2009-05-26

Ninguém merece nossas prisões

Parte da blogosfera manifestou desconforto com o caso de uma quadrilha de ladrões de caminhão presa em flagrante pela polícia, e solta pelo judiciário, por causa da situação calamitosa dos nossos presídios. Eu comentei no Cloaca News:
Concordo com o juiz. Um país cheio de petróleo como o Brasil não pode ter calabouços como prisões. Se NÓS aceitamos a realidade carcerária (e a responsabilidade é NOSSA), com todo seu horror digno de intervenção da ONU, pior para nós. Agora vamos sofrer as consequências. Palmas para o juiz pela sua responsabilidade.
Em suma: se NÓS nos damos ao luxo de ignorar a realidade dos presídios, pela qual somos responsáveis, pois estamos em uma democracia, então NÓS devemos ou mudar as coisas, ou sofrer as consequências, como a delinquência nas ruas. 

O que é certo é que ninguém merece estar nas nossas prisões, não importando o que tenha feito. Ou mudamos isso (tarefa NOSSA), ou aceitamos criminosos flagrados nas ruas. Não fazer nada é o mesmo que ficar com a segunda opção. 

O juiz em questão é Paulo Augusto Oliveira Irion, da 4ª Vara Criminal de Canoas, região metropolitana de Porto Alegre.

PS - A Agência Brasil está fazendo uma ótima cobertura da horrenda situação carcerária do Brasil. 

7 comentários:

  1. Quatro dos quinze suspeitos estão no semi aberto. E continuam soltos e tem gente que aplaude. Este Brasil é uma vergonha. A construção de um presídio é uma obra razoavelmente fácil de fazer. Não tem mistério, mas o Brasil patina. Até quando patina?

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  2. César, discordo firmemente da decisão desse juiz(ainda que ele alegue o 'atenuante' de 'ordens superiores'). Que ele mandasse soltar da cadeia então os 15 mais antigos lá com o mesmo perfil, ou ainda melhor, 15 que tenham cometido crimes mais leves, para pôr esses aí trancados lá dentro. Deixar impunes é que não pode. Uma coisa errada não justifica outra mais errada ainda. E no dilema a opção correta deve ser pelo dano menor para a maioria.

    E quais seriam as reais motivações desse juiz? Uma quadrilha que roubou 98 caminhões (e respectivas cargas) tem muita, mas muita grana. Estamos falando em milhões de reais. Roubo de caminhões e cargas é feito pela máfia nos EUA.

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  3. Concordo com a responsabilização social inspirada em Rousseau e sou simpático a essa concepção positiva de liberdade. Logo, a pergunta fundamental: o que podemos fazer, dentro de nossas limitações individuais e dentro de uma sociedade bruta e indiferente? Lembre-se que o uso "constrangedor" de algemas é um assunto tipicamente brasileiro. Até onde eu saiba, esse foi o único crime de NOSSO sistema penal hediondo que fez nosso ilustre presidente do STF a sair da cama de madrugada... pode?

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  4. Liberando os suspeitos de furto, libera a responsabilidade do Estado pela sua custódia. Essa responsabilidade é transferida para o Nós a que vc se refere. Não seria o caso do poder judiciário ordenar ao Estado que faça a obrigatória custódia (nas condições "humanas" a serem apreciadas)? Essa decisão diz o seguinte: não há como o Estado prender; "Nós" que se vire.

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  5. Andre,

    Proposta bem interessante, a sua. Se bem te entendo, você apresenta a seguinte posição:

    1 - A ordenação legal requer que certos suspeitos sejam encarcerados em certas condições x

    2 - A ordenação legal também requer que o encarceramento seja nas condições y

    3 - Digamos que a pessoa S esteja na condição x

    4 - Isso requer que ela seja encarcerada

    5 - No entanto, não há como a condição y ser satisfeita

    Aqui, há dois desfechos aceitáveis, dadas tais condições:

    6a - Liberar da exigência da condição x, visto que a condição y não será satisfeita (foi o caminho do juiz Irion)

    6b - Exigir que sejam cumpridas as condições x e y

    Até onde vejo, sua proposta é 6b, opção que me parece claramente superior a 6a. Creio que 6b é preferível, sem dúvida, mas também me parece claro que o juiz que sabe que a condição y (de tratamento legal do encarcerado) não será satisfeita está autorizado a aliviar o cumprimento da condição x (de encarceramento em certos casos previstos na lei).

    Ótimo contribuição, obrigado !

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  6. César. Se entendermos que temos participação nesta situação, as coisas irão para o lugar. O incrível é ver posições reiteradas de "sem discussão, vá "vegetar" na prisão", como se isso não possa um dia afetar pessoalmente ou alguém próximo a nós. A calamidade nos serviços públicos essenciais foi sendo gestado ao longo dos anos e agora, chegou ao ápice. Urge que os gestores públicos, que no momento detém o poder de decisão e gerenciamento, façam o seu dever. E a nós cabe cobrar.

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  7. É um "post" interessante. Se nossas prisões estão se assemelhando a masmorras de antes da Queda da Bastilha não dá para mandar presos para lá, mesmo que sejam criminosos.
    Esperamos que o estado faça os investimentos para que os criminosos possam ficar presos, e cumprir suas penas.

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