2007-05-24

Idioletice e processo

D'O Biscoito Fino e a Massa - O deputado Aldo Rebelo criou um estranho projeto de lei sobre a língua portuguesa. Um trecho:

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Todo e qualquer uso de palavra ou expressão em língua estrangeira, ressalvados os casos excepcionados nesta lei ... será considerado lesivo ao patrimônio cultural brasileiro, punível na forma da lei. . . . Toda e qualquer palavra ou expressão em língua estrangeira .... ressalvados os casos excepcionados nesta lei ... terá que ser substituída por palavra ou expressão equivalente em língua portuguesa no prazo de 90 (noventa) dias a contar da data de registro da ocorrência.
- Em O Biscoito Fino e a Massa : A idioletice de Aldo Rebelo > IPOL
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O projeto é insano, pois línguas são como rios: o que era Solimões vira Amazonas, o que era Amazonas vira Oceano Atlântico, o que era Oceano vira chuva... Ou seja, estrangeirismo hoje, a própria língua amanhã; latim ontem, português hoje.

É assim que as línguas são. Não há decreto que faça com que possamos ler Camões como um contemporâneo. E não há como aceitarmos leis que cerceiem nossa liberdade psicolingüística, pois a liberdade de escolha do próprio léxico, do próprio jeito de pensar, é um direito tããão básico que a ONU nem se deu ao trabalho de colocá-lo no papel, eu acho.

Bom, até aqui nossa história contém apenas tonterias parlamentares. Mas eis que Millor Fernandes escreve, sobre o projeto:

-----c-i-t-a-ç-ã-o-----
Ele sabe do que está falando? Quanta idioletice!
- Em O Biscoito Fino e a Massa : A idioletice de Aldo Rebelo > IPOL
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Em resposta, o parlamentar abre um processo contra o escritor.

Recomendo a visita de O Biscoito Fino e a Massa : A idioletice de Aldo Rebelo para maiores detalhes e também para a leitura dos ótimos comentários dos leitores.

5 comentários:

  1. Defender a língua portuguesa não é outra coisa que defender a diversidade no mundo... Em Cataluña nos gustaria a mesma autonomia que Brasil, ou Portugal... e poder defender melhor a língua catalã. Felicidades por tua blog

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  2. Os teens vão ficar zapeando a internet em vez de fazer o homework. E ainda ficam culpando a desorganização da escola onde os livros ficam guardados nos lockers...
    Se alguém ler com atenção os pontos de vista do Aldo Rebelo a respeito dessa questão poderá, assim como eu, ter outra idéia a respeito desse tema.
    Eu mesmo, a princípio achava o projeto uma idiotia. Isso ocorreu até eu conhecer o ponto de vista do Aldo Rebelo.
    Uma sugestão a todos: pesquisem mais sobre o tema.
    Uma sugestão ao blog: depois de ter tomado posição contra o projeto, talvez a melhor alternativa fosse abrir um espaço para ouvir o outro lado.
    Levando em conta o embasbacamento de nossas elite e classe média com tudo o que "vem de fora", o projeto de proteção de nossa língua já chega tarde.
    Fico por aqui, agora vou me praparar para um festival de música country. Alguém ainda se lembra das lamentáveis músicas sertanejas? O munto "country-brasileiro" tornou a coisa ainda pior. Depois reclamam se um argentino mal intencionado nos chama de macacos. Façam-me um favor...

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  3. Nem só os rebelos do Aldo fazem a confusão entre resistir às causas e aos efeitos. Combater os noviladris é que é prioridade.

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  4. "...será considerado lesivo ao patrimônio cultural brasileiro, punível na forma da lei..."

    PÚNIVEL? É desconcertante! Se os próprios falantes de uma língua não podem fazer com ela o que acharem que devem fazer, O QUÊ É QUE ELES PODEM?

    Conheço o texto dessa lei; sinto muito que, a despeito dos absurdos patentes que ela ostenta, ainda seja preciso gastar tempo para torná-los explícitos.

    Estado algum tem legitimidade para OBRIGAR uma cultura a ser assim ou assado. A única relação que ele pode manter com a cultura é a de garantir que ela possa IR SENDO (o ser da cultura, afinal, é isso) sem que nada a impeça. Qualquer idéia de pureza que se venha intrometer aí oscila entre ingenuidade e hipocrisia --uma e outra igualmente perigosas.

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  5. Certo, o Estado não pode interferir na cultura. Os único autorizados a interferir na cultura nacional são as empresas privadas de comunicação, as mais importantes de concessão pública.
    Empresas essas que respeitam unicamente a lógica do Deus Máximo de nossas sociedades: o Mercado.
    Menos Estado e mais Mercado.
    Já sabemos o resultado disso.

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