui no RS o serviço de distribuição funcionava muito bem, ao menos em Porto Alegre.

O melhor disco de rock de todos os tempos

White Light / White Heat, do Velvet Underground.

2009-02-06

Chomsky sobre Obama e a Palestina

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3494692-EI12927,00.html

Do NY Times De Chomsky.info. Via História em Projetos.

PS - O Terra Magazine diz que o artigo veio do New York Times, mas não o encontrei por lá. Nem encontrei nenhuma indicação de publicação no NYT no site do Chomsky. Além disso, a tradução publicada pelo Terra Magazine é parcial, mas isso não é indicado para o leitor. Talvez eu esteja enganado, e o artigo traduzido veio do NYT, na versão traduzida, mas tudo indica que esse não é o caso.

STF, Hobbes e Dantas

A blogosfera comenta que a decisão do STF de que só há prisão após o último julgamento do último recurso na última instância veio sob medida só para livrar Dantas da cadeia. (Sobre o assunto, ver postagens 1 e 2 anteriores.) Na prática, a medida deixa qualquer um que possa e queira recorrer o quanto quiser livre pelo tempo que quiser de qualquer crime cuja pena seja a cadeia, pois há inúmeros meios de recorrer, e a morosidade dos processos é enorme.

Creio até que a decisão não é só para proteger Dantas. Pode ter havido outras razões. Seja como for, é mais do que claro que a decisão NÃO PROTEGE Dantas, pois não protege ninguém.

Pois, vejamos:
  • Um Estado é uma entidade artificial com o monopólio da violência, como nos ensina Hobbes
  • Em um Estado constitucional, como o Brasil, o uso da violência pelo Estado é regido pela Constituição
  • A Constituição do Brasi prevê a prisão como medida violenta contra os indivíduos que cometeram certos atos sob certas circunstâncias
  • No entanto, a decisão do STF anula, na prática, tal medida violenta, sem deixar outra no lugar
  • Como resultado, a decisão do STF torna o Estado brasileiro inexistente para atos que a Constituição brasileira e a legislação subordinada tratam como dignos de prisão
  • Isso quer dizem que crimes como o assassinato já não estão sob o regime da exclusividade estatal da violência
  • Ou seja, não há punição efetiva caso alguém com advogados motivados mate a mim, a ti leitor, ou mate o Dantas!!!!!
Ou seja, como a decisão do STF abre a temporada do tiro ao alvo, ninguém está seguro, nem mesmo Dantas, ao menos em território nacional. Ele pode ficar fora da cadeia, pois recorrerá até o final dos tempos, mas pode chegar ao final dos tempos mais cedo, caso alguém que queira recorrer até o final dos tempos decida meter uma bala no seu corpo.

Em suma, o STF está brincando com o perigo, pois está brincando com as bases do contrato social. Ante tal situação, cabe perguntar, nos inspirando no juiz Joaquim Barbosa: o STF vai assumir o ônus político de ter nos levado de volta ao estado de natureza?

Ante tal quadro, não sei o que Dantas fará. Mas eu, se tivesse alguma influência sobre juízes do STF, pediria decisões que não rasguem o tecido social. Para meu próprio bem.

Ainda sobre a decisão do STF

Mais sobre o caso da postagem anterior.

Notícias STF:

[...] os ministros Menezes Direito e Joaquim Barbosa sustentaram que o esgotamento de matéria penal de fato se dá nas instâncias ordinárias [...]. Menezes Direito e Ellen Gracie sustentaram, também, que a Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica, de que o Brasil é signatário) não assegura direito irrestrito de recorrer em liberdade, muito menos até a 4ª instância, como ocorre no Brasil.

Afirmaram, ainda, que país nenhum possui tantas vias recursais quanto o Brasil. Direito citou os Estados Unidos, o Canadá e a França como exemplos de países que admitem o início imediato do cumprimento de sentença condenatória após o segundo grau. Observaram, ademais, que a execução provisória de sentença condenatória serve também para proteger o próprio réu e sua família.

[...] Durante os debates, o ministro Joaquim Barbosa questionou a eficácia do sistema penal brasileiro. "Se formos aguardar o julgamento de Recursos Especiais (REsp) e Recursos Extraordinários (REs), o processo jamais chegará ao fim", afirmou.

"No processo penal, o réu dispõe de recursos de impugnação que não existem no processo civil", observou ainda Joaquim Barbosa. Segundo ele, em nenhum país há a "generosidade de HCs" existente no Brasil.

Ele disse, a propósito, que há réus confessos que nunca permanecem presos. E citou um exemplo: "Sou relator de um rumoroso processo de São Paulo", relatou. "Só de um dos réus foram julgados 62 recursos no STF, dezenas de minha relatoria, outros da relatoria do ministro Eros Grau e do ministro Carlos Britto".

"O leque de opções de defesa que o ordenamento jurídico brasileiro oferece ao réu é imenso, inigualável", afirmou. "Não existe em nenhum país no mundo que ofereça tamanha proteção. Portanto, se resolvermos politicamente – porque esta é uma decisão política que cabe à Corte Suprema decidir – que o réu só deve cumprir a pena esgotados todos os recursos, ou seja, até o Recurso Extraordinário julgado por esta Corte, nós temos que assumir politicamente o ônus por essa decisão".


Comentário:

A posição dos juízes Menezes Direito, Ellen Gracie e Joaquim Barbosa é razoável. Eles nos dizem o seguinte:

  • Assuntos penais são esgotados nas instâncias ordinárias
  • Nenhum tratado internacional exige do Brasil tal posição, e as outras nações, mesmo as mais "desenvolvidas" são bem mais estritas do que o Brasil
  • No nosso sistema, a decisão equivale à extinção da pena de prisão, pois temos tantos recursos de apelação que o processo nunca será encerrado
  • A decisão dá liberdade a réus confessos
  • O STF tem que estar pronto para arcar com o custo político dessa decisão política
Quanto ao último ponto, cabe perguntar: o STF está pronto para pagar o preço político de ver famílias e comunidades fazendo justiça com as próprias mãos?

Reformulando, o STF está pronto pagar julgar, até a última instância, até o último recurso, casos de pais de famílias que se reuniram para matar alguém que matou um ente querido, e que decidiram tomar tal caminho porque o judiciário que debaterá seu caso até o fim dos tempos é o mesmo que se propôs a debater até o fim dos tempos o caso do assassino agora finado?

Em resumo, o STF está pronto para pagar o preço político de nos levar, oficialmente, ao velho oeste? Está pronto para pagar o preço político de ter tornado a vingança pessoal uma opção mais atraente do que a decisão impessoal?

Esse é o ponto. No mais, havendo provas, acusação, defesa e juri, já temos o suficiente para uma decisão impessoal, e justa. Não há porque fazer de outro modo, havendo tais coisas, principalmente as provas materiais. Sem as mesmas, nada pode haver. Mas, com as mesmas, e um processo onde o papel das mesmas é explicado, e dúvidas são rebatidas, não há porque não se possa prender alguém por um crime digno de prisão.

Decisão do STF não faz sentido

Zero Hora:

O Supremo Tribunal Federal abriu ontem uma brecha para que milhares de réus já condenados possam ganhar liberdade mesmo depois de terem recebido, na segunda instância da Justiça, a pena de prisão.

[...]

A decisão altera a jurisprudência do Supremo e deve influenciar os futuros julgamentos do tribunal. O presidente do STF, Gilmar Mendes, disse que a mudança não impede que os réus sejam alvo de mandados de prisão temporária ou preventiva, nas circunstâncias permitidas por lei. Mas deixou claro que, agora, o direito de recorrer em liberdade passa a ser regra, e não exceção.

Mello:

Nenhuma pessoa será presa, até que o processo tenha transitado em julgado. Na prática isso significa que juízes de primeira e segunda instância podem até mandar alguém para a prisão, mas se esse alguém tiver dinheiro para bons escritórios de advocacia, ele só irá preso depois que o caso for julgado pelo STF e a sentença definitiva lavrada.

Comentário:

Para mim, a decisão do STF não faz sentido. Se alguém foi morto, e (1) a polícia apurou provas em um inquérito, (2) as mesmas foram apresentadas por um promotor, (3) um advogado defendeu o réu e (4) um juri decidiu levando isso em conta tudo isso, não vejo porque alguém não poderia ser preso por homicídio. Tal como vejo, é preciso que alguém mostre, concretamente, que houve um problema em (1)-(4) para que haja razões para revisão.

E, é claro, o próprio pedido de recurso só pode ser deferido caso se mostre que há tais problemas em (1)-(4). Havendo tais problemas, o réu precisa ser solto. Mas, do contrário, não há razão alguma para alguém só poder ser preso após os juízes da mais alta corte de um país com 150 milhões de habitantes se pronunciarem.

É o tipo de decisão que fará as comunidades e famílias ameaçadas buscarem fazer justiça por conta própria, matando homicidas. E, se não me engano, é exatamente para evitar tal tipo de coisa que temos a valiosa estrutura do poder judiciário.

Tudo seria diferente se o judiciário fosse rápido. Mas não é. E há muitos crimes que envolvem prisão, e os ministros do STF são poucos. E eles precisam estar com folga para assuntos de importância para o Estado e a nação. Eis porque é muitíssimo mais razoável que tribunais das instâncias inferiores cuidem dos casos de prisão, respeitando (1)-(4) acima.

Quem matou bambi?

http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4133&boletim_id=529&componente_id=9210

Por Katarina Peixoto, na Carta Maior



Vídeo com Eddie Tudorpole

2009-02-05

De Israel e Daniele, com amor


A foto é da destruição do sul do Líbano de 2006.

Para mim, essa é uma das fotos mais chocantes do século 21. Pessoas comuns foram mortas pelo projétil de Israel e Daniele. Com amor.

Quando se transforma o ódio em brincadeira, não é de se admirar que o massacre de centenas de pessoas comuns, incluindo muitas crianças, não seja visto como algo grave.

A foto ilustra o comportamento de Israel nos últimos massacres de civis. É como se Israel fosse uma criança se divertindo com brinquedos grandes e barulhentos, sem responsabilidade moral alguma. Sem maioridade. Sem consciência. A culpa sempre é dos outros.

Previsível. "Foi ele!", diz a criança que aprontam, apontando para alguma criança menor do que ela.

Nessa, como em todas as situações, cabe aos adultos cuidar das crianças, e impedir que elas se machuquem, ou machuquem os outros. Não fazer isso é negligência. Israel é incapaz de tomar conta de si mesmo. Eis porque é preciso que o mundo diga a Israel que é feio atirar bombas nas casas dos outros, que atirar em médicos e ambulâncias é algo que não se faz, que não se prende as pessoas em um canto por meses, sem água, comida ou trabalho.

Na educação das crianças cabe, antes de tudo, dizer à criança que é feio mentir. Se você fez algo errado, não deve culpar os outros. Se foi você quem pegou para si a casa dos outros, deixando-os sem teto, não se surpreenda se os outros quiserem a casa de volta.

Às vezes as crianças pegam para si o que é dos outros. Se a criança não toma a iniciativa, cabe aos adultos devolverem os pertences aos devidos donos, pedindo desculpas.

2009-02-04

Telefónica pode ser multada em 1 bi

http://br.noticias.yahoo.com/s/reuters/090204/manchetes/manchetes_empres_telefonica_multa

Seria ótimo se os bancos que lesam o público também recebessem multas nessa escala.

Judeus pela paz

Jewish Voice for Peace via Tikun Olam

Assentamentos israelenses mapeados via Google

http://opinionator.blogs.nytimes.com/2009/02/04/mapping-israeli-settlements-on-the-west-bank/

Os assentamentos de colonos israelenses em terras palestinas foram mapeados com o Google.

"O governo israelense tem apoiado e expandido o projeto de colonização dos territórios ocupados durante todo o tempo, e agora isso está documentado", diz Adam Horowitz

Um olho para um cílio

Israel tem o direito de revidar quando atacado pelo Hamas, mas não tem o direito de explodir Gaza em pedaços, ou de privar as pessoas de comida, água e medicamentos. [...] Os fatos falam por si. Nenhuma invocação de danos colaterais ou legítima defesa pode desculpar tal matança maliciosa. Como Avi Shlaim, um professor de relações internacionais e ex-soldado no exército israelita, observou, a ofensiva de Gaza "parece seguir a lógica de um olho para um cílio".

Reações dos animautas

Agora, ao pé de cada postagem deste blog, há botões para registrar o impacto da postagem no leitor.

Calibrei as opções para dar as informações que mais me interessam como autor.

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Sepulturas ruidosas

Como Yehuda Amichai, o poeta israelita, uma vez observou, os mortos votam em Jerusalém. Sua demanda por sangue é, ao que parece, inesgotável. Suas sepulturas não se aquietam. Desde 1948 e a criação de Israel, a desforra tem reinado entre os movimentos nacionais judeus e palestinos.

Tariq Ali sobre o massacre de Gaza

http://www.lrb.co.uk/web/15/01/2009/mult04_.html

Eis uma glosa do artigo.

. Semanas antes do massacre de Gaza, o Instituto de Estudos Estratégicos do Exército dos EUA publicou um documento que descreve a posição israelense ante o governo democraticamente eleito da Palestina como um dos principais obstáculos à paz no Oriente Médio.

. O documento também descreve a posição de Israel ante a coerência nacional palestina, dos pontos de vista legal, territorial, político e econômico, como outro obstáculo à paz.

. O documento do exército dos EUA também vê uma mudança de posição no Hamas. A entidade é vista como reconhecedora do Estado de Israel, assim como a OLP de Arafat reconhecia Israel. Mas, o documento do exército estadunidense acrescenta, não é claro se Israel reconhece, ou não, o direito dos palestinos a ter um Estado próprio.

. Para Tariq Ali, o massacre de Gaza destruiu as chances de uma solução de paz com dois estados, pois, diz Ali, "tornou-se claro para os palestinos que a única Palestina aceitável teria menos direitos do que os bantustões criados pela África do Sul do apartheid".

. Ante esse quadro, Ali diz que a solução é a criação de um único Estado para judeus e palestinos, todos com direitos iguais. É a proposta da criação de uma "Isratina", um único Estado ao invés de dois. O líder líbio Muammar Qaddafi apresentou a mesma proposta no New York Times.

. Um obstáculo a isso é que Israel, de maneira nem um pouco democrática, nem um pouco exemplar, impediu partidos palestinos de participar das últimas eleições.

Segundo Antiwar News, esses partidos foram punidos e banidos por se opôr ao massacre, e por pedirem direitos iguais para todos, independentemente das origens étnicas.

Disclaimer

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